A Igreja de João Monlevade!

A Igreja Matriz São José Operário, de João Monlevade chama a atenção pela sua originalidade e imponência. Plantada no regaço de duas encostas, o Templo levanta a frente cinzenta e larga, olhando por sobre o casario para a Usina. Entre os dois colossos — o da Religião e o do Trabalho — o Rio Piracicaba serpenteia em suas margens abruptas. O estilo é moderno, fugindo ao barroco tradicional de Minas Gerais. Visto do alto, o Templo apresenta a forma de um triângulo isósceles com o vértice voltado para a atividade industrial da Belgo-Mineira. Uma escadaria em forma de “Y”, com quase cem degraus, leva os fiéis até a margem do rio. Por dentro, a simplicidade é arrebatadora. No lugar de colunas douradas, grandes arcadas sustentam cúpulas rasas. Destacam-se as 14 estações da Via-Sacra, esculpidas em pedra com cerca de dois metros quadrados cada, apresentando um rictus fisionômico marcante nos 8 personagens.

O Altar e a Torre!

O altar principal abriga a imagem de São José, Padroeiro de Monlevade. Ao fundo, ergue-se a torre em forma de prisma que, nas manhãs de domingo, ecoa a “brônzea orquestração” dos sinos, convidando os fiéis e ecoando pelas matas da região. O conjunto se completa com a Casa Paroquial de linhas modernas e a mística Gruta de Lourdes, onde a imagem da Virgem e a jovem Bernadette são emolduradas por uma fonte natural que jorra entre musgos e flores.

A Igreja chama a atenção de quantos a visitam, pela Originalidade e Imponência do seu conjunto. Plantada no regaço de duas encostas, que formam um ângulo diedro natural, o Templo levanta a frente cinzenta e larga e olha, de frente e por sobre o telhado do casario, para a Usina que abrange, majestosa, o platô central. Entre os dois colossos — o da Religião e o do Trabalho — o Piracicaba serpenteia, prescrevendo, recortando as margens abruptas o rosário de suas evoluções.

A igreja cai sobre o vale, formando um ângulo de 45 graus. Uma escadaria, em forma de Y e de quase cem degraus, vem buscar cá em baixo, à margem direita do rio, os que demandam o Templo. No ponto de divergência das duas alas superiores da escada, na parte externa, vê-se uma imagem, em meio relevo e tamanho natural, de S. Eloi, empunhando seu báculo e ostentando sua mitra episcopal. Pela parte interna, preenchendo a área que medeia entre as pernas do grande Y e a fachada do Santuário, abre-se um gracioso jardim, um jardim bem cuidado, cujos canteiros vão até os pés da porta central.

O acesso ao Templo é feito pelos dois flancos, servidos por sua vez de dois patamares: pelo lado direito, entram os homens e pelo esquerdo, as mulheres. Esta separação vigora também dentro da Igreja: as Associações religiosas masculinas ocupam as fileiras à esquerda e as mulheres à direita, frente para o altar. Na fachada principal, resguardando a larga testa do frontispício, uma grande cruz, cujas hastes medem de 4 a 5 metros de altura. Internamente, o Templo é dotado de claro bastante iluminado e arejado. O estilo da construção é moderno, puxando mais ao europeu e fugindo ao barroco que prepondera nesta região das Minas Gerais. Visto do alto, perpendicularmente, o Templo apresenta a forma aproximada de um triângulo isósceles com o vértice mais agudo voltado para a atividade industrial da Belgo-Mineira.

Por dentro, a Igreja é de uma simplicidade a um tempo chocante e arrebatadora. Não se veem aqui as colunas de ricas cúpulas e alinhadas de caprichosos arabescos dourados, nem aparece o teto exornado dos coloridos painéis sacros, tão encontrados nas tradicionais igrejas mineiras. Há apenas, servindo de apoio às cúpulas rasas do Templo, grandes arcadas, distribuídas por diversos eixos convergentes ao tipo. No teto superior, porquanto já existe o teto em cujos vãos quadriculares assentam as claraboias, espalham-se, em todos os sentidos das paredes, pequenas frestas abertas em perfil ogival.

Afora o conjunto, que se destaca como admirável sobriedade de linhas, o altar principal, com seu nicho onde assenta as imagens de São José, Padroeiro de Monlevade, compõe ainda por sobre uma central e por par de bases concebidas no formato das duas laterais, abrindo-se em V e convergindo para o altar-mor, onde é avistado o conjunto sacral e o nicho que tem à direita e à frente o patrono.

Este dito altar principal conta com mais dois laterais. As imagens são todas de estilo moderno e entalhadas em pedra, trabalho especial encomendado à “Via-Sacra”. As 14 Estações que cercam o santuário caminhando do corpo ao Calvário, são também esculpidas na pedra, em meio relevo e tamanho natural, ocupando cada uma delas a área aproximada de dois metros quadrados. Notável trabalho de arte moderna, ressaltam nele a originalidade do estilo e o rictus fisionômico dos personagens, o que empresta à Via-Sacra de Monlevade um fascínio peculiar que impressiona a sensibilidade artística e religiosa de quantos apalpam com os olhos e o sentimento o seu conjunto.

Na parte posterior das naves laterais, ficam, ladeando a saída, os confessionários de jacarandá. O Côro, que domina a fachada interna fronteira ao altar-mór, possui um órgão moderno, dispondo também de um aprimorado conjunto vocal e filarmônico.

Como remate ao arrojo arquitetônico de suas linhas sóbrias mas imponentes, a Matriz de São José levanta na linha posterior, a sua torre de pequena altura, em forma de prisma, limitado na parte de cima por um telhado de quatro águas. Do seu bojo, nas manhãs ensolaradas dos domingos e dias festivos, é que se ergue, em brônzea orquestração, a voz dos sinos, convidando os fiéis para o culto sagrado e amedrontando, ao mesmo tempo, a alma bravia das matas que fez pouso em João Monlevade. Alguns metros à direita, na linha de prolongamento da nave lateral, fica a Casa Paroquial, com seus dois pavimentos de linhas modernas, onde o Cônego Higino de Freitas, coadjuvado pelo Padre Henrique, reunia as obrigações religiosas de cada dia o mister, não menos digno, do ensino secundário.

E, como um místico complemento desse harmonioso conjunto, uns cem metros além, encontra-se, à direita, a Gruta de Lourdes, de rara beleza e poesia, na qual a imagem da Virgem aparece em seu nicho de pedras, tendo aos seus pés a jovem Bernadette, enquanto, emoldurando essa apoteose, as águas de uma fonte natural jorram reluzentes à flor do declive, entre musgos e flores.

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