Um pouco da vida de Manoel Martins Gomes Lima, ex-farmacêutico da Belgo-Mineira! – *Edelberto Lima!

Um pouco da história deste farmacêutico que, aos 33 anos, tomou posse como prefeito de São Domingos do Prata, sua terra natal, função que exerceu até 1946. Em eleições realizadas em 23 de novembro de 1947, foi eleito vice-prefeito na chapa encabeçada por Dr. José Matheus de Vasconcelos, tendo permanecido na função até 1951. Na época, não se permitia a reeleição.

Em 1952 foi trabalhar na Belgo-Mineira em Coronel Fabriciano. Em 1954, chega a João Monlevade para ser o farmacêutico responsável pela farmácia da Belgo Mineira. A farmácia ficava no final da galeria da Praça do Cinema e ele residia com a família em cima, local que no futuro virou Rádio Cultura. Em 1956, foi transferido, com a mesma incumbência para Sabará.

Sr. Manoel tinha uma característica marcante segundo o saudoso padre Pedro Vidigal, que eram os poderes de conciliação e de moderação, poderes esses úteis no exercício da espinhosa função de Prefeito, mormente em uma época tão conturbada e de escassos recursos financeiros e técnicos. Saltando o fosso das divisões partidárias, não distinguia adversários políticos e nem amigos, usando essas virtudes para perseguir o ideal que todos almejavam: o bem comum. A bipolarização partidária então existente e as divergências ideológicas e circunstanciais, não constituíam barreiras para o diálogo e a consecução do bem comum. Essas qualidades, que o acompanharam até o fim de sua existência, em muito contribuíram para que alguns benefícios fossem possíveis e carreados para o município e, posteriormente, para o povo humilde de João Monlevade.

Em 1944, nas comemorações do centenário da paróquia de São Domingos do Prata, convidou o “Toiro de Guerra”, de João Monlevade para abrilhantar as solenidades, tendo, nessa oportunidade, comparecido também, o Dr. Geraldo Parreiras, então Diretor da Belo Mineira em João Monlevade. Inspirado no exemplo de João Monlevade, em dezembro de 1945, criou o “Tiro de Guerra” em São Domingos do Prata, propiciando aos jovens pratianos a prestação do serviço militar sem se afastarem da família.

Já em João Monlevade, durante o período em que aqui viveu, o farmacêutico soube realizar aquele princípio de Auguste Comte: “O ser humano deve dedicar a sua vida a viver pelo outro, pois assim renascerá na vida dos seus semelhantes”. Soube também vivenciar esse outro preceito do filósofo Contorce: “É mais suave e útil viver pelo outro, pois assim que se vive verdadeiramente para si mesmo”. Era procurado por pessoas simples do povo, que queriam ouvi-lo não apenas como farmacêutico, mas como conselheiro, como orientador de almas e corações que ele tão bem sabia ser. E, para isso, dava seu próprio exemplo de vida. Quantas vezes, conhecendo a penúria dos mais pobres, doava de seu tempo e de seus recursos para ajudar-lhes a superar uma situação mais difícil, ainda que o fizesse de forma sempre anônima, e lhes oferecia grátis, os medicamentos necessários – que ele manipulava na farmácia em horas avançadas da noite, ou recebia em amostra grátis dos laboratórios farmacêuticos. Quando identificava que o problema era somente psicológico, receitava um placebo e muitos, depois, vinham lhe agradecer pelo “milagroso remédio”.

Quanta falta faria o Sr. Manoel à gente humilde de João Monlevade, quando no final de 1955, não pode recusar um convite de seu amigo, Dr. Geraldo Parreiras, para chefiar a farmácia da Belgo-Mineira em Sabará, em cuja usina Dr. Geraldo Parreiras tornou-se Superintendente.

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