Gerais - 5 de junho de 2018

A Saga vencida pela Fé e pela Coragem

A Saga vencida pela Fé e pela Coragem

por Marcelo Melo

Nem o mais cético dos homens poderia acreditar que as coisas ocorreriam de uma forma tão avassaladora exatamente na semana que ocorreria o Casamento do meu primogênito Ícaro e de minha nora Raíssa. Tudo tinha de surgir exatamente há cinco dias do Sacramento do Matrimônio, marcado para se realizar no distrito de Lavras Novas, em Ouro Preto, lugar onde tive o privilégio de morar por quase cinco anos. Na abençoada Igreja da Padroeira, a Poderosa Nossa Senhora dos Prazeres. Isso em razão da deflagração da greve dos Caminhoneiros – muito justa, por sinal -, e que viria transformar todo aquele momento mágico, movido pelo amor, em descrença e medo. No entanto, a fé e a coragem foram mais fortes, unidas pelas orações. Uma Saga que começaria após meses de planejamento, preparado com muito esmero e carinho pelos pais da noiva, Aloísio e Letícia, e pela minha ex-esposa e mãe do noivo, Marilene. E, mesmo de longe, acabou envolvendo muito a minha esposa Carla e a mim, obviamente. Um vendaval parecia bater à nossa porta, e as dúvidas permaneciam. Até a possibilidade de adiar o Casamento ou não ter recepção foram cogitados.


Faço agora desta história uma Crônica que, permitiu-me o Criador, poder descrevê-la de uma forma descontraída, sem a emoção a que fomos acometidos durante os últimos dias, pois nos custou muita adrenalina, com os nervos à flor da pele. Quinta-feira, viajamos eu e Carla para Belo Horizonte, e lá chegando o meu filho mais velho deu-me a incumbência de encontrar uma estrada alternativa para que os caminhões que transportariam o material da decoração, as bebidas, o buffet e outros utensílios, de Belo Horizonte a Ouro Preto, pudessem passar sem que fossem barrados pela greve. Não podia falhar. Nem pensar em decepcioná-lo naquele instante. Era seu sonho e da sua amada que estava em jogo. Muita pressão e ainda alguns convidados que poderiam nem ir à Cerimônia pela falta de combustível. Imediatamente entrei em contato telefônico com dois amigos de Lavras Novas, enquanto minha esposa pesquisa um mapa pelo Google, quando acabamos encontrando o trajeto: De Nova Lima a Rodrigo Silva, até chegar à Estrada Real, que liga Ouro Preto a Ouro Branco. Uma antiga ferrovia que passava por ali décadas atrás, entre Engenheiro Correia e Miguel Burnier. A esperança voltava!


Sexta-feira, dia 25. Preparando-me para o Casamento no Civil, realizado em BH, recebo uma mensagem pelo Facebook: “Agradecer depois do milagre é gratidão. Agradecer antes do milagre é Fé”. A segunda em apenas dois dias. Comento com minha esposa. Mais um sinal. Essas coisas que Deus nos manda como um teste, acredito. Pois bem, mas logo depois partimos eu, Carla e o sobrinho Gustavo para Ouro Preto. Mas, antes mesmo de chegarmos à BR-040, recebemos uma ligação de que um caminhão havia sido barrado na estrada, em uma barreira no trevo de Itabirito. Bateu em mim um sentimento de decepção e ódio. Os olhos de Carla eram lágrimas. Imaginava como estavam Ícaro, Raíssa, Aloísio, Letícia e Marilene, ainda sem pegar a estrada. Meus pés não obedeciam ao meu comando; não sabiam se aceleravam ou freavam. De repente paro em um supermercado à beira da rodovia, o “Verde Mar”. De lá entro em contato com meu filho mais velho e seu sogro, quando decidimos entrar no Plano “B”. Outra missão me foi dada. Não perdi tempo e, como diz o ditado de que “quem tem padrinho não fica pagão”, telefonei para alguns amigos em Lavras Novas. Primeiro para Aparecia, minha vizinha de meus tempos residindo no distrito. Prontificou-se a conversar com as amigas “Doninhas e ficaram de preparar um Tropeiro, caso o caminhão do Buffet não conseguisse chegar. Depois para o Alexandre, dono do açougue de Lavras Novas, encomendando a carne para o churrasco. E em seguida para Carlinhos, garantindo a cerveja e as demais bebidas para a recepção. A festa estava garantida (rs).


A chegada a Lavras Novas foi menos tensa. Todos mais relaxados. Os noivos e familiares já haviam chegado e, por essas provações da vida, o caminhão das bebidas havia conseguido passar pela estrada alternativa. Mesmo com o pneu furado. E logo depois o caminhão da decoração, que havia conseguido furar o bloqueio. Faltaria apenas o que transportava o buffet, mas o churrasco com o tropeiro estavam garantidos. No entanto, às 5 horas da manhã de sábado, o caminhão desembarcava no local da recepção. Lembro-me do abraço que ganhei do meu primogênito e de minha nora, ao dar a notícia em primeira mão, por volta das 7 horas.
Após todos os transtornos, aquele 26 de maio foi fantástico e torna-se inesquecível! Tudo ocorreria dentro do que havia sido planejado. E a Cerimônia no Religioso foi uma benção, dirigida pelo Padre Marcelo Santiago, de Ouro Preto. Tudo perfeito, graças a Deus, porque a fé e a coragem foram essenciais nesta Saga. E pelo poder de Nossa Senhora dos Prazeres, em sua Madre-Igreja, que a todo momento nos protegeu, através das orações das famílias, dos amigos e da positividade daquela Comunidade, que tão bem nos acolheu. Não havia lugar melhor para este Sacramento! E ali, na Pousada “Caminho de Lavras”, sob o mar de montanhas destas Minas Gerais, aos pés da Serra do Buieié - também conhecida como Serra do Trovão -, em um cenário fantástico, festejou-se uma abençoada e linda união movida pelo amor, entre Ícaro e Raíssa. E que sejam felizes e Deus os ilumine!


Obrigado a Deus, obrigado ao Aloísio e Letícia, obrigado à Marilene, obrigado à minha esposa Carla, obrigado ao meu filho caçula Arthur, aos meus irmãos e familiares. Aos amigos dos meus filhos e aos familiares e amigos da noiva. Deus abençoe a todos!