Matriz de São José Operário: marco de nossa história religiosa!

Vista parcial do símbolo religioso de João Monlevade, a Mattriz de São José Operário

No dia 25 de setembro de 1948, sendo Pio XII o Pontífice máximo da Igreja e Dom Helvécio Gomes de Oliveira o Arcebispo Metropolitano de Mariana, foi solenemente instalada a Paróquia de São José de Monlevade, exatamente três meses antes da promulgação da Lei Estadual nº 336, de 27 de dezembro de 1948, que criou o Distrito de João Monlevade.
O povoado estava em festa. Era o último dia de um Tríduo Regional, programado pelo Capelão-Cura, Pe. Dr. José Higino de Freitas, em preparação ao V Congresso Eucarístico Nacional, prestigiado pela presença do Arcebispo Dom Helvécio Gomes de Oliveira. Naquele dia, terminada a Conferência, o Pe. Dr. José Alves Trindade, Secretário Geral do Arcebispado de Mariana, procedeu, do púlpito, à leitura do documento de ereção canônica da nova Paróquia. Nos termos do decreto, datado de 24 de setembro, o território da nova paróquia compreendia o núcleo populacional de João Monlevade, incluindo a chamada Vila Tanque e Baú, e os povoados de Carneirinhos e Jacuí de Cima (atual Cruzeiro Celeste). No mesmo dia, o Arcebispo anuncia e proclama o nome do primeiro Pároco: Pe. Dr. José Higino de Freitas.

Esse, o marco histórico, formal, oficial, testemunhado pelo Arcebispo, pelo jovem Pároco, por outros sacerdotes que aqui vieram para a solenidade, pelos Engenheiros Louis Jacques Ensch, Joseph Hein, Albert Sharlé e Geraldo Parreiras, Diretores da então Belgo-Mineira, e por uma parcela expressiva da população, já organizada em florescentes associações religiosas.

O cenário da solenidade era magnífico: “o Santuário de São José, construído em forma de V, verdadeira fortaleza sagrada, suspensa entre a folhagem da verdejante colina que domina as duas margens do Rio Piracicaba”, como se expressou o Pe. Pedro Sarneel, grande latinista, professor do Colégio do Caraça, autor dos versos latinos inscritos na pedra do altar, nos sinos e no nicho onde se encontra a esultura de Santo Elói. Concepção originalíssima do arquiteto Dr. Yaro Burian, a Matriz de São José, única do mundo em forma de V – de Vereda, Verdade e Vida – ganhava, na brancura de suas linhas arquitetônicas, recortadas no verde da vegetação, o status de sede da primeira paróquia operária do Vale do Aço.

A data, a festa, o marco histórico e o templo – ícone que se eternizaria como imagem-símbolo do futuro município de João Monlevade… E a história? Essa se vinha desenhando em outras veredas, construídas pelo ardor de uns tantos missionários que construíram com sua fé e seus trabalhos os fundamentos de uma cristandade já com dez anos de caminhada.

Procissão no ano de fundação da Igreja, com barracas ao lado


Com efeito, o jovem pároco Pe. Dr. José Higino de Freitas, zelosamente registrara no Livro de Tombos IA da nova paróquia, às fls 29 e 30, fatos que resumem essa caminhada e que transcrevo com fidelidade: “A princípio, toda a assistência religiosa constituía na celebração de uma missa, uma vez, mensalmente. Aqui chegava o cooperador do Padre Manuel Pinto, pároco de Rio Piracicaba, celebrava a missa ao ar livre, junto do primitivo Grupo Escolar situado na Praça do Cinema, fazia os batizados e se retirava. Em maio de 1942, foi nomeado pároco daquela paróquia, em substituição ao Padre Pinto, alquebrado pelos anos, o Padre Dr. Levi de Vasconcellos Barros, que começou a dar maior assistência ao povo, religiosamente, quase abandonado. Ele fundou as associações religiosas. Pouco depois, veio residir no velho Solar de Monlevade, como capelão do Hospital, o Cônego Domingos Martins. Ele transformou em Capela um quarto da construção que existe ao lado da Fazenda Solar (onde havia já a ermida de São João Batista) e aí mantinha o Santíssimo Sacramento, era celebrada, diariamente, a Santa Missa e atendidas confissões, batismos urgentes, etc etc. Em 1º de outubro de 1944, aqui chegou o Revmº Padre Almir de Resende Aquino (a essa altura, o Cônego Domingos passara a residir em Coronel Fabriciano) com o título de Capelão-Cura, encarregado de preparar a criação da paróquia. Lançou-se com ardor à sua tarefa até que, em novembro de 1945, foi substituído em caráter provisório pelo autor destas linhas.”

O 1º Batizado e o 1º Casamento

E a sua história também é marcada por tradicionais festas religiosas que mobilizam os cidadãos das cidades vizinhas, como a vinda das missões, Semana Santa, Corpus Christi e a festa do Padroeiro. O primeiro batizado realizado na Matriz São José Operário foi em 10 de dezembro de 1944. O menino tem o nome registrado no livro da igreja apenas como José, nascido em 27 de maio de 1944, filho de Joaquim Moisés e Maria da Conceição, e foi celebrado pelo padre Almir de Resende Aquino.O primeiro casamento foi realizado em 3 de janeiro de 1945, às 16:00 horas, em cerimônia realizada também pelo padre Almir.

Nos primeiros anos de sua instalação havia naves separadas para homens, mulheres e casais, conforme mostra a foto abaixo. Ordem do Cônego Higino

*Pesquisa e Texto: Geraldo Eustáquio Ferreira (Professor Dadinho)

Esta matéria foi publicada na edição de nº 125 do jornal “Morro do Geo”, de setembro/2008.

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