Professor Dadinho


IGREJA DE SÃO JOSÉ OPERÁRIO: UM TEMPLO HISTÓRICO (II)


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Especial - 3 de julho de 2018

NOSSA TERRA NOSSA GENTE

Professor Dadinho


IGREJA DE SÃO JOSÉ OPERÁRIO: UM TEMPLO HISTÓRICO (II)


Retomo nesta edição, conforme anunciei em crônica anterior, a apresentação e comentários sobre álbum publicado em 1945, alusivo à construção da Igreja de São José Operário, contendo versos do Padre Pedro Sarneel, dedicado e oferecido aos operários de João Monlevade, pelo então Arcebispo de Mariana, Dom Helvécio Gomes de Oliveira. Tendo mostrado, em edição anterior, a dedicatória que inicia o álbum, apresento hoje o texto contido em seu frontispício, ou seja, na estampa colocada na face da folha de rosto, por ser bastante significativo, e alinho em seguida mais duas páginas: uma, contendo informações sobre seu tema e seus autores; outra, com registro da inscrição da primeira lápide (pedra fundamental).


I – Frontispício do álbum
Texto latino: Tua est, Domine, gloria, atque victoria et tibi laus. Frontis libelli descriptio: frons hujus libelli gloriosum exhibet signum Christi Triumphantis. Lineis caeruleis et argenteis nationes simulantur omnes. Littera “V” prima est verbi latini “Victoria”. Littera “X” graece prima est nominis “Christi”. Latina graecam strictim involvente litteram et utraque per omnes líneas ducta pulchre significatur Christus qui “Via Veritas et Vita” totum per orbem terrarum vincit regnat imperat.
Texto traduzido: A Ti somente, Senhor, louvores, glória e vitória. Explicação do frontispício do álbum: o frontispício deste álbum ostenta o glorioso monograma de Cristo Triunfante. Os traços em azul e prata simbolizam todas as nações. A letra “V” é, no latim, a primeira da palavra “Vitória”. A letra “X” é, no grego, a primeira do nome de “Cristo”. A letra latina, envolvendo estreitamente a grega em toda a extensão do campo linear, constitui um perfeito emblema de Cristo que, sendo Via, Verdade e Vida, por toda a extensão do orbe, vence, reina, impera.

, reina, impera.
Comentário: Esta página bem como todas as outras do álbum são construídas da mesma forma e lembram, na sua configuração, lápides fundidas e preparadas para serem chumbadas em paredes. A frase que inicia o texto, na verdade, está dividida em duas metades, que o emolduram no alto da página e no rodapé da mesma, como se fossem as duas molduras, superior e inferior, daquela página. No caso, a frase que encima esta primeira “lápide” reproduz citação bíblica (1Cr 29, 11) que nos remete a uma oração de louvor e agradecimento que o rei Davi dirigiu a Deus após uma bem sucedida campanha para auferir a doação de materiais que seriam empregados na construção do Templo. Infelizmente a versão que tenho em mãos não contém a ilustração do mencionado monograma em azul e prata descrito no texto. De toda a forma, os versos lembram a universalidade da salvação trazida por Cristo, e o poder, honra e glória que lhe são atribuídos. De resto, vale ressaltar que o autor se inspirou no formato de nossa Igreja, a letra V – simbolizando Via, Verdade e Vida - na concepção original do arquiteto Yaro Burian.


II - Informações sobre o autor, o tradutor e o teor da obra
Texto latino: Domine, dilexi decorem domus tuae. Ecclesiae Monlevadensis in muris haec carmina sacra docta manu sculpta semper auspice Exmo ac Revmo Domino Helvetio Gomes de Oliveira Archipraesule Mariannae in Seminario Clericorum latine condidit Petrus Sarnelius et in linguam vernaculam vertit Josephus Ferreira Gomes artis sacrae qua non est altera splendidior ambo laudes praedicantes Congregationis Missionis sacerdotes ambo. Anno Domini MCMXLIV
Texto traduzido: Deslumbra-me, Senhor, de tua casa o esplendor. Sob o patrocínio incessante do Exmo e Revmo Sr Arcebispo de Mariana, Dom Helvécio Gomes de Oliveira, foram gravadas as presentes inscrições, por obra de peritos, em partes da estrutura da novel Igreja de Monlevade, constando de versos latinos, na arte sacra que de todas é a suma inspirados, e para enaltecer-lhe os louvores, compostos por Pedro Sarneel no Seminário Eclesiástico de Mariana, e para o vernáculo vertidos por José Ferreira Gomes, ambos sacerdotes da Congregação da Missão, na era da Graça de 1944.
Comentário: A citação que emoldura a “lápide” e ilustra o texto é um recorte do versículo 8, do salmo 26: Senhor, gosto da casa onde moras e do lugar onde reside tua glória. Composto pelo rei Davi, o verso retrata a alegria e a satisfação vividas pelo fiel quando entra no templo, na casa do Senhor. Embora sua tradução se apresente como um texto um pouco complexo, percebe-se que os versos latinos exaltam a figura de Dom Helvécio, patrocinador da escritura e da gravação das inscrições latinas concebidas por Pedro Sarneel (autor) e José Ferreira Gomes (tradutor), padres professores no Seminário de Mariana. Enaltecem também a beleza da arte sacra, a mais esplendorosa de todas. Revelam ainda o ano da composição do texto: 1944.


III – Inscrição da Primeira Pedra
Texto latino: Lapides pretiosi omnes muri tui. Primarii lapidis inscriptio. Ferrum qui ducunt hic primum me posuerunt. Praesulis Helvetii fausta precante manu ut lapis obscura teritur ferrugine nunquam sic manet illorum tempus in omne fides. Pro Patria ferrum / Pro Christo templa creare / Gloria non tenuis / Non tenuisque labor
Texto Traduzido: Preciosas são as pedras todas que compõem os muros teus. Inscrição na primeira pedra. Aqueles que forjam o ferro como primeira pedra aqui me colocaram, enquanto o prelado Helvécio, de mão alçada, lançava bênçãos. Assim como o negror e a fuligem da ferrugem não podem corroer a pedra, assim também permanece coesa como o granito e indestrutível como o ferro a fé daqueles que me esconderam na terra. Fundir ferro para a Pátria / Levantar igrejas para Cristo / Nem pequena é a glória / Nem menor o labor.
Comentário: Abre o texto um pequeno trecho recortado da 8ª leitura do Ofício Divino da celebração litúrgica da dedicação de uma Igreja, conforme o ritual católico, reportando o fato de que tais pedras compõem a construção de um templo, no caso, a Igreja de São José Operário. Em seguida relembra a participação dos operários metalúrgicos na construção do Templo, e do Bispo Helvécio que o abençoou. E acrescenta que sua fé é tão firme como o granito da pedra e tão resistente como o ferro. Os versos finais ressaltam que é tão nobre a tarefa de construir um templo quanto a de fundir o ferro, pois ambas encerram igual esforço e glória. Neste sentido, a pedra fundamental do Templo é síntese e símbolo de uma empreitada marcada pela fé e pelo desenvolvimento social.