Especial - 4 de setembro de 2018

Belgo-Mineira: 83 Anos de História

No dia 31 de agosto de 1935: a inauguração do ramal ferroviário Santa Bárbara/São José da Lagoa e o lançamento da pedra fundamental da Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira - Usina de Monlevade. Complementares, os dois marcos foram firmados pelo Presidente da República da época, Getúlio Vargas, e abriram uma página notável no cenário da siderurgia mundial.

83 anos depois, a Usina de Monlevade já passou por diversos planos de expansão e modernização, que deixaram a empresa numa posição de liderança no mercado internacional, faz parte do grupo Arcelor/Mittal.

Mas a história da Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira começa antes de 31 de agosto de 1935. Na verdade, é preciso relembrar a origem do município, quando o fundador Jean Antoine Félix Dissandes de Monlevade chegou a estas sesmarias e construiu o Solar da Fazenda Monlevade e uma Forja Catalã, na qual mais ou menos 200 escravos produziam diariamente 30 arrobas de ferro.

Com a morte de Jean Monlevade, a Forja Catalã passou por um momento de decadência entre os anos de 1872 e 1891. Foi vendida à Companhia Nacional de Forjas e Estaleiros, que a manteve até 1897, fechando pela dificuldade de encontrar mão-de-obra especializada, pelo alto custo da produção e ausência de uma linha férrea interligando a região de Monlevade à Estrada de Ferro Leopoldina.

Vinte anos depois, engenheiros mineiros montaram a Companhia Siderúrgica Mineira em Sabará e dois anos mais tarde registrava-se a primeira corrida de gusa naquela Usina.

Em 1921, Gaston Barbanson adquire o patrimônio da Forja e Estaleiros e no mesmo ano ocorre a fusão do capital da Companhia Siderúrgica Mineira com o da ARBED (Aciéres Reunies de Bourbach, Eich e Dudelange). Daí nasce a Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira.

Mas, antes disso, a primitiva fábrica de ferro passou por fases de crescimento, declínio e até mesmo a decadência, trocando de proprietários algumas vezes, até que transformou-se no embrião da Belgo-Mineira, graças à tenacidade de um outro pioneiro, o luxemburguês e também engenheiro Louis Jacques Ensch, que aqui chegou em 1934 com a missão de desativar a incipiente fábrica, mas acabou por consolidá-la graças à sua visão futurista. E, a partir daí, urbanizou toda a área, dotando-a de uma infraestrutura básica condizente com as necessidades humanas. Fez assim pulsar um coração humano naquele peito de aço que se erguia à margem do rio Piracicaba.

No entanto, alguns anos antes de chegar aqui definitivamente, foi em 1926, sob a sua chancela, que começaram os trabalhos de terraplenagem para a construção da Usina de Monlevade, e cuja pedra fundamental foi lançada em 31 de agosto de 1935, com a presença do então presidente da república, Getúlio Dornelas Vargas. Dois anos após o seu lançamento, em 1937, registrava-se, no dia 20 de julho, a primeira corrida de gusa produzido no alto-forno 1. Em 1938, entrava em operação o primeiro forno Siemens-Martin e o segundo alto-forno. No ano seguinte, eram construídos a usina hidrelétrica Piracicaba, o segundo forno Siemens-Martin e a trefilaria. Ato contínuo, entram em atividade, em 1940, os laminadores e a fábrica de arame farpado.

Cinco anos após o lançamento da pedra fundamental, a Usina funcionava a pleno vapor: quatro alto-fornos, uma usina hidréletrica e uma trefilaria.

Pela segunda vez, o Presidente Getúlio Vargas vem a Monlevade para inaugurar os alto-fornos e lançar a pedra fundamental do primeiro laminador de trilhos, que seria o primeiro da América do Sul.





Legendas:

Em 31 de agosto de 1935 o então presidente da República, Getúlio Vargas, vem a Monlevade para o lançamento da pedra fundamental da Usina da Cia. Siderúrgica Belgo-Mineira.

Na outra foto, o local onde foi escolhido para erguer a Usina, graças ao empenho do engenheiro Louis Ensch.

Louis Ensch fala ao presidente Getúlio Vargas e aos diretores da Usina e convidados – 31 de agosto de 1935

Caminhada para conhecer a área da construção da Usina.