O então secretário municipal de Esportes, Gentil Bicalho (foto) trai o grupo governista e lança candidatura a prefeito
O governo do prefeito Gustavo Prandini (PV) foi marcado por crises constantes. Para piorar a situação, deu-se início ao processo da perda de mandato, em razão de problemas ocorridos durante a campanha eleitoral e que culminou, no feriado de 12 de outubro de 2009, com o pedido de cassação. O caso durou mais de um ano. Entre os cinco juízes que participaram da decisão, em uma primeira sessão, três já haviam votado favoráveis à cassação. Contudo, o fato de um dos juízes mudar seu voto na decisão final, deixou margem para que se pensasse que houve algum acordo negociado nos bastidores e, durante a votação final, o prefeito, por três votos a dois, conseguiu manter-se no cargo. Tal acordo, conforme se falou nos bastidores, na época, teria sido articulado pelo deputado federal e ex-diretor do Dnit, Alexandre da Silveira, que inclusive recebeu apoio do prefeito Prandini nas eleições de 2010, quando Silveira foi reeleito ao Congresso Nacional. Gustavo, no entanto, pagou caro o preço e saiu com um índice de impopularidade jamais registrado em outra administração, conforme pesquisa de opinião pública. Amaioria dos seus aliados deixou o governo, cuja crise se tentou minimizar com a indicação de petistas para cargos do 1º escalão, entre os quais o do ex-deputado Ivo José, ligado ao grupo de Chico Ferramenta, em Ipatinga. No final, além de ver o grupo do PT abandonar o barco e lançar candidatura própria, em proposta que partiu do até então fiel secretário de Esportes, Gentil Lucas Moreira Bicalho, Gustavo Prandini desistiu de tentar a reeleição em razão de problemas de saúde da esposa. Estava praticamente selado o destino político de João Monlevade e tudo levava a crer que o grupo liderado por Mauri Torres retornaria ao poder, mesmo sem o nome do popular e líder nas pesquisas de opinião, o ex-prefeito Carlos Moreira, que teve seu nome impugnado pela Justiça Eleitoral por crimes de improbidade administrativa, tornando-se inelegível.
Abrindo um parênteses, gostaria de relatar a estratégia usada pelo grupo petista que apoiava o rompimento com o governo prandinista e que, mesmo buscando o nome de Laércio Ribeiro como candidato da agremiação nas eleições de 2012, acabou tendo de aceitar a indicação de Gentil Bicalho, talvez até mesmo pela falta de opção dentro do partido. Posso afirmar que o até então secretário municipal de Esportes usou de uma estratégia que classifiquei de “trairagem” (forma pejorativa de falar da pessoa que trai), pela sua forma de agir. Afinal, mais honesto seria rachar com o governo um ano antes, como desejavam alguns militantes.
Gentil Bicalho já mostrava sua face de “traíra” desde 2012
Era dezembro de 201 1, véspera de Natal, quando cheguei a especular em meu Blog que Gentil Bicalho iria mesmo romper com o governo de Prandini para lançar candidatura própria, pelo PT. Na oportunidade, o então assessor de Comunicação da administração, Emerson Duarte, entrou em contato telefônico comigo, desmentindo a notícia e adiantando que o próprio Gentil me ligaria para comprovar a sua versão. Não demorou mais que meia hora e recebo a ligação do secretário, quando afirmou, de viva voz: – “Marcelo, não há nenhum racha e vamos apoiar a reeleição do Gustavo. Tanto que já foi formada uma Comissão, onde participam eu, o Luiz Cláudio do Patrocínio e Luiz Pena, para coordenar os acordos. Não sou candidato”. No entanto, continuei apostando que ele seria o candidato do PT nas eleições de 2012. E não deu outra, porque meses depois, encontros secretos começaram a surgir entre o próprio Gentil, o secretário Luiz Cláudio e Tadeu Figueiredo, então assessor de Governo, que também fazia parte da leva do Partido dos Trabalhadores que veio “importada” do Vale do Aço para tentar melhorar a imagem do governo diante a opinião pública. O prefeito “dormia” com os inimigos. Afinal, estes foram os líderes do movimento que culminou com o rompimento e o lançamento de uma candidatura própria do PT. Mas que também custou caro, porque o partido se dividiu e petistas que ocupavam cargos de confiança permaneceram no governo, provocando assim a desfiliação de antigos militantes, entre eles do ex-vereador Gilberto Gomes, sua esposa Creuza Gomes e da professora Terezinha Mariano. O próprio vice-prefeito, Wilson Bastieri, mesmo não tendo se desfiliado do PT, permaneceu no governo até o último dia do mandato. Obs: Mas após o término do governo Prandini, todos voltaram a se filiar no PT. Tudo teatro para inglês ver, ou seja, tudo como antes no Quartel de Abrantes!
Àquela altura do campeonato, ou seja, no início de 2012, somente um nome era oficial para tentar o cargo majoritário: o da ex-vice-prefeita, derrotada nas eleições de 2008, Conceição Winter de Carvalho. O grupo do PSDB ainda escolhia o nome, mas caminhava para o empresário Lucien Marques, que já era o preferido de quatro anos atrás, e que, alegando problemas familiares, acabou não aceitando a disputa. Com relação ao Partido dos Trabalhadores, as lideranças queriam o nome do médico e ex-prefeito Laércio Ribeiro, mesmo derrotado em duas eleições seguidas. Ele, no entanto, recusou o convite desde o início e até aceitava apoiar o nome do amigo, ex-vice-prefeito em seu governo, Gentil Bicalho, desde que o apoio começasse da família Bicalho. Lembro-me de uma conversa informal que tive com o Dr. Laércio, dentro do Hipermercado, quando ele me disse: – “Marcelo, o problema de Gentil é que ele não tem o apoio dentro da própria família. Mas caso isso se inverta, estarei junto com ele na campanha”. Dessa forma, Gentil surgia como o “salvador da Pátria”.
Chapas formadas: Gentil Bicalho, que tinha como vice o melhor entre todos, Dr. Laércio Ribeiro. Conceição Winter fechou com uma chapa exclusivamente feminina, tendo como companheira de chapa a vereadora Dorinha Machado. E Lucien Marques teria como vice o nome do Dr. Railton Franklin. Tudo parecia definido com os três nomes, até que, há um dia da convenção tucana, mais uma vez Lucien Marques roeu a corda e deixou o barco à deriva. Durante um telefonema em final de noite para seu candidato a vice na chapa, o ex-vereador Railton Franklin, o empresário alegou estado depressivo, sentindo-se impossibilitado de entrar na campanha. Em acordo fechado na própria casa de Lucien, e com presenças do Dr. Railton, Mauri Torres e Carlos Moreira, houve uma tentativa de lançar o nome do médico, mas ele foi categórico e não aceitou o convite. Sem mistérios – já que talvez o nome estivesse guardado como num jogo de cartas -, por experiência do pai, o nome do advogado Teófilo Torres foi indicado para candidatar-se a prefeito peloPSDB. Dr. Railton continuou como vice. Em relação às eleições proporcionais, após algumas pressões, os vereadores decidiram aumentar apenas uma cadeira no Legislativo, e não cinco, como havia sido acordado entre eles no início do ano. Assim a Casa Legislativa passaria a contar com 11 vereadores a partir de 2013.
*Do Livro “A Saga: Memórias de um Jornalista do Interior” – Parte LXVII
Autoria: Jornalista Marcelo M. Melo!

































