O caso “Braz/Gate”!

Um  dos  fatos  que   marcaram  negativamente  a  história  da Câmara  Municipal  ocorreu  no  mês  de  janeiro de 1987,  dias  depois  que  o vereador Braz  Gandra  havia  assumido  a  presidência  do  Poder Legislativo.  O fato,  descoberto  pelo  diretor  do  “A Notícia”,  Márcio  Passos, envolveu  uma  transação  do  vereador  junto  à  extinta  instituição financeira  do  Credireal.  Na época, Braz  havia  feito  a  abertura  de  uma conta  para  o  órgão  público  no  mesmo  banco  onde  também  era correntista.  Mesmo  contrariando  as  normas  bancárias,  a operação  foi  realizada,  valendo-se  apenas  de  sua  assinatura,  o  que gerou desconfiança  também  da  participação  do  gerente  da agência.  De  acordo  com  matérias  publicadas  em  toda  a imprensa  na  época,  Braz  Gandra  passava  por  dificuldades financeiras,  e  a  abertura  da  conta  da  Câmara  Municipal na  mesma instituição  bancária  do  qual  era  cliente  facilitaria  que  ele transferisse  dinheiro  público  para  sua  conta  pessoal.  A transação provocou  a  instauração  de  uma  Comissão  Parlamentar  de Inquérito  – CPI – para  apurar  o  caso,  formada  pelos  vereadores  Wilson Vaccari  (presidente),  João  Bosco  Vieira  Paschoal  e  Sebastião Alves  de  Souza.  Gradativamente,  o  presidente  do  Legislativo repôs  o  dinheiro  que  havia  usado  em  benefício  próprio, efetuando  depósitos  que  variaram  de  hum  mil  a  dez  mil cruzados  –  moeda  que  vigorava  na  época.

Nascia ali o caso “Braz-Gate” inspirado no famoso “Watergate”,  que  culminou  com  a  renúncia  do  então  presidente norte-americano,  Richard  Nixon,  em  agosto  de  1974.  O  caso Braz  Gandra  agitou  toda  a  mídia  e  durante  alguns  meses  foi  o principal assunto na imprensa escrita e falada da  cidade.  E  poderia  culminar  na  cassação  do  mandato  do vereador até  mesmo  com  uma  sentença  de  prisão.  Sua  cabeça era  colocada  a  prêmio  pela  Casa  Legislativa  e  pela  comunidade, enquanto  os  membros  da  CPI  prometiam  realizar  um  trabalho “implacável”  e, caso  se  comprovasse  a  denúncia,  colocariam em  apreciação  do  Plenário  a  cassação  do  mandato  do  edil.  Mas  o que  acabou  ocorrendo  foi  um  “acordo  de  cavalheiros”, envolvendo  a  bancada  peemedebista,  que  era  maioria na Casa.  Dessa forma,  mesmo  comprovando-se  a  irregularidade,  através  de documentos  liberados  pela  própria  agência  do  Credireal,  Braz Gandra  perdeu  apenas  o  cargo  de  presidente  da  Câmara, manobra  que  foi  bem  arquitetada  pelo  então  integrante  da  CPI, Wilson  Vaccari,  o  qual,  em  contrapartida,  retornou  à  presidência da Casa, mantendo-se no cargo até o final de seu mandato, em dezembro  de  1988.  A denúncia,  no  entanto,  não  teria  sido  em vão,  tanto  que,  nas  eleições  municipais  que  ocorreriam  no próximo  ano,  somente  dois  vereadores  seriam  reeleitos.

Naquele  mesmo  período,  outro  escândalo  estourou,  envolvendo a  Câmara  Municipal  de  João  Monlevade,  cujos  protagonistas foram  dois  vereadores,  que  teriam,  segundo  denúncia  publicada nos  órgãos  de  imprensa  da  cidade,  recebido  dinheiro  do empresário Francisco de Assis Lima Drumond, então proprietário  da  empresa  de  transporte  coletivo  de  João Monlevade,  a  Transcomol,  em  1984,  para  facilitar  o  aumento  no preço  da  passagem.  Uma  matéria  publicada  na  revista “Mostrar”,  datada  de  maio  de  1987,  relatava  o  caso  de  duas gravações  que  comprometiam  os  dois  vereadores,  e  que estavam  em  poder  do empresário.  Na  reportagem,  uma  grave denúncia  acusando abertamente falcatruas que sempre ocorriam no momento de se conceder reajuste na passagem do transporte coletivo em João Monlevade. Segundo a matéria, o Sindicato dos Metalúrgicos  já havia denunciado o fato, acusando a empresa de ter alterado os números da roleta, com a aquiescência de vereadores que faziam parte do Conselho Municipal dos transportes – CMT -. Já naquela época, ouviam-se rumores sobre um possível pagamento de propina por esse serviço”. . . A denúncia soou como uma bomba, mas o caso foi abafado e, mais uma vez, a CPI do Legislativo terminou em pizza e os acusados não sofreram qualquer tipo de condenação. Seus nomes não chegaram a  ser revelados.

*Do Livro A Saga: Memórias de um Jornalista do Interior” – Parte XIV

Autoria: Jornalista Marcelo M. Melo!

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