Biografia: Jônathas de Oliveira! O “Joanico do Cartório”

Jônathas de Oliveira (foto acima) – conhecido popularmente como “Joanico do Cartório” – nasceu em Rio Piracicaba em 10 de março de 1890. Desde cedo, revelou acentuado pendor pela música, tendo tocado na Banda Lira Mineira, da qual foi maestro por cinqüenta anos. Foi também um grande lutador: começou como pedreiro, fazendo reparações nas fazendas da Villa de Piracicaba; atuou como comerciante, em seus mais diversos ramos; trabalhou ainda como estafeta, fazendo, muitas vezes a pé, o percurso para Santa Bárbara, Alvinópolis, Barão de Cocais e São Domingos do Prata. Em 22 de abril de 1919, casou-se com Azulina de Oliveira, da família dos Baptista de Oliveira, sendo, portanto, parente próximo da noiva que escolhera.

No plano familiar, construiu sólida e numerosa família, conseguindo que todos se formassem e se constituíssem em bons profissionais. As filhas, em número de nove, Maria de Lourdes, Maria José, Maria Luzia, Maria Aparecida, Maria da Anunciação, Maria da Conceição, Maria das Graças, Maria Ângela e Maria Martinha, estudaram no Colégio Providência, de Mariana e, praticamente, todas atuaram como professoras em João Monlevade. O único filho rapaz, José Maria, integrou a turma pioneira do Ginásio Monlevade, formou-se em Direito pela UFMG e leciona na Universidade Federal de Itajubá.

Tendo sempre uma postura de homem de bem, dotado de equilíbrio, sobriedade e generosidade de coração, tornou-se pouco a pouco figura bastante popular e querida em Rio Piracicaba, que lhe confiou o exercício da vereança por vários mandatos.

A partir de 1934, começou a atuar em João Monlevade, onde instalou uma agência lotérica. Em 1948, com o desmembramento do Distrito de Monlevade do município-sede de Rio Piracicaba, foi designado escrivão interino do Cartório do Registro Civil, cargo que ocupou por um ano. Confiando no desenvolvimento que se prenunciava com a criação do novo distrito, e também em função dos filhos menores que precisavam de uma escola melhor, acabou transferindo-se, definitivamente, em 1950, com toda a família, para João Monlevade.

Mudança para João Monlevade

Assim, recomeçou em João Monlevade, aos 60 anos, uma nova etapa em sua existência. Com a emancipação de João Monlevade, em 1964, foi convocado a colaborar e não negou sua contribuição: integrou como vereador a Primeira Câmara Municipal de João Monlevade, partilhando a experiência adquirida em Rio Piracicaba, nos vários mandatos que exercera.

Viveu as alegrias da terceira idade cercado pelo carinho da família, especialmente dos netos e bisnetos. Uma sombra, entretanto, veio toldar-lhe a alegria sempre constante: a morte de Dona Azulina, sua esposa, em 1976, após 57 anos de feliz vivência matrimonial, marcada por inúmeros exemplos de vida. Vencido esse e outros golpes da vida, sobreviveu ainda alguns anos, falecendo em Belo Horizonte, no hospital Felício Rocho, em 30 de julho de 1986. Vivera exatamente 96 anos.

De Jônathas de Oliveira – ou simplesmente Joanico – pode-se dizer, sem sombra de dúvida, que foi o primeiro mestre em cidadania que Monlevade conheceu e a quem muito deve. Tendo sido o “homem justo que floresce como a palmeira” (Sl 91,13), sua memória florescerá e produzirá frutos por muitas e muitas gerações.

*Pesquisa e Texto: Geraldo Eustáquio Ferreira (Professor Dadinho)

Esta matéria circulou na edição de nº 126 do jornal “Morro do Geo”, de outubro/2008.

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