A História do Coral Monlevade!

Sob a batuta do maestro Luciano Lima, o Coral Monlevade, em princípio, encantou por mais de três décadas seguidas. Aqui, nos anos 1970, durante apresentação no saudoso Cine São Geraldo. Mas depois retornou às atividdades

O Coral Monlevade foi fundado em 1960 na Escola Profissionalizante do Senai, com apoio do então diretor do estabelecimento, João de Oliveira Freitas. O idealizador foi Luciano Lima, um músico prático e apaixonado pelo canto-coral. No entanto, Luciano acabou indo para o  Exército e ficou por um ano. O Coral-Escola se transformou em formação de gosto musical, para todas as séries do Ginásio Industrial. Daí a ideia de se formar o Coral Monlevade. Houve muita batalha no início para a formação de cantores, já que Monlevade não tinha experiência na área. A experiência única era do Coral Pio X, com o maestro José Silva, mas cantava apenas cantos religiosos, sempre acompanhado de Harmônio e outros instrumentos.

O Coral “Pio X” foi a primeira referência para se formar o Coral Monlevade. Aqui, o Maestro José Silva (3º da esquerda para a direita, na primeira fila), junto ao Cônego Higino e o Maestro Lelé

A proposta do Coral Monlevade era diferente. Seria para formar um coral misto “a capela” (sem acompanhamento), cujo protótipo maior na época em Minas Gerais era o Madrigal Renascentista. Aí entrou a ajuda de Moyara Ribeiro Ferreira, ex-integrante do Coral Universitário de Belo Horizonte, hoje o Ars Nova. Era também professora da Belgo-Mineira. Aos poucos formou-se um grupo que ensaiava na sala 6 do Ginásio Monlevade e, às 20 horas, do dia 26 de maio de 1963, era fundado oficialmente o Coral Monlevade.

A ata de fundação foi lavrada pelo secretário, José Alencar Rocha. Participaram daquela reunião Luciano Clemente Mendes Lima, Juventino Gomes Formiga, Carlos Lourenço, José Alencar Rocha, Divino de Oliveira, José Barbosa e as senhoras Gilda Moreira Mendes Lima, Maria da Conceição Horta Rocha, Marlene Soares e Moyara Ribeiro Ferreira.

Abaixo, a apresentação do Coral Monlevade no ano de 1963, logo após a sua fundação, em um de seus primeiros Concertos, no Cine Monlevade, sob a regência do Maestro Luciano Lima

O Coral Monlevade começava a sua caminhada e nem imaginava se tornar um dos mais brilhantes de canto-coral em nível internacional

Mais um flagrante do Coral, durante apresentação no Social Clube, com o maestro Luciano Lima à frente

  O Coral Monlevade passou por várias etapas e foi regido pelo Maestro Luciano Lima de 1963 até 1966, quando  se afastou do Grupo por problemas particulares, dedicando-se mais ao seu trabalho na Usina da Belgo-Mineira. Dessa forma, assumiu a regência o professor Vicente Soares, que regeu o Coral até 1973 e foi durante este período que registrou seus primeiros estatutos. No entanto, a partir de 1972, o Maestro Luciano Lima assumiu novamente a regência do Coral e passou por grande apuro técnico, tornando-se um dos melhores do estado de Minas Gerais.

  O episódio foi recheado de polêmica na época, e o próprio Vicente Soares relatou que, devido ao intercâmbio que o Coral conseguiu sob sua batuta, participando de concertos e festivais não apenas em Monlevade, mas também em outras cidades, entre elas Belo Horizonte, Ouro Preto e Vitória, o sucesso teria gerado ciúmes, provocando o retorno de Luciano Lima. Vicente Soares relatou ainda que foi o saudoso José Alencar da Rocha quem intermediou a sua conversa com Luciano Lima.

