Marcelo Melo



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Gerais - 14 de março de 2018

Hoje deu vontade de falar do Rampas

Em memória ao garçom Jair "Batuta", falecido no dia 29 de outubro de 2012





Marcelo Melo



Durante as décadas de 1970 e 1980 vivemos uma época de ouro naquele que foi o bar e restaurante mais tradicional da cidade, ali na Rua Siderúrgica, início do morro do Geo. Era o Rampas que, depois de ter sido o Bar do Daniel, transformou-se no point dos monlevadenses, tanto da classe operária quanto da chefia da Usina. Ali não havia

distinção de raça, credo religioso e nem condição social. Bastava não ser chato e respeitar o ambiente, comandado pelo grande senhor Laudelino Fonseca e mais tarde juntamente com seu sócio, o Antônio. Ficaram conhecidos como "Laudelino e Antônio do Rampas".



Tinha meus 18 anos quando comecei a frequentar o bar. Namorava ali na Rua Piracicaba. E tinha de sair da casa pontualmente às 10 da noite. Na época não podia passar nem um minuto a mais do horário estipulado pelos "sogros". Descia direto então para o Rampas. E lá sempre havia vários colegas, entre eles os saudosos Luiz do Cavaco, Zaru e Renato Lage, Gaguinho, Marilton, Lúcio "Escovão", Pauleta, Jader e mais uma turma de gente boa. A grana era curta, mas sempre dava para uma gelada e o Risoto de Frango mais saboroso deste Planeta, que era dividido pela turma.





E quantas vezes não saímos dali a pé, de madrugada, até a Vila Tanque, onde morávamos. Ou até Carneirinhos, para fechar a noite com chave de ouro no bar do saudoso alfaiate Pelé, no início da Getúlio Vargas. Ah, e os garçons do Rampas, quanta saudade! Jair Batuta (In Memorian) e Eli; os apelidos que criavam nas bebidas e nos pratos que eram servidos na Casa (Ler à página 3 nesta edição). Quanta criatividade e bom humor. E saudamos ainda Pelé e Orlando, outros dois garçons que serviam sempre com a maior presteza, e sempre de cara boa, com um sorriso largo. Saudade daquele início do morro do Geo! Pois é, mas o tempo leva tudo. Menos as amizades que ali se fizeram e dos personagens que ali deixaram suas histórias. Como o grande Lauro “Santa Bárbara”.





Não posso deixar de citar dos botequeiros "rampistas" mais famosos que por ali passaram na época em que frequentei o lugar. Os saudosos Laércio “Santa Bárbara” e Pedrosa, personagens históricos do famosos Rampas! E tantos outros personagens que ajudaram a construir a história do Rampas, em suas mesas e no balcão, como os também saudosos Sr. Eduardo Dias e Benhur, ou em frente à grande tela pintada a quatro mãos, pelos artistas plásticos e jogando no time dos artistas do céu, Gerhart Michalick e Márcio Diniz, inspirados na lagoa do Aguapé. E eu me imagino assentado naquela varanda, de frente para as mangueiras da Rua Beira-Rio e do rio Piracicaba, assistindo a tudo e vendo passar pela minha cabeça aquele filme que nunca ficou esquecido em minha memória, de jovem, nos meus vinte e poucos anos! E vivendo a Monlevade de ontem no presente, como se não existisse o passado. O Rampas, os seus personagens... Um cenário inesquecível. Uma Casa que o Sr. Laudelino e Antônio conseguiram deixá-la eternizada em nossas memórias. Amém!





Escrito em outubro de 2012.