Foto do Padre Higino de Freitas, ainda bem novo, quando de sua chegada a João Monlevade, para assumir a Paróquia São José Operário
No último dia 8 de setembro celebrou-se 24 anos da morte do Cônego Higino de Freitas. Foi o encerramento definitivo de uma vida dedicada ao pastoreio das almas e ao desenvolvimento do ensino em nossa cidade. Definitivo, porque, seis anos antes, a doença já o afastara de suas atividades. Com efeito, em maio de 1975, estando vacante a Diretoria do Centro Educacional de João Monlevade, o Prefeito Lúcio Flávio de Souza Mesquita convidou o Cônego Dr. José Higino de Freitas para assumir a direção do prestigioso estabelecimento de ensino. Recebido por alunos e professores com indizível alegria e forte sentimento de esperança, o Cônego Higino, entretanto, pouco tempo permaneceu no timão do educandário: acometido de súbita enfermidade em junho do mesmo ano, afastou-se das atividades, vindo a falecer alguns anos depois, em 1981.
Abrindo, poucos dias atrás, meu baú de lembranças, para procurar um documento, acabei resgatando duas páginas xerografadas, escritas com a inconfundível caligrafia do Cônego Higino, em que ele, de maneira sucinta, prestava informações sobre sua pessoa e seu trabalho. Lavrado em papel timbrado da Paróquia de São José Operário, o escrito não tem data, mas uma análise intrínseca de seu teor faz-nos situá-lo em 1974. Não tenho ideia de como ele veio parar em minhas mãos, mas, como privei, por longo tempo, de um contato maior com o Cônego Higino, é provável que ele mesmo o tenha repassado a mim, e eu o tenha xerocado com futuras intenções. Tudo indica que alguém passou ao Cônego Higino algumas perguntas às quais respondeu, quem sabe para alguma pesquisa ou publicação. Com toda a certeza, tratava-se de uma entrevista já pronta ou a memória para respostas a serem dadas de viva voz a um questionário anteriormente fornecido. Vamos, pois, ao texto, que, acredito, revela dados significativos de sua personalidade extremamente rica e solidária. As perguntas não constam no documento original: formulei-as com base nas respostas registradas e acrescentei entre parênteses o que julguei necessário.
1. Onde é que o senhor nasceu e quem foram seus pais? Meus pais: José Higino Santos e Isabel Ferreira de Freitas. Minha terra natal: Barra Longa (MG).
2. Há quanto tempo o senhor é sacerdote? Ordenei-me em Roma, a 25 de outubro de 1936. Há, portanto, quase 38 anos.
3. O senhor estudou em Roma? Sim. Terminei lá o curso de Teologia e cursei a Faculdade de Direito Canônico da Pontifícia Universidade Gregoriana.
4. O senhor está há quanto tempo em João Monlevade? E antes, onde o senhor atuou? Há quase 29 anos. As paróquias de Carneirinhos e Vila Tanque foram criadas depois de minha chegada a Monlevade, em 1945; a própria Paróquia de São José Operário, oficialmente, não existia ainda naquele ano. Erigiu-se em setembro de 1948, quase três anos depois que aqui exercia as funções de meu Ministério com o título um tanto estranho de “Capelão Cura”. Trabalhei como Vigário Cooperador em Cataguazes quase dois anos e fui Pároco de Santa Bárbara de maio de 1941 a novembro de 1945.
5. Era muito grande o volume de trabalho? Notando-se que, inicialmente, a paróquia cobria todo o território do atual município de João Monlevade, e não havia Capelão no Hospital nem Padre residente em Bela Vista de Minas, o trabalho era então excessivamente pesado. No vasto território então confiado a meus cuidados, residem agora sete sacerdotes, com o que se reduziu enormemente o número de pessoas a quem devo atender.
6. Mas o senhor deve ter vivido casos curiosos e engraçados… Curiosos, muitos; engraçados, alguns. (Pena que as anotações encontradas não os tenham registrado…)
7. Posso perguntar sua idade? E o senhor se considera realizado? 61 anos completos. Realizado? Não. Não me sinto realizado. Ainda bem. Do contrário estaria renunciando ao dever de crescimento que constitui a grande tarefa de toda a vida.
8. Paralelamente ao ministério sacerdotal, o senhor sempre atuou como educador? Em Cataguazes, lecionei, no Ginásio, Latim e Português. Em Santa Bárbara, exerci o cargo de “Vigário Forâneo” (Corresponde hoje às funções de Vigário Episcopal). Aqui fui professor no Curso Complementar (Leia-se: Supletivo) que existia no Grupo Escolar Central. No Ginásio Monlevade, cumulativamente com o cargo de Diretor, lecionei Latim e História. Dirigi o Colégio Estadual desde a sua fundação, como Ginásio Monlevade, em 1955, até 1971. Atualmente, tenho, no mesmo colégio, aulas de Filosofia da Educação. Também estou encarregado da Coordenação da Pastoral do Zonal II da Diocese de Itabira. (Leia-se: Regional II, que tem sede em João Monlevade).
9. Que outras atividades o senhor exerceu? Fiz parte do Conselho do Hospital Margarida durante uns três ou quatro anos e (… ilegível) membro do Conselho Fiscal da A.M.S.S., desde sua fundação até o princípio deste ano.
10. Atualmente, como pároco, que projeto o senhor vem executando? Acredito que a conclusão da sede que a Associação Mariana está construindo me permitirá dinamizar a renovação pastoral em que a Igreja está empenhada e aumentar minha contribuição no processo de formação do espírito comunitário em nossa Paróquia.
Recupero essas modestas informações para os leitores do “Morro do Geo”, principalmente, para lembrar aos cultores da memória que o ano de 2012 é o ano do Centenário do Cônego Higino. Fiquemos atentos…
Abaixo, Cônego Higino de Freitas em sua foto oficial e marcante

Esta matéria foi publicada na edição de nº 152, de agosto de 2011,do jornal “Morro do Geo”, quando completavam 30 anos do falecimento do Cônego Higino de Freitas.
*Autor: * Geraldo Eustáquio Ferreira (Professor Dadinho)!
































