Especial - 4 de setembro de 2018

Dona Adelma: a Esposa do desbravador Manoel

Também presente durante a nossa boa prosa na sala da casa de Seu Marinho, a senhora Adelma Mendes, sua cunhada, viúva do Manoel, o desbravador que primeiro chegou a João Monlevade e foi o responsável pela vinda dos outros irmãos e de sua mãe para a cidade. Residente no Bairro São Jorge, também é natural de Barra Longa e completou 103 anos de idade em maio último. Nasceu em 1915. Tem seis filhos estava acompanhada de uma delas, a Georgeta. Muito simpática, Dona Adelma é muito conhecida pelos vizinhos e pelas pessoas que frequentam a Igreja. Afinal, é uma Católica fervorosa e até pouco tempo ia à missa sozinha, religiosamente, quase que diariamente. E faz parte do Apostolado da Oração e de uma fé imensurável. Como disse a filha, ela é muito devota do Padre José de Anchieta que, por essas providências, é conterrâneo do seu avô.
Sobre a vinda do seu esposo para João Monlevade, na década de 1940, Dona Adelma disse se lembrar das palavras que ele falou ao lhe perguntar para onde iria. “Ele olhou paa mim e respondeu: - “Vou até onde Nossa Senhora da Conceição me mandar”. E acabou chegando aqui. Já a filha Georgeta contou com riqueza de detalhes sobre o caso, que mais parece uma aventura. “Impressionante como o pessoal tinha coragem naquela época. Ele veio a pé de Barra Longa até Rio Piracicaba. Depois pegou uma Jardineira até Monlevade. Conseguiu emprego na Belgo-Mineira, através do Sr. Zé Silva, que era maestro do Coral Pio X e também seresteiro. Como meu pai também era músico, e tocava Sax e Clarinete, foi até mais fácil conseguir ser admitido na Usina. Depois de alguns meses fichado, voltou para buscar mãe, que estava grávida. O incrível é que, ao contar a história para a sogra dela, que já era viúva, a nossa vó Georgeta se sensibilizou com a situação e, para não deixá-la vir sozinha para um lugar estranho, resolveu acompanhar a nora. E logo em seguida vieram os outros irmãos e aqui ficaram”.
Esta é a história de pessoas comuns, bem próximas de nós, mas que às vezes se confunde com a de retirantes, que deixam suas terras em busca de uma vida mais digna, menos sacrificada e mais farta. E graças a eles, esta gente simples, justas, religiosas, que podemos sonhar com dias melhores e mais paz entre o povo! Obrigado ao Seu Marinho e à Dona Adelma pelos exemplos!