Na edição de nª 88 do jornal “Morro do Geo”, de agosto de 2005, o então gerente da Belgo-Mineira, Usina de Monlevade, Gerson Menezes – dois meses antes de se associar ao Grupo Arcelor -, nos concedia uma entrevista exclusiva, falando sobre vários assuntos ligados à empresa, entre eles o de transformar o prédio do Cassino no Centro de Memória de João Monlevade, e sobre a expansão da Usina, que já se falava naquela época. Junto ao engenheiro e também gerente da Usina, Alonso Starling, Gerson Menezes foi um dos mais populares e carismáticos e que mais tempo gerenciou a Usina de Monlevade, sempre simpático e solícito à imprensa. E ele cumpriu o prometido em relação ao Centro de Memória – inaugurado pouco depois -, mas assim que a Belgo/Arcelor passou para o comando da Arcelor/Mittal, um ano depois, ou seja, em 2006, a história começou a mudar e o compromisso social da empresa com a cidade foi reduzido drasticamente, e hoje, para eles, a memória não tem tanta importância.
Mas, vamos a seguir, mostrar a entrevista na íntegra:
“O gerente da Usina de Monlevade, engenheiro Gerson Menezes (foto acima), concedeu uma entrevista exclusiva ao Jornal MORRO DO GEO, quando ela completa 70 anos na cidade. Na oportunidade, ele reafirma a proposta de tornar o prédio onde funcionava o antigo Hotel do Cassino em um centro de memória, e diz que a duplicação da Usina é um projeto, e que deve ser melhor analisado por ser bastante complexo. Gerson Menezes também disse da emoção de se tornar cidadão honorário de João Monlevade, onde reside desde 1974″.
Morro do Geo: Primeiramente, a direção do jornal “Morro do Geo” parabeniza-o pela grande iniciativa de sempre ter-se preocupado com o resgate da história da Belgo e conseqüentemente de João Monlevade, tornando viva a memória de um povo, cuja maior herança é exatamente o desenvolvimento aqui instalado desde quando a empresa aqui se encampou, em 1935. E a restauração do Hotel Cassino é uma dessas suas obras.
Dentro desse contexto, a primeira pergunta seria sobre a restauração do prédio do Cassino. Quando a obra estará toda concluída e o que será mesmo feito no local? Um museu de imagem e de som, um espaço cultural?
Gerson Menezes: Inicialmente, gostaria de agradecer sinceramente pela grande consideração dispensada tanto a mim quanto à Belgo pela equipe do Morro do Geo e cumprimentá-los pelo trabalho que realizam. Com relação ao Cassino, nós vamos concluir a restauração do prédio até o final deste mês de agosto. Funcionará lá um Centro de Cultura e Memória. Não é exatamente um museu, nos moldes a que estamos acostumados. Será uma referência na catalogação e pesquisa de fatos e registros históricos, que serão colocados à disposição da população, através do nosso Projeto Memória Belgo. Mas não será apenas isso. Vamos sediar no Cassino também uma série de outros projetos culturais.
MG: A Belgo completa 70 anos de sua instalação em João Monlevade e você, Gerson Menezes, já faz parte da história desta empresa em nosso município. Qual a importância deste convívio na sua vida profissional e intelectual?
GM: A importância é muito grande. Foi aqui que construí a minha vida profissional, já que fui admitido na Belgo em 1974, logo depois de me formar, e vim imediatamente trabalhar em Monlevade. E foi aqui também que construí minha vida pessoal, constituí família, criei meus filhos e construí meu círculo de amizades. Devo muito do que sou hoje, como profissional e como pessoa, a essa convivência com a comunidade monlevadense. Esta é uma cidade acolhedora, de gente trabalhadora e muito receptiva. Não é à toa que quem vem de fora logo adota Monlevade como sua cidade. Eu trago comigo um orgulho imenso por ter sido reconhecido pela Câmara Municipal e pela comunidade como Cidadão Honorário de Monlevade. De todos os reconhecimentos que recebi em minha vida, este é, seguramente, o que mais me orgulha e engrandece.
MG: Qual a relação entre a comunidade e a empresa? E o Sindicato tem dificultado essa relação?
GM: Não diria que o sindicato tem dificultado esta interação entre a Belgo e a comunidade monlevadense. Na realidade, essa relação tem bases muito fortes e é fundamentada nas origens da empresa e da cidade, que se confundem e se complementam. Vocês, do Morro do Geo, têm registrado e acompanhado esta história e são testemunhas dessa evolução. A Belgo aqui plantou as sementes do desenvolvimento social, educacional e econômico de uma cidade E a cidade retribuiu participando de nosso crescimento e de nossa evolução, com cidadãos que têm ajudado a construir e operar a nossa Usina. Nós reconhecemos isso e procuramos retribuir. Sabemos de nossa responsabilidade, que vai muito além do recolhimento de impostos. Buscamos cada vez mais crescer de forma sustentável, conhecedores que somos de nosso papel no desenvolvimento econômico e social de João Monlevade.
