Gerais - 4 de setembro de 2018

Um caso ocorrido no “Kibs Bar”: O Antônio Gonçalves foi um ótimo prefeito. Mas aquele Pirraça...

Marcelo Melo





Há resenhas que só acontecem numa mesa de bar. E esta que iremos relatar foi simplesmente hilária e se tornou um caso folclórico. Diante das circunstâncias em que ocorreram, nos bons tempos do Bar do Marquinho, o “Kibs Bar”, ali na Castelo Branco, Bairro República. Era uma noite de semana qualquer e lá estava a “Turma dos Corneteiros” reunidos, sempre fieis ao Kibs. Hoje chamaríamos de “Os Kibiseiros” (rs). Aliás, um barzinho que deixa muita saudade. Sem desmerecer qualquer outro, e como bom botequeiro que sou, ali era um lugar especial para tomar uma cerveja gelada, saborear um bom tira-gosto e ainda ter gente “cabeça” para uma boa prosa. E, por incrível que pareça, “Mala” era um artigo raro de encontrar naquele estabelecimento. Mas vamos ao fato.



O ano era o de 2000, semanas após as eleições municipais de outubro, quando o radialista Carlos Moreira havia sido eleito prefeito de João Monlevade, após uma vitória de 1600 votos sobre o petista Dr. Laércio Ribeiro. Portanto, o assunto que imperava nos botecos e bares da vida era a política. E assim ocorreu também no Kibs Bar.



Alguns fregueses no balcão e outros nas mesas espalhadas pelo calçadão. Aliás, era calçadão mesmo, onde era respeitado os 3 metros de espaço para os pedestres, não como hoje, onde os bares e restaurantes da Castelo Branco mandaram os pedestres todos para as ruas e tomaram conta das calçadas. Mas isto é assunto para outra pauta! Ne que, de repente, entra um sujeito, filho do saudoso “Cafezinho” da Prefeitura, também conhecido pelo apelido do pai e que trabalhava na Codismaq, também falecido, e se achega no balcão. Bom de conversa, daqueles que raramente chegava ao Kibs, ou seja, o famoso artigo raro, o “Mala”, e foi mandando sua resenha. Até que entram no papo da política, de quem governou João Monlevade etc. E, entre os clientes que se encontravam do lado de fora, estava um ex-prefeito, o professor Antônio Gonçalves, carinhosamente apelidado de “Pirraça”, que não participava da conversa vinda do balcão. O Marquinho, como sempre, ouvinte, mas vez ou outra dava seus pitacos, porque era, além de carismático, um boa praça e com sua afinadíssima presença de espírito.



E a prosa prosseguia enquanto alguns já estavam com os ânimos mais acirrados em razão da “marvada” cangibrina, gesticulam, falavam mais alto. De repente, na famosa “pesquisa de balcão”, começa a resenha de quem foi o pior e o melhor prefeito de Monlevade. Uns defendendo Bio, outros defendem Antônio Gonçalves e alguns saem em defesa do Dr. Lúcio Flávio. Até que, em voz alta, o “Cafezinho”, que já estava literalmente “mamado”, dá sua réplica após ouvir um freguês sair em defesa do ex-prefeito “Pirraça”: - “Você defendendo este cara! Deve estar doido. Ele foi o pior prefeito que já teve aqui em Monlevade e dizem que não fez nada pela cidade. Muito me admira você defender este tal de Pirraça”. De repente, um silêncio, até que Marquinho, que não perde a piada, já sabedor de que o autor das palavras não estava muito ciente do que comentava, questiona: - “O Pirraça, para você, foi um péssimo prefeito. Mas, o que tem a dizer então sobre o Antônio Gonçalves”? Ne que vem a tréplica do “Cafezinho”: - “Ah, este sim. O Sr. Antônio Gonçalves foi o melhor prefeito que Monlevade já teve. Homem honesto e que muito fez pela educação. Construiu várias escolas etc”... Não teve quem não caísse na gargalhada naquele instante e, olhando para o lado de Seu Antônio, assentado na calçada, Marquinho bate levemente no ombro do freguês e diz: - “Uai, Cafezinho. Antônio Gonçalves e Pirraça são a mesma pessoa. Olha ele ali na mesa”. Euforia geral e o Seu Antônio, que já não tem desde aquela época os ouvidos antenados, vendo todo mundo que se encontrava no bar olhando pra ele e rindo, ficou simplesmente sem saber do que se tratava, e com um olhar cínico levantou-se da cadeira e foi perguntando, ao seu estilo de gozador, brincalhão: - “O que tá acontecendo aqui? Estão me achando bonito, ora. Eu sou é macho”! Mais gargalhadas!



Minutos depois, após a história ter sido relatada ao ex-prefeito, que é de paz, e o protagonista do mico, todo sem graça, lá estavam “Pirraça” e “Cafezinho” tomando uma cerveja, conversando e trocando ideais no balcão, acompanhados pelos outros “butequeiros”; tudo resolvido e um brinde à política e às amizades. Afinal, o “Cafezinho” (pai) era um grande amigo de Seu Antônio, onde trabalhou nos dois mandatos com o ex-prefeito, quando era chefe do Setor de Pessoal da Prefeitura (hoje o RH). Assim ficou conhecida esta história, de que “o Antônio Gonçalves foi um ótimo prefeito. Mas aquele Pirraça”...