Opinião - 1 de outubro de 2018

70 Anos da Matriz São José Operário

Coluna da Cora
“O Passado não é aquilo que passou. O Passado é o que ficou daquilo que passou” (Tristão de Atayde)

São 70 anos de uma história que a gente conta com orgulho e paixão. Tradição e fé no seu Jubileu de Sagração.
A construção da Usina de João Monlevade estava prevista desde os primórdios da construção da Belgo-Mineira, em 1921. Entretanto, para que se fizesse, era indispensável a construção de um ramal ferroviário, partindo da vizinha cidade de Santa Bárbara, fosse entroncar com a Vitória/Minas em São José da Lagoa, hoje a cidade de Nova Era. O governo se comprometeria a realizar a obra, mas que pôde ser executada somente em 1935.
Foi a partir daquele ano que deu início à construção da Usina, que iria assinar o nascimento da moderna siderurgia no Brasil e da nossa amada João Monlevade, que naquele tempo estava um tanto abandonada e destacava-se pelo belo Solar Monlevade, a Fazenda erguida pelo pioneiro Jean Félix Dissandes de Monlevade. A cada aurora, junto à construção da Usina, crescia com os intrépidos pioneiros, o sonho, a esperança e a força no erguimento de um templo Católico – a Casa de Deus. A fé e o amor a Deus afloravam em cada coração e transbordavam em nossa terra, que já nascia gigante e poderosa.
E no dia 29 de novembro, do ano de 1942, foi oficializada a Benção da 1ª Pedra Fundamental da Igreja, pela S. Ex. Rvma. Dom Helvécio Gomes de Oliveira, Metropolita da Arquidiocese de Mariana. Sendo diretor da Cia. Siderúrgica Belgo-Mineira o Exmo. Dr. Louis Jacques Ensch e Diretor da Usina de Monlevade, Dr. Joseph Hein.
Comemorar os 70 anos da Sagração, santificação da Igreja Matriz de São José Operário, cuja instalação se deu em setembro de 1948, é reviver um passado de nossa cidade em épocas diferentes. E a história se faz com memória; daí a necessidade de relembrar toda a trajetória missionária da nossa querida Paróquia na longa caminhada de fé, esperança e caridade. Uma história com milhares de autores, intrépidos e gigantes pioneiros, brasileiros e estrangeiros. É reviver um passado de nossa terra, as ânsias dos visionários que deram corpo ao sonho, o digno trabalho do operário, personagens que falam de uma rica história. São 70 anos de sagração, De lutas, desafios, ousadia em executar projetos que fizeram e fazem da São José, uma Igreja viva, missionária, atuante e ativa. Parabéns neste seu Ano Jubileu!
Eis uma dessas histórias que poucos conhecem: “Toda manhã na África uma gazela acorda. Ela sabe que deverá correr mais rápido do que o leão ou morrerá. Todo dia na África um leão acorda. Ele sabe que terá de correr mais que a gazela ou morrerá. Quando o sol surge, não importa se você é um leão ou uma gazela. É melhor que comece a correr”... E assim foi com o nascimento da bela Matriz de São José Operário de João Monlevade, que nasceu como esses dois animais, com um ideal definido: correr, correr, construir, caminhar, edificar, evangelizar sem parar, contra o tempo e contra tudo para se chegar ao topo do que se propôs. Uma vereda de luz a cada autora.
Então, lá do alto da montanha das Minas Gerais, entre as verdes e belas matas circundante até hoje conservada a floresta, intacta, à margem do rio Piracicaba, o sonho começa a se desenhar. Todos se conheciam naquela pequena comunidade que já se formava em torno da Usina, que já lutava pelo enriquecimento de nossa João Monlevade, ainda pequena, bucólica e acolhedora. Foram três nomes sugeridos e cada um com justificação: Santa Elói, Santa Bárbara e São José Operário. José, homem honesto, justo e trabalhador, pai de Jesus; acrescentado operário em homenagem aos destemidos e infaligáveis operários pioneiros da nossa terra.
Projetada e construída pelo engenheiro e arquiteto Dr. Yaro Burian, europeu contratado pela Belgo-Mineira, meu saudoso padrinho de batismo, no dia 25 de setembro de 1948, foi solenemente instalada e sagrada a Igreja Matriz de São José Operário, sendo Pio XII, o Pontífice Máximo da Igreja e Dom Helvécio Gomes de Oliveira, o Arcebispo Metropolitano da Diocese de Mariana. No mesmo dia, o Arcebispo anunciava e proclamava o nome do 1º Pároco: Padre José Higino de Freitas. Presentes à solenidade religiosa, além dos representantes do Clero, a alta cúpula da Belgo-Mineira: Dr. Louis Ensch, Dr. Joseph Hein, Albert Scharlé, Geraldo Parreiras e Yaro Burian, além de uma multidão de fiéis de Monlevade e caravanas de várias cidades do Médio Piracicaba, felizes no “Pedacinho do Céu”, diante de tanta beleza e devoção. E a Banda de Música tocava divinamente. Guardo na memória a figura ímpar do Padre Higino, dedicado sacerdote, fervoroso pároco. Evangelizador e educador, sempre usando a sua Batina preta. Página dourada de nossa história!
E, para encerrar esta homenagem aos 70 anos da Paróquia São José Operário, vou relatar uma história envolvendo o Cônego Higino, ele e as Andorinhas. Tudo porque as avoantes moradoras e fiéis devotadas de São José Operário, frequentadoras assíduas do Templo, principalmente durante a Santa Missa dominical, eram um espetáculo á parte. E naquele ensolarado domingo, no horizonte uma manhã lindíssima e serena. A Missa já havia começado; homens de um lado e as mulheres do outro - como era de costume -as alegres beatas andorinhas numa algazarra assombrosa. O alarido delas era fenomenal. Chegavam em bando: pai, mãe, filhos, avós, netos e agregados (rs). Da torre da mais bela Matriz, o sino badalava, chamando o Povo de Deus para a Santa Missa, que prosseguia com fervor e dedicação. De repente, um vai e vem infernal sobre o altar do Senhor. Em revoada rasante as católicas voadoras resolveram participar da Santa Missa mais próximas do querido e saudoso Padre Higino. Toda a São José estava perplexa com aquela tremenda algazarra. Foi então que o Pároco, bem do meio do altar, exclama em elevado som: - “Oh! Danada! Cuspiu na minha cabeça. Que pontaria! Quanta audácia! Essas rezadeiras me tiraram agora do sério. Estão sem limites. Com mil demônios. Elas hoje estão bem assanhadas! Atacadas... Dai-me paciência, meu Deus! Valei-me São José! Ah! Quem me dera ter agora um bodoque”...
E o bondoso e amado, mas bravo e brincalhão Cônego Higino, que a batina preta conservou, continuou celebrando o Dia do Senhor. E quando a Santa Missa terminou, ele brincou: - “Qualquer dia desses vou trazer um bodoque para a Missa e colocá-lo no meio do Altar. Podem apostar”. E rindo muito entrou na Casa Paroquial.
Esta é mais uma história que a gente conta com orgulho e paixão!