MG: De um modo geral, a população de Monlevade reconhece os projetos sociais encampados pela empresa em nossa região?
GM: Sim, reconhece. Temos em mãos pesquisas que indicam que mais de 70% da população diz conhecer e avaliar como positivos os projetos que desenvolvemos ou dos quais participamos. Além disso, em diversas oportunidades temos recebido o reconhecimento da comunidade, através de manifestações públicas, premiações e outras iniciativas. Esse reconhecimento nos incentiva a cada vez mais trabalhar para o engrandecimento tanto da Usina de Monlevade quanto de nossa cidade.
MG: A duplicação da Usina de Monlevade foi o assunto mais pautado dos últimos meses entre a imprensa e comunidade. Ela será mesmo inserida ou apenas está no projeto? E qual a importância dessa duplicação em nível de geração de empregos?
GM: A proposta de duplicação da produção na Usina de Monlevade está em análise. É um projeto complexo, que vai requerer investimentos consideráveis, e por isso merece todo o cuidado em sua avaliação. O certo é que esse projeto, quando implementado, contribuirá significativamente para a geração de empregos diretos e indiretos para Monlevade e região. Imaginem os ganhos com a entrada em operação de mais uma nova sinterização, um novo alto-forno, um novo forno-panela, um novo lingotamento contínuo, mais uma linha de laminação.
MG: Gerson Menezes, o Solar Monlevade é o maior símbolo de João Monlevade, mas ainda existem restrições à sua visitação pública, até mesmo por questões de segurança. Mas, não poderia haver algum projeto futuro para que as portas da Fazenda estivessem mais abertas às visitas? Afinal, aqui está o início da história de João Monlevade.
GM: Estamos estudando isso para todo o conjunto que chamamos de Circuito Histórico, que inclui, além da Fazenda, o Monumento aos Pioneiros, o Museu do Ferro e do Aço, o Cemitério Histórico e o Cassino. Brevemente deveremos informar sobre a implantação de um programa de visitas. Não sabemos ainda qual será o formato, como irá funcionar, justamente porque, para que esses bens sejam preservados, precisamos oferecer o acesso de acordo com normas rígidas de segurança que visam justamente preservá-los. Mas o fato é que muito em breve estaremos apresentando este circuito histórico à comunidade.
MG: Nestes 70 anos da Usina de Monlevade, quais alguns dos maiores benefícios que a empresa prestou ao povo da cidade e região. Digamos nos aspectos gerais. A Belgo e a cidade têm muitos pontos em comuns, eu acredito. Fale-nos um pouco desta parceria.
GM: O primeiro aspecto, eu não poderia deixar de ressaltar, é o que se refere à própria atividade industrial e econômica de nossas atividades: são mais de mil e duzentos empregados próprios, um número similar de terceiros dentro da usina, além dos empregados das diversas empresas e entidades com as quais nos relacionamentos comercialmente, como as oficinas externas, por exemplo. Não posso deixar de mencionar também que a empresa contribui com 81% da receita do município com o ICMS e com 50% do que é arrecadado com o ISS e o IPTU. Mas conforme já ressaltei, queremos participar também da vida da comunidade através de nossa participação em projetos, como os da área de educação, as ações na área cultural, social, ambiental e no apoio ao desenvolvimento econômico.
MG: Finalizando, qual a mensagem que a Belgo, Usina de Monlevade, daria à população, sendo ela a empresa-mor de nossa cidade, e você o gerente? E você ficará na gerência até quando? Aliás, o nome Gerson Menezes goza de um prestígio muito grande junto à comunidade monlevadense. Uma pessoa espontânea e que não é respeitada apenas por ser o chefe da Usina, mas pelo carisma que conquistou desde que assumiu a gerência. Parabéns por ser o que é, engenheiro Gerson Menezes, e tomara que permaneça por mais alguns anos à frente da Usina de Monlevade.
GM: Neste momento importante da nossa história, quando a Usina de Monlevade completa 70 anos de existência, o que posso dizer é que valeu muito este passado, valeu muito essa história. Nesse tempo, foi construída uma base sólida de relacionamento com a comunidade e totalmente propícia ao crescimento. Temos uma equipe gerencial e técnica de altíssimo nível. Nossos supervisores e operacionais têm a marca da determinação e do trabalho. Tudo isso nos faz acreditar num futuro altamente promissor. Então, a mensagem que deixo é a de otimismo. Nunca foi postura da Belgo acomodar-se pelas vitórias passadas, deitar-se sobre os louros das conquistas. A história dessa empresa, se nos dá orgulho, nos dá também a direção para que continuemos enxergando o futuro. E eu diria que o futuro que se vislumbra para a empresa e para a comunidade é dos mais brilhantes.
Na foto abaixo, uma vista parcial da antiga usina da Belgo-Mineira

*Matéria publicada na edição de nº 88 do jornal “Morro do Geo”, de agosto de 2005!

































