Na fotografia acima, a região central de Carneirinhos, quando ainda haviam casas populares ao longo da Avenida Getúlio Vargas, na região com a Rua Ricardo leite
Não muito distante das terras do Senhor de Monlevade, foi-se formando gradativamente uma pequena povoação, constituída principalmente de pequenos agricultores. Cortadas por alguns córregos, as terras eram relativamente férteis, o que possibilitava a seus habitantes tirar delas o seu sustento e trocar, no mercado de São Gonçalo do Rio Abaixo, um pouco daquilo que produziam. Vestidos geralmente de branco, atravessavam aquelas colinas verdejantes no trabalho diário, o que lhes valeu o nome de “carneirinhos”, denominação que seria posteriormente emprestada à localidade.
Lenda ou não, o fato é que, com o tempo, o nome CARNEIRINHOS passou a significar futuro e esperança para muitas famílias que ali se instalaram e se dispuseram a batalhar pelo progresso, deslembrados dos pacatos “carneirinhos” do início do século. Vieram os Bicalhos, os Paula Santos, os Loureiros, os Gomes Lima, os Pereira Lima, os Martins, os Bragas, os Cândidos e tantos outros. Na esteira de seus passos, inúmeras outras famílias que não conseguiram abrigar-se sob as asas protetoras da siderúrgica das terras vizinhas.
Durante muito tempo, viveu Carneirinhos à sombra do progresso e em função da vida que regurgitava nas antigas terras do Senhor de Monlevade. Nos anos 1940/50, Carneirinhos foi símbolo de pobreza e de atraso: sem água, sem energia elétrica, sem esgoto, sem comércio, sem escolas, sem médico, sem calçamento. De Rio Piracicaba, sede do município desde 1911, nada recebia, e seu nível de vida ficava cada vez mais distante daquele do centro industrial, que recebia constantes melhorias da Belgo-Mineira. Tão distante, a ponto de suscitar entre as duas localidades uma certa rivalidade que só o tempo se encarregaria de apagar.
Fazendas e Escravos!
Ali na Avenida Getúlio Vargas,no local onde funcionava uma Lanchonete, em frente à Igreja velha de Carneirinhos, havia uma enorme Fazenda, de propriedade de João Batista de Oliveira. Sua esposa, Ruty Rodrigues de Oliveira, com seus poucos conhecimentos como dona de casa, tornara-se a primeira professora da região, quando a Escola funcionava no próprio Casarão da Fazenda. Outras três fazendas estavam instaladas no local que é hoje a Avenida Getúlio Vargas. E, mesmo após o fim da escravidão em nosso país, ainda chegavam por aqui escravos que fugiam de outras fazendas da região.
Cria-se o Distrito!
Em 27 de dezembro de 1948, com a promulgação da Lei Estadual número 336, criou-se o DISTRITO DE JOÃO MONLEVADE, integrando numa só circunscrição administrativa as antigas terras do Senhor de Monlevade e as propriedades dos pacatos “carneirinhos”, desanexadas do distrito-sede de Rio Piracicaba. Fecharam este período fatos bastante significativos: a ereção da Paróquia de São José Operário e a nomeação de seu primeiro pároco, Cônego Dr. José Higino de Freitas (1948), a instalação do Cartório do Registro Civil (1949), a fundação do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos (1951), a inauguração do Hospital Margarida (1952), a criação do Ginásio Monlevade (1955) e a formação da Comissão Pró-Emancipação (1958).
Chegada do Progresso!
Uma das pessoas que conseguiu trazer benefícios para Carneirinhos, acreditando no seu progresso, foi o saudoso Totó Loureiro. Sua liderança era respeitada, apesar de nunca ter sido político. Mas ele contava com sua influência, e foi através de suas ações que Carneirinhos começaria a ganhar cara nova. O asfalto chegou entre 1964/65 na principal via de acesso do bairro. Junto ao “Bar do Bio” foram sendo instalados outros estabelecimentos comerciais, como o prédio do “Zé Machadinho” (o 1º prédio de Carneirinhos). Havia dois matadouros e um campo de futebol atrás do Cinema, na Rua Brasília. Um dos principais times da região era o Papini, formado por funcionários da Cerâmica do Sr. Antônio Papini. E também já havia a Livraria Kennedy.
Na fotografia abaixo, a Avenida Getúlio Varga, ainda sem calçamento, e com destaque o prédio onde funcionou o Cine São Geraldo, em Carneirinhos, de propriedade de Nicolau Alves Fernandes e Onofre Francisco de Oliveira. Pelo cenário, era um dis de domingo, com várias pessoas passeando pela rua e à esquerda o velho ônibus Ciferal, que fazia o transporte coletivo no lugar

Na foto abaixo, na década de 1960, o que era o antigo Carneirinhos. Cresceu tanto que foi subdividido em bairros, e aqui pode-se ver parte dos bairros Novo Horizonte e Alvorada, aparecendo em 1º plano a Rua Louis Ensch. Atrás dela as ruas Joana D´arc e Pedro Bicalho. À direita o cemitério de Carneirinhos e um trecho da Avenida Getúlio Vargas. Ao alto, na parte central da fotografia, a Rua Alberto Scharlé

A Farmácia central, primeiro prédio construído em Carneirinhos, na década de 1960

Lojas da antiga “Bemoreira Ducal”, onde se vendia os melhores eletro-domésticos, localizada onde encontra-se hoje a Padaria “Pão com Manteiga”, em frente ao cinema de Carneirinhos. Naquela época, havia feira livre aos domingos na Avenida Getúlio Vargas, como se vê na foto

Abaixo, a antiga “Casas Santos”, localizada na Avenida Getúlio Vargas, onde depois funcionou o “Bar do BIo” (Irmãos Loureiro) e hoje está o Restaurante “Búfalo Bill”, em frnte à Igreja velha

Aqui o Bairro Rosário, que até os anos 1960 era conhecido como “Jacaré”, devido às árvores da espécie que havia na região, em grande quantidade

Grande festa durante a inauguração do 1º trecho da Avenida Wilson Alvarenga, em 1972

Pesquisa e texto: Jornalista Marcelo Melo!
Fotos do Arquivo do “Morro do Geo”!
































