Na redação do “Jornal de Monlevade”, para onde reiniciei minha atividade na imprensa falada, em 1989. Na foto, com o diretor Elmo José Lima, e os saudosos jornalista “Tavin” Viggiano e o colunista social “Kaká”
Falando em feridas, nada como um novo ano para iniciar uma vida nova. Estava desempregado desde o período pós eleições municipais de 1988, e casado. Tinha de correr atrás. Foi então que consegui, junto ao então gerente da Usina de Monlevade, Alonso Starling Neto, um trabalho de freelancer junto à Belgo-Mineira. O meu trabalho era o de passar à empresa, através do seu diretor de Comunicação no escritório central, em Belo Horizonte, Álvaro Saldanha Machado, relatórios quinzenais sobre as reivindicações e propostas das entidades de classe e das lideranças políticas . Havia ainda um distanciamento enorme entre a empresa e a comunidade, o que afetava a relação. Assim que assumi a função, mantive contatos com a assessoria de Comunicação da administração municipal; com o dirigente sindical Antônio Ramos e com diretores da Acimon e CDL, colocando-me à disposição. Mas também tinha um grande anseio em retornar às atividades na imprensa, o que aconteceu já também no início de 1989, quando fui convidado para fazer parte da equipe do “Jornal de Monlevade”. Fundado em 1977 pelo meu ex-professor de História na Escola Polivalente, o também jornalista Elmo José Lima, veio como um sucessor do Jornal “Atualidades”, que era editado pela extinta Associação Monlevadense de Serviços Sociais, a AMSS, mantida pela Belgo-Mineira, e que havia encerrado as atividades um ano antes, ou seja, em 1976. O “Atualidades”, por sua vez, sucedeu ao “O Pioneiro”, editado pela empresa a partir dos anos 1950. Portanto, era o jornal impresso mais antigo em atividade na cidade.
A proposta era fazer o “Jornal de Monlevade” circular também semanalmente. Na época, foi contratado ainda o jornalista João Carlos de Oliveira Guimarães, meu ex-colega de redação do jornal “A Notícia”, e que havia também deixado o periódico. fUm ótimo recomeço! Ficamos nós dois responsáveis pela Editoria do JM. Viemos somar à equipe, que já contava com o Geraldo Guerra, como editor de Esportes; o saudoso Wander José (Wandinho), colunista social; e Dr. Stanley Baptista de Oliveira, cronista do jornal. Também o jornalista Otávio Viggiano (Tavim), diretor da Revista “Mostrar” (que continuava em atividade), fez parte da equipe por um período. De periodicidade quinzenal, passou a circular semanalmente e depois, demos ainda um salto mais alto, e circulava duas vezes por semana, às quartas e sextas-feiras. Voltava então ao meu habitat, feliz pelo retorno ao meu local de trabalho: uma redação. E paralelamente continuava atuando como freelancer para a Belgo-Mineira. Por sua vez, o empresário Elgen Machado, que tinha vontade de se lançar na política, acabou propondo a Elmo Lima uma parceria junto ao jornal, e isto deu mais força ao periódico. Competitivo, o JM tornou-se um concorrente direto do “A Notícia”.
O ano de 1989 foi fortemente marcado politicamente, pois a Casa Legislativa se mostrou atuante e combativa. O vereador Ricarbene Pinto se destacava por ser um estudioso e durante quatro anos foi ferrenho opositor ao governo petista. Uma “pedra no sapato” do governo de Diniz, eu diria! As reuniões eram marcadas por polêmicas e em algumas delas os oponentes quase chegaram às vias de fato. A vereadora Solange Medeiros de Abreu, 1ª mulher a presidir o Poder Legislativo no município, no biênio 89/90, teve grande trabalho para conter os ânimos dos edis em algumas oportunidades. Em uma delas, o líder do prefeito, Gilberto Gomes, chegou a chamar Ricarbene para a briga e, qual aluno de escola primária, ficou aguardando a sua saída da Câmara Municipal. Foi uma noite em que até a vereadora Dona Preta chegou a perder a ternura e também queria sair aos tapas com o médico opositor. Aliás, Dr. Ricarbene conseguia tirar os edis petistas do sério, diante de suas alfinetadas irônicas e sempre bem embasadas.
Com o PT, a Prefeitura se torna um cabide de empregos de forasteiros!
Do lado do Executivo, quem ditava as ordens era o comando estadual. Afinal, o PT fazia seu primeiro governo no município, e a ordem era trazer os militantes de fora para ajudar a dar governabilidade ao iniciante Leonardo Diniz. Ele já contava em sua assessoria de Governo com seu braço direito, Gleber Naime de Paula Machado, principal marqueteiro de sua campanha política, que era cria da Casa do Trabalhador, entidade que prestava assessoria ao Sindicato dos Metalúrgicos. De lá também sairia Fernando Nacif, outro que acabou se integrando ao governo com cargo de 1º escalão. Aos poucos, o prédio da Prefeitura de João Monlevade foi se tornando uma casa de forasteiros, sendo administrada por pessoas sem nenhum compromisso com a cidade e que nada conheciam de sua cultura. Nomes foram sendo impostos pelo Diretório Estadual e aqui foram se instalando. Alguns partiram sem dizer adeus, e nem banana deixaram na cidade que os acolheu por quatro anos, entre eles Humberto Rôllo, Carlos Eloy, Marcos Fontoura (“Cinira”), Aninha Conegundes, Adriana Aranha, Jamil Mattar, Paulão, João Batista Santiago e por aí afora. Foi a marca do governo petista de Leonardo Diniz fazer de João Monlevade um cabide de empregos para a militância do PT. Em termos práticos, obviamente que o governo Diniz executou alguns bons projetos, como a recuperação do Areão, a implantação do Sésamo Hospital/Dia, a implantação do Projeto Saúde Bucal e construções de escolas do sistema infantil, com creches, deixando também seu lado positivo.
*Do Livro A Saga: Memórias de um Jornalista do Interior” – Parte XXI
Autoria: Jornalista Marcelo M. Melo!
































