Gerais - 13 de março de 2018

Por que o

A história é muito simples. E tudo por causa do senhor Geo, do morro e das carroças puxadas por eles, os bravos animais chamados de burros.



Na Monlevade de antigamente, havia um armazém logo após aquele viaduto, que hoje está fechado. E o seu proprietário se chamava Geo, de uma família vinda de Sabará. Também havia uma padaria e o açougue.



As compras dos fregueses - que compravam na caderneta -, saiam de carroça, puxadas por burros. Lá iam os animais levando as encomendas, subindo e descendo a ladeira, que, mineiramente, chama-se de morro. Dai foi um pulo para ganhar o apelido de "o morro do Geo". Isso em razão do nome do proprietário do armazém. Tudo muito simples e também romântico. Mas naquela época ninguém poderia imaginar que o morro ficaria tão famoso e imortal entre os monlevadenses.



No entanto, já nas décadas passadas, o morro do Geo passou a ser ponto de encontro entre as pessoas, que integrava o “Bar do Daniel” às praças do Mercado e do Cinema. Porque era ali, no meio do morro, que tinha um ponto de ônibus. Em frente ao armazém. E na parte de trás ficavam os burros amarrados. E as demais lojas, entre as quais Cobal, Bandeirantes, o açougue, a farmácia de Seu Juventino, Venda de Seu Geraldinho, Barraca do Maroun, a Casa Lotérica de José Geraldo, a Casa Bráz, Casa Maluf, Casa Jaime, Bar Primavera, a barraca de amendoim de Seu Enéias e os mascates que abriam suas velhas malas para vender seus produtos. E a venda do velho Maroun. Bom, até na Delegacia de Polícia havia ali, na praça do Mercado. Depois da curva, por detrás do Emporium", chegava-se ao Grêmio.



Falávamos dos burros, que faziam a cesta após as cansativas viagens. E como o povo do interior é criativo, a caminhada dos burros puxando as carroças cheias de mantimentos, sobre o calçamento de pedra e a subida muito íngreme, acabou levando a um jargão criado pelas próprias pessoas que ali conviviam, servindo de comparação para as coisas impossíveis. “Isso nem o burro do Geo aguenta”; era comum ouvir para exemplificar situações difíceis.



Mas, além do famoso e internacional “morro do Geo”, sugiram outros dois personagens que começaram a fazer parte dessa história: Daniel e Geraldo Pintor. O primeiro era dono do bar, famoso "Bar do Daniel", onde começava o morro do Geo, depois transformado em “Bar e Restaurante Rampas”, de propriedade de Laudelino Fonseca e Antônio Cotta. Ficou na saudade! E o Daniel não tirava os suspensório nem para dormir. O outro, Geraldo Doutor, era uma figura emblemática e popular em João Monlevade, que já tinha a “boca torta” de tanto fumar cachimbo. Não o tirava nem para tomar banho.



Daí juntou-se ao burro, outra forma popular de citar o jargão, falado até hoje pelos monlevadenses da antiga, como o mesmo sentido, ou seja, de se comparar com as coisas quase impossíveis de se realizar, ou seja, para saber que você é monlevadense, quando se encontrar em uma situação complicada de resolver, é só dizer: “Nem o burro do Geo, com o cachimbo de Geraldo Pintor e os suspensole do Daniel, agüenta”…