Especial - 13 de março de 2018

A História de uma Vida: 107 anos do “Sr. Geraldinho”

A longevidade pode ter lá suas explicações, mas ainda é coberta de mistérios. Afinal, um menino nascido na Fazenda Santa Maria do Soberbo, município de Santa Cruz do Escalvado - distante cerca 30 Kms de Ponte Nova –, em 17 de janeiro de 1911, completou em janeiro passado, 107 anos de vida. Isto em uma época que a idade média do brasileiro não passava dos 48 anos, e onde a vida era muito mais difícil do que os dias atuais. Estamos falando do Sr. Geraldo Vieira Pinto, mais conhecido como “Seu Geraldinho”, e que trabalhou até ultrapassar os 90 anos.
Com uma lucidez e uma memória impressionantes, de fazer inveja a qualquer menino, Seu Geraldinho relata sua vida desde a infância, quanto tinha seus 8 anos de idade e já iniciava na lida, cuidando de alimentar os porcos e levar comida aos empregados da fazenda de seu avô. Perdera a mãe muito cedo, quando tinha apenas 5 anos, e era o 2º de uma família de 4 irmãos e o único homem. Depois que seu pai casou-se novamente, teve mais dois filhos, que foi um casal. E falava com orgulho dos tempos de escola, onde tinha de percorrer cerca de 4 quilômetros a pé para estudar. Cursou todo o Primário e comentou uma curiosidade da época, quando levava-se para a escola pedras no embornal, que eram usadas nas aulas de Matemática, para fazer a Tabuada. “E era um aluno muito aplicado. Lembro do dia que um médico de Ponte Nova, o Dr. José Cota, cunhado de minha professora Ana Maria (Nicota), quando ele comprou um Tinteiro e disse a ela para dá-lo de presente ao seu aluno mais assíduo às aulas e o mais disciplinado. Então, dias depois eu chegava à escola, sem saber de nada, e a Nicota entregou-me o Tinteiro. Fiquei muito feliz naquele dia”, contou com um sorriso no rosto. Aquele fato o marcou para sempre. Ele tinha 12 anos de idade. Disse ainda que sua irmã mais velha não chegou a estudar, e foi atrás do balcão do comércio do avô que ele a ensinou a ler e a escrever.