 Não obstante os períodos de ‘’recesso’’, fez história na cidade, apresentando-se numerosas vezes em eventos cívicos, culturais e religiosos, com o sempre esperado Concerto de Natal e, participando de eventos regionais e nacionais, projetou o nome do município além das fronteiras do próprio estado de Minas.

Flagrante de uma apresentação com o maestro Vicente Soares

Ano a Ano, a trajetória do Coral

1963/65: Dois concertos de gala no Cine Monlevade e outras apresentações sob a regência do Maestro Luciano Lima.

1966/73: Concertos em Monlevade, Belo Horizonte, Ouro Preto, Vitória e outras cidades, sob a regência do maestro Vicente Soares.

1974: Novamente sob a regência de Luciano Lima, participou do Festival de 15 anos do Ars Nova, no Palácio das Artes, em BH. Participação no 8º Festival de Inverno de Ouro Preto. Os integrantes participaram de um curso de técnica vocal com o maestro Eládio Pérez Gonzales.

1975: Apresentou-se na Missa de posse do então governador de Minas Gerais, Aureliano Chaves, na Igreja São José, em Belo Horizonte. Participou de vários concertos, entre eles em Ouro Preto e no III Festival Internacional de Corais de Porto Alegre, RS.

1976: Várias apresentações em Monlevade e região e na inauguração da Rodovia Caraça.

1977: Participou de concertos em João Monlevade, do V Festival Internacional de Porto Alegre, RS.; do III Festival Nacional de Recife, PE.; e do festival de Corais da Sociedade Israelita, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte.

1978: Idealizou o I Encontro de Corais de João Monlevade, em comemoração ao 15º aniversário do Coral Monlevade, quando aqui se apresentaram, entre outros corais, o Coro de Ninos de Ramos Mejia, da Argentina, e o Madrigal de Recife. Este também presente ao IV Festival de Corais de Recife.

1979: Cursos aos cantores e participação no Festival de Corais de Sabará.

1980: II Encontro de Corais de Monlevade com a presença do Coro da Universidade Católica de Recife. Participação no Festival Nacional de Poços de Caldas.

1981: Participações no Concerto no Centro Cultural Pró-Música de Juiz de Fora e no I Festival de Coros da Federação Mineira de Conjuntos Corais, além da gravação de uma fita K-7 com 16 músicas.

1982: Concertos em Timóteo e na Universidade Católica de Minas Gerais, em Belo Horizonte. E idealizou o III Encontro de Corais de João Monlevade.

Coral Monlevade é destaque na Imprensa

Uma das grandes formações do Coral Monlevade nos anos 1970, onde aparecem Dadinho, Expedito, Almir, Maurício, Jota Lima, Juventino Formiga, José Alencar, Antônio Ramos, Pedro Alcântara, Regina, Sílvia, Tereza Silvério, China

A história se finda…

Foram mais de três décadas levando o canto por todos os cantos. Entre vozes de barítonos, baixos, contraltos e sopranos. E muitos os personagens desta bela história. E valeram os tombos, as decepções, porque as conquistas foram bem maiores. O sonho do canto-coral que tão bem representou a nossa Monlevade se foi, mas deixou sua obra imortalizada. E valeu muito a pena.

  A história, que teve início no século XX, chegou ao seu final, quando o então presidente do Coral Monlevade, Geraldo Eustáquio Ferreira, professor “Dadinho”, declarou o encerramento das atividades da entidade. E foi com muita tristeza o epílogo desta obra, formada por um grupo de vozes que levou o nome de João Monlevade para além fronteiras, através da arte do canto.

  Conforme relatou o professor “Dadinho”, foi no início da década de 1990 que a continuidade do Coral se tornaria um caso complicado. Isso pelo fato de Luciano Lima ter se mudado para Belo Horizonte, onde continuou seus estudos e foi regente de alguns corais. Mas a vontade do maestro era dar sequência ao seu trabalho no Coral Monlevade era grande. Tanto que duas vezes por semana pegava a 381 para os ensaios. No entanto, a peleja foi se tornando difícil para os integrantes do Coral; sem apoio financeiro do poder público e da iniciativa privada para manter Luciano em suas viagens e hospedagens. Ele não recebia salários, mas ao menos as despesas com transporte e alimentação eram custeadas pelo Coral.

