Especial - 4 de maio de 2018

Do Salão para a Usina e os Cães Pastores

Como era comum na época para todos os jovens que chegavam a Monlevade, o caminho era entrar para a Belgo-Mineira, e com Sebastião Gualberto não foi diferente. Foi admitido na Usina em 1950, dois anos depois de ter se casado com Carmelita Arcanjo da Costa, que havia conhecida em Alvinópolis, onde ela residia. E o bairro Vila Tanque foi onde residiram por mais tempo, nas ruas 21, 11 e 10. O casal tem seis filhos, e hoje são 14 netos e 8 bisnetos. D. Carmelita faleceu recentemente e foi uma grande companheira e amiga de todas horas, sendo uma mãe exemplar, contou Seu Sebastião.



No entanto, mesmo trabalhando na Belgo-Mineira, ele não deixou o ofício de cabelereiro. Às quintas-feiras durante o período da noite, e aos sábados, tinha um salão no Hotel Casino, que depois foi transferido para o Social Clube. Assim, conseguia conciliar seu serviço na Mecânica, onde trabalhava na Turma do Soc-2, com a tesoura e a navalha. Mas, em 1976 a Turma da Mecânica foi transferida para a Unidade em Sabará, onde trabalhou por mais 5 anos, até se aposentar, em 1981.



Antes desse período, no entanto, Seu Sebastião Gualberto teve outra paixão, que era criar cães pastores alemães. Junto aos amigos Hercílio, Zozoca e outros, entre os anos 1960 até se transferir para Sabará, em 1976, este Grupo fundou em Monlevade um “Núcleo de criadores de Cães Pastores”, e por várias vezes foram premiados em concursos. Entre os cães, havia uma cadela muito especial, como ele cita, saudosista: “O nome dela era Bartira dos Xavantes, e ficou 14 anos comigo. Só faltava falar. Foi várias vezes campeã”. Nesse mesmo período o Grupo de Criadores organizava eventos na cidade e a Polícia Militar de Minas Gerais sempre trazia sus cães pastores para exibição, que eram realizadas no estádio Louis Ensch ou na ACM. Uma época que marcou!



Já aposentado há três décadas, e residindo em Belo Horizonte, no Bairro Santa Inêz, por estas ironias do destino, Sebastião resolveu retornar a João Monlevade, quase 40 anos depois. Foi em 2015, e reside hoje no Bairro Cidade Nova. Voltou, segundo ele, a pedido de um dos filhos, que já residia na cidade.



Durante a nossa prosa, encontravam-se presentes seus amigos dos tempos de Usina, Antônio Heleno e Luiz Cássio (Pinguela), que trabalharam muitos anos juntos nas unidades de Monlevade e Sabará. Entre uma história passada e outra, Sebastião Gualberto lembrou com muito saudosismo dos tempos de antigamente, das serestas em Sabará, e fez questão de citar uma pessoa com quem ele trabalhou durante anos na Belgo-Mineira, e foram muito amigos. E esta pessoa foi meu saudoso pai, seu xará, Sebastião Gomes de Melo, o que deixou-me emocionado. “Era uma grande pessoa. Precisávamos de mais de homens como aquele em Monlevade. Quando estava com raiva, costumava dizer ‘ô caraio’. E a gente morria de rir daquele jeito durão dele, mas muito trabalhador e de um coração enorme”, disse emocionado. E Antônio Heleno e Luiz “Pinguela” concordavam acenando a cabeça, sorrindo. Histórias que ficam e obras que tornam estes homens, imortalizados!







Legendas: Luiz Cássio (Pinguela) toca seu Sax em homenagem ao amigo Sebastião Gualberto, e ainda presente o amigo Antônio Heleno