Entre idas e vindas; o retorno à Rádio Cultura e a chegada do “Gazeta Regional”!

Chegamos  em  1999  e  duas  surpresas.  Na  verdade nenhuma  novidade,  pois  minha  rotatividade  na  imprensa monlevadense  já  fazia  parte  do  meu  cotidiano  profissional. Entre  idas  e  vindas,  chegadas  e despedidas! Fazia  parte  do  ofício e  mal  o  ano  começava,  duas  mudanças.  O  jornalista  Márcio Passos  reassumia  suas  funções  no  jornal  “A Notícia”,  que passava  por  uma  crise  financeira.  E  somente  ele  para  resolver  a questão.  Entre  algumas  mudanças,  acabamos  chegando  a  um acordo,  e  eu  deixei  o  semanário.  Seria  uma  forma  de  minimizar as  despesas. Não  antes,  de  ter  sido  mais  uma  vez  processado judicialmente,  desta  vez  pela  jornalista  e  integrante  da  Editoria Política  do  jornal  “Estado  de  Minas”,  Bertha  Maakaroun,  onde assinava  uma  coluna  semanal.  Naquela  época,  ela  havia  escrito um  artigo,  tecendo  críticas  a  alguns  vereadores  que  integravam a  Câmara  Municipal  de  João  Monlevade,  e  de  forma  indireta, defendendo  o  governo  do  então  prefeito  Laércio Ribeiro.  Era clara  a  sua  simpatia  pelo  Partido  dos  Trabalhadores. Como assessor  de  Comunicação  do  Legislativo,  rebati,  de  forma intempestiva,  usando  minha  Coluna  no  jornal  “A Notícia” (“Com-Mentando  Monlevade”).  Fui  bem  agressivo  em  meu artigo,  o  que  gerou  a  ação.  Na  época,  fui  defendido  pelo advogado,  saudoso  Dário  Lage.  Acabei  perdendo  a  ação,  mas  os custos  ficaram  por  conta  do  do  periódico. Mesmo a matéria  publicada em  seu  jornal  –  levou  a  minha  assinatura,  ou  seja,  fui  o responsável  direto  na  causa  do  problema.  Daquele resultado, tive  a  certeza  que  o  tal  jargão  inserido  nos  expedientes  dos órgãos  impressos:  “o  jornal  não  se  responsabiliza  pelos  artigos assinados”,  é  pura  ficção.

Pois  bem,  mas  fiquei  então  por  conta  da  Câmara,  até  que, através  de  um  telefonema,  era  novamente  convidado  a  integrar  a equipe  da  Rádio  Cultura.  Logicamente  que,  não  apenas  pelo meu profissionalismo  e  experiência  em  rádio,  mas  também  em função  das  eleições  de  2000.  Sem  falsa  modéstia,  eles  (Mauri Torres  e  Carlos  Moreira)  sabiam  que  seria  melhor  me ter como aliado  que  como  adversário.  Não  pensei  duas  vezes.  Primeiro, porque  sempre  amei  fazer  rádio  e  teria  a  oportunidade  de reassumir  o  meu  programa.  Segundo,  porque,  com  a  saída  do jornal,  minha  renda  tinha  caído  e  seria  a  forma  de compensar  a perda.  Tudo  perfeito,  quando  se juntou  a  fome  com  a  vontade  de comer.  E  outro  fato  que  considerei  interessante  seria  o reencontro  com  o  amigo  e  jornalista  Chico  Franco,  com  quem trabalhei durante anos no “A  Notícia”, e que havia assumido o Jornalismo  da  emissora  em  1997.  E  ainda  por  cima  teria  um parceiro,  também  muito  polêmico,  mas  grande  soma  para  a turma  do  deputado,  tê-lo  como  aliado:  o  ex-vereador  e articulista  Wilson  Vaccari.  No  ar novamente,  o  “Plantão Cultura”,  agora  com  a  dupla  Marcelo  Melo  e  Wilson  Vaccari. Foram  meses  de  muito  sucesso,  cujo  ponto  forte  eram  as  críticas e  denúncias,  além  das  entrevistas.  Tínhamos  liberdade  para fazer  a  nossa  produção.  No  entanto,  um  problema  envolvendo Vaccari  e  Carlos  acabou  provocando  sua  saída.  Dali  em  diante, assumi  novamente  sozinha a produção do  programa,  mantendo  o  mesmo  estilo irreverente  e  polêmico.

Já  começava  a  roda  viva  em  torno  da  sucessão  municipal  e  os partidos  preparavam  suas  alianças.  O  PT já  decidira  pela reeleição  do  Dr.  Laércio  Ribeiro,  possível  para  cargos  do Executivo  graças  à  reforma  política  aprovada  pelo  Congresso Nacional.  Carlos  Moreira vinha  mais  forte  e  tinha  como bandeira  o  PTB.  Juninho  Starling havia  decidido  tentar novamente  uma  cadeira  no  Legislativo.  Tudo  indicava  uma polarização  entre  o  PT e  o  grupo  liderado  pelo  deputado  Mauri Torres.  A vida  pessoal  e  familiar  ia  muito  bem,  graças  a  Deus,  e  a profissional  prometia  novos  desafios.  Justamente  porque,  a convite  do  amigo  Carlos  Eduardo,  “Cacá”,  decidi  encarar  uma nova  empreitada:  colocar  minha  cara  como  editor  de  um  novo jornal que surgia na cidade. Juntaram-se a nós, os amigos José Carlos  Rôlla  e  Maurício  Reis, além  da  saudosa  amiga  Selma Taveira.  Reuniões,  planejamentos,  até surgir  o  nome do periódico:  “Gazeta Regional”.  Como  concorrente  e  a  alta  credibilidade  do  “ANotícia”,  que  circulava  às  sextas-feiras, decidimos  que  a circulação  se  daria  às quintas-feiras.  E  ainda  trouxe  para  ser nosso  revisor  e  responsável  por  um  artigo  assinado,  ninguém menos  que  o  experiente  e  talentoso  Chico  Franco. A primeira edição circulou no dia 11 de março daquele ano, com uma manchete  que  foi  um  grande  furo  de  reportagem.

Funcionando  precariamente  em  um  dos  quartos  da  casa  do  José Carlos,  no  Bairro  Lucília,  a  correria  começava  a  partir  das  18 horas,  quando  deixava  meu  programa  na  Rádio  Cultura.  Às segundas,  terças  e  quartas.  E,  para  felicidade  de  qualquer jornalista,  nada  melhor  do que  dar  a  notícia  em  primeira  mão. Na  quarta-feira,  véspera  de  fechar  a  quinta  edição,  que  chegaria à  bancas  no  dia  8  de  abril,  chega  à  redação  a  informação  de  que  o então  secretário  de  Planejamento  do  governo  do prefeito Laércio Ribeiro,  o ex-vereador  Marco  Aurélio  Loureiro,  teria  sido  destituído  do cargo.  Tudo em  consequência  da  contratação  da  Pólis Consultoria,  que  culminou  com  uma  CPI  instaurada na Câmara.  Corri  até  a Prefeitura  e  fizemos  uma  reportagem  exclusiva.  A crise  estava declarada  também  internamente  e  o  pivô  de  todo  o  processo, segundo  rondava  nos  bastidores,  teria  sido  a  assessora  de Governo,  Ilka  Morais.  O  Gazeta  começaria  com  o  pé  direito  e viria  para  fazer  história  na  imprensa  monlevadense.

*Do Livro “A Saga: Memórias de um Jornalista do Interior” – Parte LII

Autoria: Jornalista Marcelo M. Melo!

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