A incrível história do Sr Fábio; o homem que já esteve “morto”!

Um homem simples, tranquilo e, como todo bom mineiro, desconfiado. Vivi sua vida pacata. Um pouco debilitado com alguns problemas de saúde, sai pouco de casa, mas ainda é apaixonado pelo seu violão e cavaquinho, instrumentos que sempre dominou com maestria, em suas cordas de aço. Uma pessoa comum, mas que tem uma história fantástica e que chegou a ser relatada no livro “Entradas e Bandeiras, escrito por Fernando Gabeira no início dos anos 1980, tão logo retornou do exílio, e que falava de seu contato novamente com o Brasil e seu povo.

  Estamos falando do Sr. Fábio Francisco Rosa, 73 anos e há mais de 50 residindo em Lavras Novas, distrito de Ouro Preto. Viúvo da Dona Vera Lessa, com quem viveu casado cerca de 40 anos, não tiverem filhos. Hoje ele mora com a cunhada, Dona Prosperina Lessa, e seus sobrinhos, que sempre foram sua família, e onde é muito bem cuidado.

  Estive com Seu Fábio na manhã de sábado, dia 15 passado, sob um caramanchão vizinho à sua residência na loja de artesanato da Mirna e do Gerson, ali na Rua Nossa Senhora dos Prazeres. E ouvir a sua história foi como assistir a um filme dramático com uma boa pitada de humor. De fala mansa, ele relatou com riqueza de detalhes o que ocorreu em 1962, quando trabalhava na construção civil e residia em Ouro Preto: -“Eu tinha 20 anos e era amante de uma mulher mais velha, conhecida como Maria “Gasolina”. Ela devia ter uns 35 anos. A gente morava junto, mas era muito ciumenta, até que um dia decidiu me envenenar. Estava em casa e me serviu um copo de Guaraná, onde tinha colocado formicida. Logo que tomei, cai ao chão desfalecido e fui levado para o Hospital. Ela mesmo que me levou, pois ninguém iria desconfiar que havia me envenenado. Sei que, quando cheguei, já estava morto e o óbito foi assinado pelo Dr. Benedito, antigo em Ouro Preto”. Demos uma pausa na conversa, porque ainda estava um tanto perplexo de estar entrevistando uma pessoa que já teve uma certidão de óbito, e acabou saindo um sorriso, mesmo que tímido. E o perguntei se falar sobre o assunto o incomodava, quando ele fez um sinal negativo com a cabeça de que não, e respondeu com uma dose de orgulho: “De jeito nenhum. Até o Fernando Gabeira já me entrevistou sobre minha morte, quando fez o livro Entradas e Bandeiras. Na época de nossa conversa, eu trabalhava na estrada real, dando manutenção”.

A correria das pessoas quando Seu Fábio se levantou do caixão

  Continuando a prosa, ele fala da parte mais interessante de sua “morte”, que foi o momento em que se levantou do caixão, horas antes de ser sepultado. Segundo ele, o corpo era velado na parte de baixo da Igreja Nossa Senhora do Carmo, localizado ao lado do Museu da Inconfidência, onde tudo aconteceu. Na época, era comum o enterro somente ser realizado 24 horas após a morte, o que foi a salvação do ainda jovem Fábio Francisco Rosa. “Era de manhã quando tudo aconteceu. Muita gente presente ao velório e fazia 20 horas que estava no caixão. Faltavam quatro horas para o enterro, quando comecei a recuperar minha consicência. Lembro-me que estava me sentindo esquisito. E, ao acordar, sei que me vi dentro do caixão, aberto, quando me levantei dali e sai andando. Foi uma correria danada,com muita gente chegando a cair ao chão. Outras gritando. Sei que o susto de todos foi tão grande que chegaram a quebrar o portão de ferro que ficava na Igreja. E dali em diante minha vida mudou completamente, pois todo mundo tinha medo de mim”.

  E parece ter mudado mesmo. Órfão de pai e mãe, Fábio morou sozinho por mais de seis meses, fazendo um bico ali e outro aqui para sobreviver. Ele fala que todos o evitavam nas ruas de Ouro Preto, mas não tem qualquer mágoa. “Chegava ao açougue ou numa mercearia para comprar alguma coisa e as pessoas se afastavam de mim. Tanto os donos como os clientes. Tinham medo de mim, afinal eu tinha morrido, e isso durou muito tempo”, disse ele. E tudo começou a mudar para melhor quando conheceu sua futura esposa, Vera Lessa, de Lavras Novas, com quem se casou cinco anos após o episódio de sua “morte”, o que mudou sua vida e veio residir definitivamente no distrito. E, entre tantos casos ocorridos com ele, mesmo anos depois do fato, alguns que chegaram a virar anedotas, ele relatou um que ocorreu em Santo Antônio do Salto, distrito próximo a Lavras Novas, durante uma festa religiosa. Ele passeava com a esposa Vera, quando foram surpreendidos pelo saudoso Padre Veloso, que celebrava no Salto. Nesse instante, contou sorrindo Seu Fábio: – “O Padre Veloso chegou pra minha dona e foi dizendo para ela tomar cuidado porque já havia feito a exumação de meu corpo. Mas foi só uma brincadeira e saímos dali dando boas risadas”.

  Pois é, mas esta é a história, fato, e não causo. E, segundo explica a Medicina, uma doença chamada Catalepsia, e conhecida também como “morte aparente”, porque o paciente jaz inerte, como que mumificado, sem movimentos e com as funções vitais significativamente reduzidas.

*Matéria Publicada na edição de nº 02 do jornal “O Lavrasnovense”, de agosto/2015!

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