Pedro “Rabicó”: Um homem que deixou sua história em Lavras Novas!

Matéria publicada no Jornal “O Lavrasnovense”, periódico que fundei em Lavras Novas durante o período que lá morei, de 2013 a 2017.

O caçula de seis irmãos, filho de José Fernandes Marins e de Miquelina Alves Viana. Nasceu no Inverno do ano de 1906, em 16 de agosto, na velha Novas Lavras e que depois passou a se chamar Lavras Novas. Casou-se com Dona Benvinda Fernandes Marins, com quem teve nove filhos, entre eles Antônio Fernandes Marins, popular “Chicletes”, sanfoneiro do lugar, e da Dona Maria Fernandes Marins, mais conhecida como Maria “Caneca”, e que hoje reside à Rua Nossa Senhora dos Prazeres, nº 597, onde viveram seus pais. Outros dois filhos vivos, Conceição Fernandes Marins e José Batista Fernandes Marins, residem fora de Lavras Novas.

O Grande Sacristão

 Pedro Fernandes, que depois passou a ser conhecido por Pedro “Rabicó” – cujo apelido foi dado por colegas da antiga Eletroquímica Brasileira, onde começou a trabalhar, e o onde aposentou-se após 35 anos de serviço, pela Aluminas (Alcan), em 1966 – era o famoso “pau pra toda obra”. Mas, sua vida sempre esteve ligada á Igreja e foi ali que se destacou como o Sacristão mais famoso de toda região de Ouro Preto. Tanto que Pedro Rabicó se tornou quase uma lenda viva, tendo atuado por mais de 60 anos como Sacristão e Zelador da Igreja Nossa Senhora dos Prazeres, em Lavras Novas. Tanto que, pelo seu trabalho, foi condecorado com o Diploma de Honra ao Mérito, concedido pela Prefeitura Municipal de Ouro Preto, exatamente no dia que completava 74 anos de idade, em 16 de agosto de 1980. O documento, bem guardado na casa da filha Maria “Caneca”, leva a assinatura do então prefeito Alberto Carau, do secretário municipal de Turismo e Cultura, Ângelo Oswaldo de Araújo Santos, e do então Pároco da Paróquia Antônio Dias, Padre Francisco Barroso, e que hoje é o A nossa história é sobre o popular, figura folclórica e respeitada em toda região, sempre lembrado pelos nativos e por aqueles que o conheceram, Sr. Pedro Fernandes Marins, o Pedro “Rabicó”, falecido em 5 de dezembro de 1980. E, como diz o dito popular, de que “o homem, a obra o imortaliza”, este se tornou imortal pelo que plantou neste Distrito. E quem contou um pouco de seu legado foi justamente o filho “Chicletes”, que hoje reside ao lado da casa onde nasceu seu pai, também na rua que leva o nome da Padroeira, Nossa Senhora dos Prazeres. O Grande Sacristão Bispo Emérito da Diocese, Dom Barroso. E, por estas ironias do destino, naquele mesmo ano ele iria se despedir, deixando a saudade e seu exemplo.

 Mas, além de Sacristão, o homem que batia o sino, que abria e fechava as portas da Igreja, aprendizado que veio quando ele ainda era criança, acompanhando o pai, era também uma espécie de “Ministro da Palavra”. Como a carência de padres era comum nos distritos, e em Lavras Novas a situação não era diferente, Pedro “Rabicó” quem comandava as rezas. “Sempre acompanhei meu pai na Igreja. Onde ele punha o pé, eu colocava o nariz. Era ele quem organizava as Vias-Sacras, fazia as rezas. Era sempre ajudado pela vizinha aqui, a Maria Alves, até hoje muito presente na Igreja. As festas religiosas ele sempre estava à frente. Uma vez o Bispo Dom Veloso até queria lhe conceder o título de Ministro da Eucaristia, mas papai não aceitou, pois dizia que não tinha estudos para aquilo. Era uma pessoa simples, mas muito sábia, e que viveu em função da Igreja, da família e da Comunidade”, relatou o filho “Chicletes.

 A nossa história é sobre o popular, figura folclórica e respeitada em toda região, sempre lembrado pelos nativos e por aqueles que o conheceram, Sr. Pedro Fernandes Marins, o Pedro “Rabicó”, falecido em 5 de dezembro de 1980. E, como diz o dito popular, de que “o homem, a obra o imortaliza”, este se tornou imortal pelo que plantou neste Distrito. E quem contou um pouco de seu legado foi justamente o filho “Chicletes”, que hoje reside ao lado da casa onde nasceu seu pai, também na rua que leva o nome da Padroeira, Nossa Senhora dos Prazeres.

Carteiro e Operador de Telefone

 No entanto, a história desta grande figura não se resume apenas em sua participação na Paróquia, pois também tinhas outros ofícios. Sempre prestativo, nas horas de folga gostava de tocar seu violão. No entanto, a responsabilidade no trabalho sempre foi sua sina. Tão logo entrou na Usina, teve como uma das primeiras funções o cargo de “Guarda-Fio”. Seu Pedro quem cuidava das linhas de transmissão de telefone, que na época era Magnético. O único aparelho da Vila ficava em sua casa, num quartinho. Mas, diante da grande incidência de relâmpagos e raios, o que poderia provocar algum acidente grave, a Alcan – que controlava todo o sistema de telefonia – o instalou em uma salinha que ficava ao lado. Sua função era atender aos telefonemas. Naquela época, um fato curioso é que, quando a luz da rua piscasse três vezes seguidas, todo o povo de Lavras Novas subia até a Cabine Telefônica para saber qual notícia estava chegando, se ruim ou boa. “Era a senha”, disse sorrindo “Chicletes”. Já em Santo Antônio do Salto, a luz piscava duas vezes seguidas.   Outra profissão exercida pelo Seu Pedro “Rabicó” foi de carteiro. Ele era o responsável em fazer a entrega das correspondências que chegavam para a região, incluindo Santa Rita, Santo Antônio do Salto e Chapada. Descia três dias da semana para estes lugares, a pé, para cumprir sua obrigação. Às vezes como operador de telefonia e outras como carteiro. Somente alguns anos depois adquiriu um burro, que serviu como seu meio de transporte. Assim, assentado no sofá da sala de um de seus filhos, Antônio Fernandes Marins, o “Chicletes”, hoje com 67 anos e também aposentado da Alcan, ao lado de sua esposa, Dona Marlene, ouvi muitas histórias e causos do seu saudoso pai, homem respeitado do lugar. E, entre tantos casos, um que me chamou a atenção, relatado naquela manhã, foi sobre a época em que Pedro “Rabicó” recebia alguns amigos em sua casa, entre eles Antônio Alves Viana, o popular “Gabiru”, Pedro Correia, José Santana e outros, de segunda a sábado, religiosamente, às 19 horas. E não era para prosear e nem tomar uns goles, mas sim para ouvir “A Hora do Brasil”. “A gente não podia dar um pio durante o programa, senão ele xingava a gente. Era sagrada a Hora do Brasil, porque ficavam sabendo de todas notícias”, disse sorrindo o “Chicletes”. E assim passavam o tempo e assim passou a história deste grande homem, que aqui amigos e o seu nome na memória deste povo!

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