Um pouco da história de Carneirinhos!

Não muito distante das terras do Senhor de Monlevade, foi-se formando gradativamente uma pequena povoação, constituída principalmente de pequenos agricultores. Cortadas por alguns córregos, as terras eram relativamente férteis, o que possibilitava a seus habitantes tirar delas o seu sustento e trocar, no mercado de São Gonçalo do Rio Abaixo, um pouco daquilo que produziam. Vestidos geralmente de branco, atravessavam aquelas colinas verdejantes no trabalho diário, o que lhes valeu o nome de “carneirinhos”, denominação que seria posteriormente emprestada à localidade.

Lenda ou não, o fato é que, com o tempo, o nome CARNEIRINHOS passou a significar futuro e esperança para muitas famílias que ali se instalaram e se dispuseram a batalhar pelo progresso, deslembrados dos pacatos “carneirinhos” do início do século. Vieram os Bicalhos, os Paula Santos, os Loureiros, os Gomes Lima, os Pereira Lima, os Martins, os Bragas, os Cândidos e tantos outros. Na esteira de seus passos, inúmeras outras famílias que não conseguiram abrigar-se sob as asas protetoras da siderúrgica das terras vizinhas.

Durante muito tempo, viveu Carneirinhos à sombra do progresso e em função da vida que regurgitava  nas antigas terras do Senhor de  Monlevade. Nos anos 1940/50, Carneirinhos foi símbolo de pobreza e de atraso: sem água, sem  energia elétrica, sem esgoto, sem comércio, sem escolas, sem médico, sem calçamento. De Rio Piracicaba, sede do município desde 1911, nada recebia, e seu nível de vida ficava cada vez mais distante daquele do centro industrial, que recebia constantes melhorias da Belgo-Mineira. Tão distante, a ponto de suscitar entre as duas localidades uma certa rivalidade que só o tempo se encarregaria de apagar.

Ali na Avenida Getúlio Vargas,no local onde funcionava uma Lanchonete, em frente à Igreja velha de Carneirinhos, havia uma enorme Fazenda, de propriedade de João Batista de Oliveira. Sua esposa, Ruty Rodrigues de Oliveira, com seus poucos conhecimentos como dona de casa, tornara-se a primeira professora da região, quando a Escola funcionava no próprio Casarão da Fazenda. Outras três fazendas estavam instaladas no local que é hoje a Avenida Getúlio Vargas. E, mesmo após o fim da escravidão em nosso país, ainda chegavam por aqui escravos que fugiam de outras fazendas da região.

Em 27 de dezembro de 1948, com a promulgação da Lei Estadual número 336, criou-se o DISTRITO DE JOÃO MONLEVADE, integrando numa só circunscrição administrativa as antigas terras do Senhor de Monlevade e as propriedades dos pacatos “carneirinhos”, desanexadas do distrito-sede de Rio Piracicaba. Fecharam este período fatos bastante significativos: a ereção da Paróquia de São José Operário e a nomeação de seu primeiro pároco, Cônego Dr. José Higino de Freitas (1948), a instalação do Cartório do Registro Civil (1949), a fundação do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos (1951), a inauguração do Hospital Margarida (1952), a criação do Ginásio Monlevade (1955) e a formação da Comissão Pró-Emancipação (1958).

Uma das pessoas que conseguiu trazer benefícios para Carneirinhos, acreditando no seu progresso, foi o saudoso Totó Loureiro. Sua liderança era respeitada, apesar de nunca ter sido político. Mas ele contava com sua influência, e foi através de suas ações que Carneirinhos começaria a ganhar cara nova. O asfalto chegou entre 1964/65 na principal via de acesso do bairro. Junto ao “Bar do Bio” foram sendo instalados outros estabelecimentos comerciais, como o prédio do “Zé Machadinho” (o 1º prédio de Carneirinhos). Havia dois matadouros e um campo de futebol atrás do Cinema, na Rua Brasília. Um dos principais times da região era o Papini, formado por funcionários da Cerâmica do Sr. Antônio Papini. E também já havia a Livraria Kennedy.

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