Na fotografia acima, as Forjas Catalã construída pelo pioneiro Jean Monlevade
Construção da Vila Operária!
Fatos que marcaram a terra-berço da Siderurgia Nacional.
Jean Antoine Félix Dissandes de Monlevade (1789/1872)!
Tudo teve início nos primórdios do século XIX, quando chegava ao Brasil o engenheiro de Minas, o francês, Jean Antoine Félix Dissandes de Monlevade, que aportava no Rio de Janeiro em 14 de maio de 1817, aos 28 anos de idade. Ele vinha devido à sua paixão pela mineralogia e geologia e, sabedor de que o Brasil, mais especificamente a Província de Minas Gerais, constituía-se em vastíssimo campo de estudos, veio acompanhar uma comissão do governo francês.
Antes de aportar em João Monlevade, ele primeiro percorreu várias comarcas e distritos mineiros, entre eles São João Del Rey, Vila Rica, Sabará e Caeté, até chegar a São Miguel do Piracicaba. Aqui, descobriu a extraordinária riqueza da região e, descortinando-lhe o enorme futuro, adquiriu duas léguas abaixo do então arraial de São Miguel, algumas semarias de terras, onde construiu a forja Catalã, que produzia, inicialmente, trinta arrobas diárias de ferro. E, foi ele também quem providenciou a construção da sede da Fazenda Solar, em 1818, edificação imponente que dominou a paisagem do Vale do Piracicaba e que, virando os tempos, tornou-se o marco histórico e símbolo maior da civilização plantada pelo pioneiro francês.
A vida privada de Jean Monlevade:
“Estatura regular, barba regular. Sobrancelhas cerradas, olhos azuis”. Assim o engenheiro francês Jean Monlevade foi descrito pelo Registro de Estrangeiros, ao chegar ao Brasil, em 1817. Em Minas, residiu inicialmente em Caeté, onde levantou um alto-forno de modestas proporções, e em Abaeté, realizando estudos mineralógicos. Em 1825, construiu sua própria fábrica de ferro no arraial de São Miguel do Piracicaba.
Dez anos após a chegada ao Brasil, casou-se com D. Clara Coutinho, com quem teve um casal de filhos. A conduta ciumenta da esposa tornou-se lendária. Conta-se que, durante um jantar na fazenda, o engenheiro elogiou a dentadura da escrava copeira. Dias depois, recebeu de presente de D. Clara uma bela bandeja de prata, com a coleção de dentes da escrava.
Durante 55 anos, Monlevade administrou, com sucesso, a fábrica, formando duas gerações de escravos peritos na arte de fundir ferro e na sua manipulação. Assinava periódicos estrangeiros e estava sempre atualizado com os avanços técnicos na indústria de ferro da Europa e dos Estados Unidos. Monlevade impressionava a todos pela inteligência e maneiras fidalgas.
Ao falecer, em 1872, deixou considerável fortuna para a época: 250 escravos; a fazenda “Monlevade”, aparamentada para fabricar ferro; uma fazenda de cultura, denominada “Serra”, no distrito de Tombos de Carangola; e parte da fazenda aurífera “Paciência”, em Santa Bárbara.
O Museu que guarda os primeiros maquinários das Forjas Catalã e o Solar Monlevade, construído também pelo francês e pioneiro Jean Monlevade


Um novo Começo!
Outros nomes surgiram desde então, sendo a Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira a grande responsável pela alavancada do município. Mas, antes disso, a primitiva fábrica de ferro passou por fases de crescimento, declínio e até mesmo a decadência, trocando de proprietários algumas vezes, até que transformou-se no embrião da Belgo-Mineira, graças à tenacidade de um outro pioneiro, o luxemburguês e também engenheiro Louis Jacques Ensch, que aqui chegou em 1934 com a missão de desativar a incipiente fábrica, mas acabou por consolidá-la graças à sua visão futurista. E, a partir daí, urbanizou toda a área, dotando-a de uma infra-estrutura básica condizente com as necessidades humanas. Fez assim pulsar um coração humano naquele peito de aço que se erguia à margem do rio Piracicaba.
1934: Louis Ensch chega para desativar a Usina da Belgo-Mineira em Monlevade!
Mas diante de sua visão futurista, resolve sim instalar a Usina de Monlevade, contrariando as ordens superiores. Foi ele quem colocou João Monlevade no patamar da siderurgia brasileira.
Na fotografia abaixo, o engenheiro e diretor da Belgo-Mineira, o luxemburguês Dr. Louis Jacques Ensch, ao lado da esposa Dona “Cici”

