Primeiros Contatos com os Poderes!

Nesse ínterim, minha história como repórter policial e político seguia  carreira.  Cobrindo  as  reuniões  da  Câmara  Municipal  – mandado  1983/88  -,  na  época  formada  por  Wilson  Vaccari, Itamar  Gomes  Martins,  Sebastião  de  Castro,  Sebastião  de  Souza (Tião  da  Ótica),  Braz  Gandra,  Tereza  Salomão,  Vicente  de Souza  Dias  (Tinô),  José  Mariano  Pena  Neto,  Reinaldo Evangelista  Alves,  Wilson  Bastieri,  Gentil  Bicalho,  Toninho Torres,  João  Bosco  Paschoal,  Sebastião  Vieira  Nunes  (Tatá)  e Rafael  Arcanjo  de  Oliveira.  O  prefeito  era  Germin  Loureiro(Bio)  e  o  vice-prefeito  o  médico,  Dr.  Custódio  Moreira  de Alvarenga.  Um  período  de  muitas  denúncias  e  o  jornal  “A Notícia”  teve  papel  fundamental  para  que  ocorresse  uma renovação  quase  que  total  no  Legislativo,  nas  eleições municipais  de  1988.

As reuniões ordinárias do Legislativo eram marcadas muitas vezes por críticas contra a direção do semanário. Afinal, pela primeira vez na história da imprensa monlevadense, havia um jornal mais combativo e menos parcial. E o principal legislador que fazia uma campanha acirrada contra o “A Notícia” era o presidente da Casa, vereador Wilson Vaccari. Mas não era o único; afinal o semanário incomodava e não dava trégua aos vereadores, ou melhor, aos dois  poderes.  Marcação cerrada e a todo  tropeço  dos representantes do povo, uma matéria era capa na edição de sexta-feira.

Tornei-me o  repórter  que  cobria  as  reuniões semanalmente, num  tempo em  que  as  discussões  eram  acirradas  e  sempre  marcadas  por  assuntos  polêmicos.  E, paralelo  ao jornal “A Notícia”,  havia ainda outros órgãos de imprensa, como a  Revista  “Mostrar”,  de  periodicidade  mensal  e que  havia  sido  fundada  em  1980,  a  partir  da  “Nega”,  pelo jornalista  Otávio  Viggiano  Filho  (Tavinho); que  também  tinha  uma linha  editorial  mais  independente  e  incomodava  o  Poder  Legislativo.  Lembro-me de  que,  naquela  época,  através  de  uma iniciativa  do  então  vice-presidente  da  Câmara  Municipal, vereador  Sebastião  Vieira  Nunes  (Tatá),  foi  proposta  a  inserção de  um  projeto  concedendo  o  título  de  “Personas  non  Gratas”  aos jornalistas  Márcio  Passos  e  Tavinho  Viggiano,  e  o  fato  somente não  se  concretizou  porque,  mesmo  tentados  a  aprová-lo,  a maioria  da  edilidade  resolveu  não  se  arriscar e comprar uma briga ainda maior. No dia a dia da  profissão,  novas  aventuras  e  surpresas.  O  jornalismo,  naquele  início  de  carreira,  era  o  que  mais  desejava. Pela pouca  idade  e  inexperiência,  às  vezes  me  sentia o dono da razão, como  se  tivesse  o  mundo  em  minhas  mãos.  Até  que  um  fato  me fez  apaixonar  ainda  mais  pela  profissão.  O  momento  era propício  para  uma  entrevista  com  o  prefeito  Germin  Loureiro, “Bio”.  Era  preciso  aproveitar  o  período  de  turbulência  no  governo do  então  prefeito.  O próprio prefeito estava  insatisfeito  com  a  sua equipe  –  que  ainda  não  tinha  o  status  de  secretários,  mas  sim  de assessores.  E o chefe  do  Executivo,  homem  sério  e  sempre zeloso  com  o  serviço  público,  havia  decidido  dar  o  famoso “murro  na  mesa”.  Foi aí  que  entrou  o  Márcio  Passos  como  bom repórter.  Foi marcada  uma  entrevista  com  Bio,  onde  o  prefeito, literalmente,  “soltou  os  cachorros”.  Decidiu  naquelas  horas,  em conversa  com  o  jornalista,  lavar  “roupa  suja”  publicamente. Sem medo de  falar, e sincero como sempre foi, o  prefeito  Germin  Loureiro  fez  duras críticas  à  sua  equipe  de  1º  escalão,  entre  eles  o  próprio  irmão, Zeca  Loureiro,  que  era  seu  assessor  de  Governo.  Tão  logo  foi publicada  a  entrevista  no  “A Notícia”,  todos  os  exemplares  se  esgotaram nas bancas.  Três secretários renunciaram ao  cargo: o próprio Zeca  Loureiro  (assessor  de  Governo),  Walter  Lima  (diretor  do DAE)  e  Adhemar  Carvalho  (Assessor  de  Comunicação  e Relações Públicas).  Walter retornou ao cargo, assim  como  o irmão  do  prefeito,  Seu  Zeca. 

Lembro-me da  felicidade estampada na cara do diretor, quando saímos por Carneirinhos para  sentir  a  repercussão  da  matéria.  Eram comentários em todas  as  esquinas,  bares,  praças,  bancas  de  revistas.  Como “foca”, pairou  a  sensação  de  que  a  imprensa  viria  mesmo  a  ser  a“minha cachaça”.  Um misto  de  overdose  de  poder  e  adrenalina pura. Decididamente  esta  seria  minha  profissão.

*Do Livro A Saga: memórias de um Jornalista do Interior” Parte II

Autoria: Jornalista Marcelo M. Melo!

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