Uma crônica para João Monlevade! Marcelo Melo

Oi o trem… vem surgindo de trás das montanhas azuis… oi o trem! Passando pela Tocantins, Paraúna…

João Monlevade completará no próximo dia 29 deste mês de abril, seu 45º aniversário de emancipação político-administrativa. Parabéns, minha querida “Jean Monlé”, como a apelidou o amigo Rogério “Cabeçudo”. Ou “João Romão”, como dizem outros. E por ser monlevadense da gema, que amo tanto este lugar. Às vezes dá vontade de sumir daqui, chutar o balde mesmo, mas só de dar um pulinho ali em BH, ou em outro canto, já fico com saudade dela.

Monlevade de montanhas e do minério e, mesmo sendo tão nova, tens uma história mais que centenária, desde aquele francês que por aqui chegou, construiu as Forjas Catalã e deixou como herança, não apenas a siderurgia nacional, mas também o Solar Fazenda Monlevade, nosso símbolo natural. Pois é, mas precisamos acertar algumas contas, lhe pedir desculpas e vencer alguns obstáculos. Precisamos criar um movimento para fazer com que mais monlevadenses tenham um carinho especial por você. Afinal, estão lhe tratando muito mal. E não é de agora! Isso é velho. Estão pensando que você não tem sentimento e até deixaram as flores de suas praças abandonadas, tristes…

Tenho andado pelo seu chão, de cabo a rabo, do Cruzeiro Celeste ao Jacuí, passando pela Vila Tanque, Areia Preta, Baú, Satélite, seus filhos mais experientes e sinto que há muitos calos nesses passos. As rugas começaram a aparecer. Meio precocemente.

Afinal, ainda está um pouco longe dos 50. É o sofrimento causado pela vida doida e agitada. E dessa crise que não quer acabar. Mas, deixa pra lá. E, se Deus quiser, eu quero estar aqui, bem vivo, para participar da festa do seu cinqüentenário.

Estranho, mas agora que eu atinei: você, João Monlevade, é mais nova do que aquilo que a sua terra produziu, a Usina da Belgo-Mineira, que já estará completando 74 anos daqui a quatro meses. A mãe mais nova do que a filha. Por isso você é uma cidade tão atípica, João Monlevade. E eu me lembro de tantas coisas que passamos juntos. E quando você nasceu, eu tinha apenas cinco anos de idade. Tivemos uma parte da adolescência e juventude em comum. Freqüentávamos os mesmos ambientes e gostávamos dos mesmos brinquedos. Tenho saudade daquele tempo, ainda do Rampa´s e do armazém e do morro do mesmo Geo. Da praça do Cinema e das paqueras em frente ao Colégio Estadual. Do futebol de salão no Grêmio e dos bailes do Ideal. É, mas isso é passado e temos de viver o seu presente. Bom, já é tarde. Falamos mais amanhã. Um abraço, querida mátria!

Tenho de pegar o trem, uai!

*Este artigo eu escrevi no ano de 2009 e foi publicado na edição de nº 132 do jornal “Morro do Geo”, de abril/2009.

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