O então presidente da República, Getúlio Dornelas Vargas, vem a João Monlevade para o lançamento da Pedra Fundamental da Usina de Monlevade

Início da Construção da Usina

Começa a nascer a 1ª Vila Operária da América Latina

Construção das primeiras casas na Rua Siderúrgica

São construídos os primeiros hotéis da cidade; o Cassino e o Siderúrgica

Tinha início a construção da Praça Ayres Quaresma,

Ganhava vida a Praça Ayres Quaresma, saudosa “Praça do Cinema”

Inaugurado o Cine Monlevade, construído na praça e uma obra de 1º mundo, ao estilo europeu

Continua a construção da Vila Operária, e aqui uma vista aérea do Bairro Vila Tanque

Bairro do Baú em vista aérea

Areia Preta, também complexo da Vila Operária

Vista parcial da Cidade Alta

O monumental Viaduto que dava acesso às ruas Tamoios, Aymorés e Tabajaras

Vista parcial da ruas que ficavam acima das cúpulas da Usina: Tamoios, Aymorés e Tabajaras

Antigo Terminal Rodoviário: Rua Beira-Rio

Escolas são construídos pela Belgo-Mineira:
Preocupada com a educação dos filhos dos operários,a Cia. Siderúrgica Belgo-Mineira constrói então escolas, contrata professores e dá o pontapé inicial na história educacional de nosso município.
Primeira a Belgo-Mineira construiu a Escola de Tábua, localizada na Rua Guarani, na Cidade Alta

Depois veio o Ginásio Monlevade, que viria se tranformar em Escola Estadual de João Monlevade. Uma linda arquitetura

Escola Profissionalizante do Senai, que primeiro funcionou dentro da Usina e depois se transferiu para a Vila Tanque

Escola Santana, um marco na arquitetura em nossa cidade; hoje o prédio está abandonado pelo Estado e pela Prefeitura de João Monlevade

À esquerda a construção da Escola Eugênia Scharlé, pela Belgo-Mineira, funcionando até hoje na Vila Tanque. À sua frente o governo federal construia a Escola Polivalente, no início dos anos 1970. Uma escola integral e que foi referência no país

Aqui um encontro de Professores em pose feita em frente ao Colégio Estadual. Naquela época a classe era bem valorizada, e a Belgo-Mineira tinha um alojamento para as professoras que vinham de outras cidades para lecionar em João Monlevade

As Primeiras professoras da cidade:
Saudoas Dona Petiche e Dona Conceição Malta, Damas da Educação!

Dona Nenela Bicalho, outra pioneira na Educação em nossa cidade

Belgo-Mineira dá início à construção dos clubes:
Oferecer lazer aos operários e seus familiares também era outra preocupação da empresa. Não só dos brasileiros – no serviço operacional -, mas também dos “gringos”, europeus que vieram ao para Monlevade ensinar a mão-de-obra.
Desta forma, clubes começaram a ser construídos dentro da Vila Operária, sendo o primeiro deles o Social, justamente para atender aos estrangeiros que vieram da Europa, e isto ocorreu no início da década de 1940.
Social Clube:
O Social foi o primeiro clube construído no local denominado na época de Vila Velha dos Engenheiros, bairro que fazia parte do Complexo da Vila Operária, sendo inaugurado em 16 de janeiro de 1943. Entre os fundadores figuram os nomes de Louis Jacques Ensch, Albert Scharlé, Joseph Hein e outros, e veio atender a uma reinvindicação dos gringos que vieram trabalhar na Belgo-Mineira para ensinar aos operários na fabricação do aço. Afinal, não tinham nenhum lazer na cidade e por isto a necessidade de recompensálos por terem vindo do Velho Continente. E era proibida a entrada de negros, fato este que durou durante duas décadas, até que o clube foi aberto também para operários que não faziam parte do Quadro da chefia.
Na foto abaixo, um, grupo de associados e atrás o grande salão

Com duas piscinas, foi erguido um trampolim na piscina grande, bem ao estilo europeu