  Assim, em dezembro de 1997, na Igreja Nossa Senhora de Fátima, na Vila Tanque, o Coral Monlevade apresentou seu último concerto sob a regência do maestro Luciano Lima. E, conforme relatou “Dadinho”, foi com lágrimas nos olhos que Luciano deixou o grupo, após um encontro em um barzinho localizado na Rua Pedro Machado. “Não havia mais como manter as viagens. E dali rompia o cordão umbilical e ainda tentamos nos manter, mas poucos anos depois a história do Coral chegara ao fim”, disse com voz engasgada o professor “Dadinho”.

Apresentação do Coral Monlevade na Igreja Nossa Senhora de Fátima, na Vila Tanque, em noite de grande Concerto, na despedida do Grupo so a regência do Maestro Luciano Lima

  Tendo funcionado ininterruptamente por quase trinta anos, a alta rotatividade de seus componentes aliada à ausência de recursos técnicos e financeiros para investir na renovação de seus quadros confluíram em frequentes interrupções de suas atividades, paralisadas de vez em 2005, após curto período sob a regência de Andréia de Carvalho, integrante do mesmo como contralto.

O Retorno Triunfal do Coral

  No entanto, com sua garra e determinação, o professor “Dadinho”, com apoio de outros coralistas da antiga, entre eles Juventino Formiga, Dona Naná Gomes, José Geraldo Lima, Maurício Miranda, Andréia Carvalho, Márcia Fonseca e outros, o Coral Monlevade retornou para festejar seu 50º aniversário, em junho de 2013.

  Residindo em Timóteo e regendo um Coral do Vale do Aço, o Maestro Luciano Lima foi convidado a retornar à frente de sua criação e grande paixão, o Coral Monlevade. E não teve como recusar o convite. Mesmo diante das dificuldades, o Coral Monlevade retomou as atividades a partir daquele ano e, em 2019, através de um Projeto de Lei de Incentivo à Cultura, elaborado pelo próprio professor Geraldo Eustáquio Ferreira, conseguiu patrocínio de empresas locais, dentro do Projeto “Além Fronteiras”, apresentando-se em João Monlevade e nas cidades de Nova Era, São Domingos do Prata, Santa Bárbara, Rio Piracicaba e São Gonçalo do Rio Abaixo. Foram espetáculos marcantes e sempre de casa cheia.

  Para este ano foi aprovado outro projeto, o “Concerto de Fala de Aniversário”, que teria início em maio de 2020, mas diante ao problema da pandemia, ele foi adiado. O importante é que o Coral Monlevade continua levando seu canto por todas Geraes, sob a regência do Maestro Luciano Clemente Mendes Lima, e com muito talento e deixando orgulhosa nossa cidade e seu povo.

Concerto em Lavras Novas

Em agosto de 2017 o jornalista e diretor deste Site, Marcel Melo, então residindo em Lavras Novas, distrito de Ouro Preto, conseguiu que o Coral Monlevade fizesse uma apresentação na Igreja Nossa Senhora dos Prazeres, que foi um momento marcante e emocionou os moradores do lugar, que lotaram as dependências da Igreja para o Concerto.

Flagrante da apresentação do Coral Monlevade na Igreja Nossa Senhora dos Prazeres, em Lavras Novas

Nas comemorações dos 70 anos da Igreja Matriz São José Operário, o Coral Monlevade, sob a regência do Maestro Luciano Lima, se apresentou na Matriz durante a celebração da Santa Missa

Pesquisa: Jornalista Marcelo Melo – Jornal “Morro do Geo”!

Professor Geraldo Eustáquio Ferreira – Dadinho

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