Afonso Torres da Silva



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Opinião - 3 de julho de 2018

Ser Monlevadense

Afonso Torres da Silva



Estabelecido no Solar, João Antônio Felix Dissandes Monlevade administrava sua Fábrica de Ferro Monlevade e assim assinava suas cartas e seus documentos, como podemos constatar nos arquivos hoje pertencentes à Arcelor-Mittal. O mesmo se dá com a correspondência de seu filho João Paschoal e prossegue com o neto Francisco Paes Leme Monlevade, durante o período em que administrou as Forjas de seu avô, então patrimônio da Companhia de Forjas e Estaleiros do Rio de Janeiro, ou seja, há dois centenários este sítio se registra como MONLEVADE e esses foram, por conseguinte, os primeiros MONLEVADENSES.

Quando da aquisição da Usina Monlevade efetuada pelo luxemburguês Gaston Barbanson foi para aqui enviado, já em 1921, o engenheiro agrônomo luxemburguês Edouard Luja, com o intuito de realizar as primeiras experiências de plantio de eucalipto, que, graças ao seu rápido crescimento, poderia suprir a total ausência de carvão mineral, largamente utilizado na siderurgia europeia, substituindo-o pelo carvão vegetal.

Edouard Luja era um autêntico cientista e, também, escritor de mérito. Qualidades estas confirmadas em seu “Relatório de Viagem ao Brasil”, publicado em 1952 pelo “Bulletin de la Societé des Naturalistes Luxemburgeois". Este Relatório foi traduzido por outro engenheiro agrônomo, Laércio Osse, que deu prosseguimento ao trabalho do Luja no plantio de eucaliptos, e foi publicado no Jornal “ O PIONEIRO” a partir do nº 94, ano V, setembro de 1959.

Curioso, observador objetivo, com senso pitoresco e convivendo com os últimos remanescentes da Fábrica de Ferro Monlevade, Luja se torna o nosso primeiro historiador.

Louis Ensch, enquanto administrador da C.S.B.M., não mediu esforços para adquirir documentos referentes ao nosso Pioneiro; a maioria pertencente à família Gomes Freitas e esse tesouro ficou restrito ao patrimônio da Belgo-Mineira durante muitos anos. A gente não tinha acesso a eles e isso gerou um descaso ocasional, rompido aqui e ali por algumas professoras mais interessadas.

Nilton de Souza, o “Tim”, se tornou um apaixonado por nossa história. Apesar de nascido em Dom Silvério, pode-se dizer que ele sempre foi um “monlevadense da gema” dado o seu empenho em resgatar nosso passado: esteve à frente das pesquisas sobre as origens da C.S.B.M., incluindo levantamento, restauração e montagem de peças que hoje compõem o “abandonado” Museu Histórico da Usina, organizado pelo Sr. Virgílio Pastorini.

Este trabalho do Tim deu origem a uma palestra montada e proferida pelo mesmo durante os anos oitenta. Professor, escritor, pintor e historiador, Tim continua sendo uma referencia para quem se interessa por nossa história e cultura. Em seus inúmeros “Causos” e crônicas, Nilton de Souza sempre louvou os grandes nomes da cidade. Monlevadenses que, como ele, no mais das vezes, não eram daqui naturais.

Em uma entrevista concedida ao jornal “Prezado Senhor”, ano I, nº 19, de 14 de junho de 1988, pag. 6, Tim define o monlevadense: “O monlevadense é um indivíduo com visão cosmopolita, uma mistura de tempo, raça e lugar. Eu diria que o monlevadense, como cidadão político, tem 24 anos. Como cidadão profissional, ele teria duas idades: uns 52 anos de Belgo-Mineira e uns 90 anos de Forjas e Estaleiros. E teria uns 170 anos de João Monlevade propriamente dita. Nesta soma de valores numéricos, ele teria a experiência do francês, do português, do suíço, do americano e, mais tarde, do luxemburguês, do belga, do alemão e de toda espécie de raça. Quer dizer, ele é cosmopolita. Querendo ou não, ele entra nesse contexto. Ele é contextualizado na universalidade. E, por incrível que pareça, ele dificilmente se conscientiza de que é monlevadense. Ele sempre está aqui esperando uma oportunidade de ir, ou pra sua terra, para a terra de seus pais ou avós, ou para terras novas. Parece que ele não se fixa e esse é um dos problemas sérios de Monlevade. Não diria que isso é uma sociologia, diria que é uma pirraça própria de sua formação histórica”.

Basta ajustar os números e esta fala continua atual, aliás, como toda a entrevista. Fica aqui um tributo a este MONLEVADENSE que, como poucos, sempre soube amar esta Terra e os seus. Obrigado, Nilton de Souza! Obrigado Tim-Mirim, Tim-Gorim, “Marco Aurélio”, “Fausto”, “Heleno”... GRATIDÃO.

Nos tempos dos torneios de futebol de salão entre ruas!

Anos 1960 e o futebol de salão era um dos esportes mais praticados em João Monlevade. Além do boom que tomava conta do Grêmio Esportivo Monlevadense, dali o esporte se expandiu para fora do Clube e ganhou as ruas da cidade antiga. Assim nasceu a rivalidade entre elas e constantemente eram realizados torneios entre as ruas. Os jogos geralmente aconteciam nas quadras do próprio Grêmio e levavam um grande público.



Para registrar aqueles momentos inesquecíveis de quem vivenciou, vai aqui uma fotografia daquele tempo, e que dedico ao amigo Onésimo Marcelo Rodrigues, popular “Nem”, grande artista plástico. Na foto, uma rivalidade que marcou época entre os times de futebol de salão das ruas Tamoios e Tieté. Em pé, o time da Tamoios, onde aparecem, da esquerda para a direita: Jésus Godelo (Técnico), Totó Macêdo, Lucinho, Zé Luiz, Zeca, Décio, Madeira, Luiz Marques, Delane.



Agachados, na mesma ordem, a equipe do Tieté: Tatá Eliezer, Mauro Cardozo, Lúcio, Nem, Sérgio Machado, Nilton Celino, Toninho Melecano e Zildo Pitoco. O placar deste jogo meu amigo “Nem” não soube informar, mas se emocionou só de falar desta fotografia.