Ideal Clube:
O Ideal Clube foi o segundo clube fundado pela Belgo-Mineira,e inaugurado em em 16 de janeiro de 1946. pelos senhores José Cabral, Oscar Inácio Lima, Hildeberto Antunes Siqueira, Artur Ferreira Júnior, Agenor Rodrigues Alves, Paulo Curi, Saul Diniz, Yvon de Paiva, José Campos Versiano, Raimundo Nonato Silva e Luiz Simões. Funcionou primeiramente no refeitório do Hotel Novo, depois chamado de Hotel Monlevade, ali na Rua Siderúrgica. Anos depois mudou-se para sua sede oficial, que funcionou até 1988 na Praça Ayres Quaresma, Centro Industrial.
Abaixo o salão amplo e muito bonito, onde históricos bailes foram ali realizados ao som de ótimas orquestras e bandas

O Ideal se tornou um clube tradicional com blocos de carnaval que desfilavam pela cidade, saindo da porta da clube

Clube União Operário:
O União Clube Operário teve como sede o mesmo prédio onde funcionou o Ideal – parte de baixo -, ambos com sede também na Praça Ayres Quaresma, e foi inaugurado em 13 de janeiro de 1951. Um fato curioso que o Clube foi fundado por operários comuns da Belgo-Mineira. conforme relatou em entrevista ao “Morro do Geo, em 2001, o saudoso senhor João Antônio, um dos fundadores do União Operário, junto aos amigos Joaquim Egídio e José Maria. Segundo ele, tudo começou depois de um carnaval dos “brancos” (pois havia esta divisão social na época) realizado no Ideal Clube – ainda instalado no Hotel Siderúrgica. Assim começou essa história, que por sinal é muito interessante. “O ano era 1947, e era realizado este baile no Ideal, quando eu e outros colegas chegamos para dançar e não havia mais lugares. Fomos barrados. Decidimos então encontrar um espaço para que pudéssemos dançar. Resolvemos procurar então o Dr. Joseph Hein para que nos arrumasse um lugar onde pudesse ser construído o nosso espaço”. Final da história: anos depois nascia o União Operário, que era considerado o “Clube dos Operários”, enquanto o Ideal ficou conhecido como “O Clube da elite”!
Abaixo, o prédio onde funcionou o União Operário

O carnaval no União Operário era muito movimento e o salão ficava lotado as quatro noites

Grêmio Esportivo Monlevadense:
De uma simples idéia, que partiu da Srta. Maria Anunciação Oliveira, acabou surgindo em 15 de novembro de 1953 o Grêmio Esportivo Monlevadense, o 1º Clube de inclusão social de João Monlevade. Funcionou inicialmente no antigo Grupo Escolar de Monlevade e anos após, a Companhia Siderúrgica Belgo Mineira doando o terreno num local conhecido por “Buracão”, que ficava abaixo do Colégio de Tábua, sendo cosntruídas quadras poliesportivas, um Ginásio coberto e uma piscina.
A nova sede foi inaugurada em 1955, e na foto abaixo a solenidade de inauguração presidida pelo engenheiro Caetano Mascarenhas, responsável pela sua instalação do Grêmio

Na foto baixo, inauguração da piscina do clube com muita festa

O Grêmio recebeu o 1º ginásio coberto da região e fez história nos esportes especializados, entre o futebol de salão, basquete e vôlei, que fez sucesso em vários torneios em todo Estado.
Na foto abaixo as quadras construídas no Grêmio para a prática de esportes

Clube de Caça e Pesca!
Outro clube fundado pela Belgo-Mineira foi o Clube de Caça e Pesca, que também foi inaugurado no início dos anos 1950, numa linda e extensa área de mata nativa sob o cinturão verde, atrás da Matriz São José Operário. Veio atender aos amantes da pesca e da caça, que era permitida na época, e no local foi construído um Stand de tiros. A empresa também construiu casas na região das lagoas, em São José do Goiabal, precisamente na Aguapé, Barra e Jacaré, que acabou agregando a comunidade monlevadense e se tornou o clube com o maior número de associados durante anos
Na foto abaixo, dia de festa no Caça e Pesca

O Stand de Tiros fez ótimos atiradores e havia competições entre eles, sempre com um grande público presente

Casa na Lagoa do Aguapé

&Pesquisa: Jornalista Marcelo M. Melo!
Fotos do arquivo do “Morro do Geo”!
































