Especial - 5 de junho de 2018

NOSSA TERRA NOSSA GENTE

ILUSTRADO DESCENDENTE DE JEAN DE MONLEVADE

Diretor da Faculdade de Educação da Funcec, participei em 1996, do I Congresso Nacional de Educação, no Campus da UFMG quando, circulando pelos corredores, ocorreu-me passar defronte uma sala em cuja porta se anunciava conferência do Prof. João Antônio Cabral de Monlevade.

Conquanto naquela época não me passasse ainda pela cabeça fazer incursões pela história de minha cidade, não me passou despercebido aquele nome tão familiar: no intervalo, procurei o professor e, apresentando-me como monlevadense, conversamos rapidamente, tendo-me ele informado com simplicidade que era um dos trinetos de Jean Antoine Félix Dissandes de Monlevade. Foi um primeiro contato. Posteriormente, lá pelo ano 2000, tive o prazer de tê-lo como professor de Políticas Educacionais, no último período do curso de pós-graduação em Gestão de Sistemas Educacionais, na Puc-Mg. Nessa condição, além de mim, mais duas monlevadenses cursavam a mesma especialização: Alda Fernandes, Diretora da Escola do Bairro Promorar e Elisete Stoppa, técnica da Secretaria Municipal de Educação. Durante o curso, não poucas vezes, nos intervalos das aulas, conversávamos sobre nossa realidade educacional, pelo que se sentiu vivamente interessado em conhecer a cidade a quem seu ilustre antepassado legara o nome.

Algum tempo depois, a Secretaria Municipal de Educação convidou-o para participar como conferencista em curso de treinamento de professores da rede municipal de ensino. Naquela ocasião, foi-lhe propiciada uma visita ás instalações da Usina de Monlevade, sendo-lhe servido um lauto almoço nas dependências do Solar Monlevade, fazendo-se o competente registro fotográfico da visita ao Solar. (Foto 1)

Fazendo abstração do fato de Jean de Monlevade dever sua origem a dois conceituados troncos da nobreza francesa – os Dissandes e os Monlevade – o que por si só alimenta nas pessoas certo fascínio, vale ressaltar que igual veneração nutrimos por aqueles que, independente da nobreza de sua origem, estão nas raízes de nossa história, na gênese de nossa civilização. Tudo isso explica o interesse suscitado nos monlevadenses, em conhecer aspectos da vida e da trajetória de Jean de Monlevade - pioneiro da siderurgia no Brasil - sobretudo nesse tempo de celebração do Bicentenário de sua chegada ao Brasil e à nossa região.

Encontrar e conversar com um descendente de Jean de Monlevade na situação acima descrita – no âmbito de uma universidade e em condição de produção de conhecimento – teve para mim um especial encanto. Meio que surpreso, pois não tinha ainda maiores informações sobre a descendência de Jean de Monlevade, reportei-me à única referência de que dispunha na época, o livro “Monlevade, Vida e Obra”, de Juliana Nascimento Passos. Naquela obra, publicada em 1973, a autora dizia que, “pela linha de Dona Mariana (filha de Jean de Monlevade) extinguia-se o nome Monlevade”. “Da parte de João Pascoal – continua a autora - a família cresceu: Joãozinho Monlevade, como era chamado para diferenciar-se do pai, casou-se com a sua prima Mariana Paes Leme. Tiveram dois filhos: João Paes Leme Monlevade, que morreu no Rio de Janeiro, onde fora estudar Medicina, vítima da febre amarela; o segundo filho, Francisco Paes Leme de Monlevade, engenheiro de sólida formação, dará continuidade à obra do avô e ao nome da família, representado hoje, no estado de São Paulo, pela família Monlevade-Tomanik.” É bem verdade que a autora registrou também o relacionamento de João Pascoal com Dona Ana Casemira Pimenta de Figueiredo, conhecida como Saninha do Baú, com descendentes conhecidos, residindo muitos deles em nossa cidade. Mais não poderia informar, pois a obra é de 1973, e não foi atualizada. Além disso, ela não objetivava traçar a genealogia da família Monlevade.

Agora, ao ensejo da criação do Dia de João Monlevade, a ser comemorado anualmente em 14 de maio, decretado como marco histórico inicial do município de João Monlevade, valorizando-se a saga de pioneirismo e empreendedorismo evocada pela figura ímpar de Jean de Monlevade, aprouve-me pesquisar também a sua genealogia, e faço-o resgatando a figura do professor acima citado, que considero um dos mais ilustres e ilustrados descendentes vivos do patrono de nossa cidade. (foto 2)

Motivado por mim, em correspondência a ele dirigida, ele mesmo se apresenta:

“1. A genealogia de meu trisavô, Jean Antoine Félix Dissandes de Monlevade, se encontra registrada desde as primeiras décadas do século XX, quando eram crianças em Jundiaí, onde nasceram, meu pai - Luiz Paes Leme de Monlevade - e minha tia Lúcia Paes Leme de Monlevade (depois Lúcia Monlevade Tomanik, por casamento com Ernesto Tomanik) numa publicação chamada GENEALOGIA PAULISTANA. Nesse livro se encontram outras preciosas informações sobre os ascendentes de ambos.

2. Meu pai, nascido em Jundiaí em 18 de março de 1899 e falecido em 5 de julho de 1973, casou-se em 8 de dezembro de 1941 com Alda Macedo Cabral (que se passou a chamar Alda Cabral de Monlevade), Sou o primeiro filho - João Antônio Cabral de Monlevade, nascido aos 11 de outubro de 1942. De meu casamento, realizado em Poxoréo, MT, em 30 de setembro de 1978, com Juracy Rosa Ramos de Monlevade, nasceram meus filhos Angelo Henrique Ramos de Monlevade e Danilo Ramos de Monlevade, ambos hoje residentes em Cuiabá, MT. São meu irmão e irmã, residentes em São Paulo: Luiz Henrique Cabral de Monlevade e Sylvia Maria Monlevade Calmon de Britto.”


A partir de tais informações, percebe-se que o conceituado professor é bisneto de João Pascoal de Monlevade e neto de Francisco Paes Leme Monlevade, acima citado pela autora de “Monlevade Vida e Obra”. De posse de tais informações, coligi outras que registro neste artigo, abrindo uma linha de pesquisa para os leitores e outras pessoas interessadas em conhecer a descendência de Jean de Monlevade.

João Cabral de Monlevade é licenciado em Filosofia, bacharel em Sociologia, mestre e doutor em Educação pela Universidade de Campinas e atuou como professor nos níveis fundamental e médio, como professor da Universidade Federal de Mato Grosso, diretor do Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público do Mato Grosso, membro do Conselho Nacional de Educação, entre 1996 a 2000. Escreveu 13 livros, um deles denominado “Treze Lições de como fazer-se Educador no Brasil” (Ideia, 2000). Além de consultor no Ministério da Educação, exerce desde 2002 a função de Consultor Legislativo do Senado Federal. No MEC, executa ainda trabalho voluntário, cooperando no curso Profuncionário que cuida da formação em serviço dos funcionários.

Fica aí o registro da vida e trajetória do conceituado professor João Antônio Cabral de Monlevade que engrandece a descendência de Jean de Monlevade.



Legenda:

Foto Prof. João Antônio Cabral de Monlevade visita o Solar Monlevade em 2000. Recebido por Gérson Meneses, Luzia Fraga, João Carlos, fez-se acompanhar de profissionais da educação do município.