Uma das capas do jornal “Gazeta Regional, onde trabalhei por dois anos, até fundar o “Morro do Geo”, em fevereiro de 2001
Chegamos em 1999 e duas surpresas. Na verdade nenhuma novidade, pois minha rotatividade na imprensa monlevadense já fazia parte do meu cotidiano profissional. Entre idas e vindas, chegadas e despedidas! Fazia parte do ofício e mal o ano começava, duas mudanças. O jornalista Márcio Passos reassumia suas funções no jornal “A Notícia”, que passava por uma crise financeira. E somente ele para resolver a questão. Entre algumas mudanças, acabamos chegando a um acordo, e eu deixei o semanário. Seria uma forma de minimizar as despesas. Não antes, de ter sido mais uma vez processado judicialmente, desta vez pela jornalista e integrante da Editoria Política do jornal “Estado de Minas”, Bertha Maakaroun, onde assinava uma coluna semanal. Naquela época, ela havia escrito um artigo, tecendo críticas a alguns vereadores que integravam a Câmara Municipal de João Monlevade, e de forma indireta, defendendo o governo do então prefeito Laércio Ribeiro. Era clara a sua simpatia pelo Partido dos Trabalhadores. Como assessor de Comunicação do Legislativo, rebati, de forma intempestiva, usando minha Coluna no jornal “A Notícia” (“Com-Mentando Monlevade”). Fui bem agressivo em meu artigo, o que gerou a ação. Na época, fui defendido pelo advogado, saudoso Dário Lage. Acabei perdendo a ação, mas os custos ficaram por conta do do periódico. Mesmo a matéria publicada em seu jornal – levou a minha assinatura, ou seja, fui o responsável direto na causa do problema. Daquele resultado, tive a certeza que o tal jargão inserido nos expedientes dos órgãos impressos: “o jornal não se responsabiliza pelos artigos assinados”, é pura ficção.
Pois bem, mas fiquei então por conta da Câmara, até que, através de um telefonema, era novamente convidado a integrar a equipe da Rádio Cultura. Logicamente que, não apenas pelo meu profissionalismo e experiência em rádio, mas também em função das eleições de 2000. Sem falsa modéstia, eles (Mauri Torres e Carlos Moreira) sabiam que seria melhor me ter como aliado que como adversário. Não pensei duas vezes. Primeiro, porque sempre amei fazer rádio e teria a oportunidade de reassumir o meu programa. Segundo, porque, com a saída do jornal, minha renda tinha caído e seria a forma de compensar a perda. Tudo perfeito, quando se juntou a fome com a vontade de comer. E outro fato que considerei interessante seria o reencontro com o amigo e jornalista Chico Franco, com quem trabalhei durante anos no “A Notícia”, e que havia assumido o Jornalismo da emissora em 1997. E ainda por cima teria um parceiro, também muito polêmico, mas grande soma para a turma do deputado, tê-lo como aliado: o ex-vereador e articulista Wilson Vaccari. No ar novamente, o “Plantão Cultura”, agora com a dupla Marcelo Melo e Wilson Vaccari. Foram meses de muito sucesso, cujo ponto forte eram as críticas e denúncias, além das entrevistas. Tínhamos liberdade para fazer a nossa produção. No entanto, um problema envolvendo Vaccari e Carlos acabou provocando sua saída. Dali em diante, assumi novamente sozinha a produção do programa, mantendo o mesmo estilo irreverente e polêmico.
Já começava a roda viva em torno da sucessão municipal e os partidos preparavam suas alianças. O PT já decidira pela reeleição do Dr. Laércio Ribeiro, possível para cargos do Executivo graças à reforma política aprovada pelo Congresso Nacional. Carlos Moreira vinha mais forte e tinha como bandeira o PTB. Juninho Starling havia decidido tentar novamente uma cadeira no Legislativo. Tudo indicava uma polarização entre o PT e o grupo liderado pelo deputado Mauri Torres. A vida pessoal e familiar ia muito bem, graças a Deus, e a profissional prometia novos desafios. Justamente porque, a convite do amigo Carlos Eduardo, “Cacá”, decidi encarar uma nova empreitada: colocar minha cara como editor de um novo jornal que surgia na cidade. Juntaram-se a nós, os amigos José Carlos Rôlla e Maurício Reis, além da saudosa amiga Selma Taveira. Reuniões, planejamentos, até surgir o nome do periódico: “Gazeta Regional”. Como concorrente e a alta credibilidade do “ANotícia”, que circulava às sextas-feiras, decidimos que a circulação se daria às quintas-feiras. E ainda trouxe para ser nosso revisor e responsável por um artigo assinado, ninguém menos que o experiente e talentoso Chico Franco. A primeira edição circulou no dia 11 de março daquele ano, com uma manchete que foi um grande furo de reportagem.
Funcionando precariamente em um dos quartos da casa do José Carlos, no Bairro Lucília, a correria começava a partir das 18 horas, quando deixava meu programa na Rádio Cultura. Às segundas, terças e quartas. E, para felicidade de qualquer jornalista, nada melhor do que dar a notícia em primeira mão. Na quarta-feira, véspera de fechar a quinta edição, que chegaria à bancas no dia 8 de abril, chega à redação a informação de que o então secretário de Planejamento do governo do prefeito Laércio Ribeiro, o ex-vereador Marco Aurélio Loureiro, teria sido destituído do cargo. Tudo em consequência da contratação da Pólis Consultoria, que culminou com uma CPI instaurada na Câmara. Corri até a Prefeitura e fizemos uma reportagem exclusiva. A crise estava declarada também internamente e o pivô de todo o processo, segundo rondava nos bastidores, teria sido a assessora de Governo, Ilka Morais. O Gazeta começaria com o pé direito e viria para fazer história na imprensa monlevadense.
*Do Livro “A Saga: Memórias de um Jornalista do Interior” – Parte LII
Autoria: Jornalista Marcelo M. Melo!
































