Nasce a Vila entre Montanhas!

Vista da cidade antiga, onde aparecem as quatro cúpulas, tendo à frente a obra do Viaduto, que ligava o centro às ruas construídas na área da Usina. Ainda o majestoso conjunto arquitetônico onde foram construídos clubes e abaixo a praça do Mercado. A linha férrea e mais abaixo o prédio do Lactário, um ideal de Louis Ensch, que servia aos filhos dos operários o leite balanceado. Cultura européia

Primeiramente, os extensos aterros, trabalhos de terraplanagem em que milhões de metros cúbicos de terra foram removidos transformando-se em planos previamente arquitetados; vieram, a seguir, os grandes silos, as enormes coberturas de cimentos, as estruturas e vigamentos de aço, as chaminés e os fornos. Num crescimento incessante, aqueles desenhos, cartas e projetos, que enchiam os escritórios técnicos da Companhia, tomavam a forma real.

Abaixo, o lançamento da pedra fundamental, em 31 de agosto de 1935, com a presença do então presidente da República, Getúlio Vargas


Aproveitando-se do acidente aspecto topográfico da região, eriçado de morros, o Dr. Louis Ensch, em seu plano original, serviu-se de fatores que, aos olhos de um leigo, seriam considerados elementos desencorajadores de qualquer iniciativa, para fazer realizarem um plano urbanístico que hoje se delineia claramente, mostrando a propriedade com que se adaptou às contingências locais.

Colocando as construções industriais no centro de um grande “plateau”, conseguido à custa da remoção de 2 milhões de metros cúbicos de terra, fez construir ao seu redor, à direita e à esquerda, acima e abaixo, os diferentes grupos residenciais, que se alicerçaram nas encostas dos morros, dando ao conjunto uma visão de rara beleza, que somente a união da natureza com o empenho humano poderia arquitetar. Não se descuidando do aspecto social dos seus empreendimentos fez construir cerca de 2.500 residências definitivas, destinadas ao empregados da Usina, que nelas encontram todos os requisitos de conforto e higiene. Para os estabelecimentos de caráter público, foi previsto um conjunto arquitetônico centralizando os principais edifícios da verdadeira cidade que ali surgiu, com prédios para escola, assistência, cinema, lojas, mercado etc.

O culto religioso teve pela mesma forma o seu templo, com a magnífica Igreja que ocupa, sozinha, o topo de uma elevação, à direita do Rio Piracicaba, de onde domina a Vila Residencial que se estende ao longo de suas margens.

Em lugares apropriados, fez construir praças de esportes e hospitais, entregando à população de Monlevade por ocasião da passagem do 25º aniversário de sua administração, um moderníssimo centro hospitalar, com capacidade para 250 leitos, dotados dos mais perfeitos requisitos da técnica hospitalar.

Quanto à parte industrial dita, em Monlevade, a indústria brasileira, marcou, para orgulho de Minas Gerais, as épocas mais importantes do nosso progresso. Com efeito, ali foram laminados os primeiros trilhos da América do Sul, justamente num momento crucial da nossa história; com as importações impedidas, devido à segunda Guerra e sem ligação férrea do norte com o sul, o governo federal encontrou, na audaciosa coragem do Dr. Louis Ensch, a colaboração imprescindível. Assumindo, com o então Ministro da Viação, Gal. Mendonça Lima, em fins de 1942, o compromisso de dar trilhos ao Brasil dentro de 12 meses, o Dr. Ensch cumpriu a sua promessa, construindo em suas próprias fundições e oficinas um novo laminador capaz de produzir 100 quilômetros de trilhos pro mês. Estes trilhos muito contribuíram para a unidade nacional, permitindo a ligação da E. F. Central do Brasil com o sistema ferroviário da Leste Brasileiro, em território baiano.

Um dos dias mais tristes na história de Monlevade: o anúncio da morte do pai da siderurgia nacional, Louis Jacques Ensch, que faleceu em Luxemburgo e escolheu João Monlevade para seu descanso eterno. Aqui, durante o féretro, sendo o caixão carregado por operários e pessoas que conviveram com o imortal Dr. Ensch


Passada a conflagração, reiniciou o Dr. Louis Ensch a expansão constante da Usina de Monlevade, introduzindo instalações únicas no Brasil, tais como: maquinária especializada para produção de arames de alta qualidade; fábrica de tubos galvanizados, que libertou o Brasil da necessidade de importação deste produto; a famosa Usina de Sinterização, que permitiu o aproveitamento racional do nosso minério de ferro com grande economia de combustível, solucionando um problema técnico que desafiava a coragem de todos os nossos industriais siderúrgicos; finalmente, um laminadouro reversível, para fitas de aço destinadas a uma série de indústrias subsidiárias e que está garantindo o desenvolvimento de várias indústrias de artefatos de ferro e aço no território nacional, especialmente em Minas Gerais, E, pois, com a mais legítima satisfação que o Dr. Louis Ensch pode contemplar os seus empreendimentos em nosso Estado, certo de que, na história do nosso desenvolvimento industrial, o seu nome ficará para sempre caracterizando o verdadeiro pioneiro que abriu caminho e deu exemplo às gerações futuras.

*Extraído do Livro editado pela Cia. Siderúrgica Belgo-Mineira, em 1953, quando das comemorações dos 25 anos de administração do Dr. Louis Ensch.

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