Geraldo Parreiras: um Engenheiro com Alma de Artista!

Na foto acima, o Dr. Geraldo Parreiras (Direita) é homenageado pelo Sr. Simões, durante uma solenidade no Ideal Clube

Quando o Dr. Rondon Pacheco foi conduzido, através de eleição indireta, ao Governo do Estado de Minas Gerais, em 1974, entre os nomes ventilados na época para tão importante cargo, figurava o do Dr. Geraldo Parreiras, então Reitor da Universidade Federal de Ouro Preto. Não logrou sair candidato ao Governo do Estado, mas o fato é bastante significativo e eloquente, pois testemunha a probidade e honradez de um cidadão que, sem ter jamais exercido qualquer cargo político, era cogitado para Governador de Estado.

Esse mesmo cidadão, que até cerca de dez anos antes vivia pacatamente em João Monlevade, como alto funcionário da Belgo-Mineira, possibilitou, ainda que por um período fugaz, a associação do nome de nossa cidade à disputa para o cargo majoritário do Estado. Com efeito, vivera em João Monlevade o período mais produtivo de sua vida profissional e familiar: de 1937, quando assumira a chefia dos altos fornos da incipiente usina, até 1961, quando se tornou  Superintendente da Usina de Siderúrgica, em Sabará.

Nascido aos 03 de agosto de 1908, na cidade de Crucilância, onde passou a infância e a meninice, viveu longo tempo em Ouro Preto, onde fez o curso secundário e cursou Engenharia na famosa Escola de Minas, formando-se em 1932. Foi também em Ouro Preto que conheceu Conceição de Freitas Castro, com quem se casou e teve cinco filhos: Haroldo, Alceu, Elisa, Terezinha e Dulce.

Jovem engenheiro, após rápida passagem pela Usina de Sabará, veio para João Monlevade, para ocupar a Chefia do setor de altos fornos, tornando-se posteriormente o titular da Chefia de Serviço Social, de onde foi alçado à Superintendência da unidade de Sabará.

Em Sabará, aliou à atividade profissional uma grande atuação social e filantrópica: foi Provedor da Santa Casa da Misericórdia e atuou na organização da Fundação Sabarense de Cultura que viria a presidir posteriormente. Transferido para Belo Horizonte, como Relações Públicas da Belgo, ocupou diversos postos e funções: Diretor Presidente da Imobiliária Santo Elói, Diretor do Departamento de Estágios da FIEMG, Conselheiro da Associação Comercial de Minas Gerais e da Fundação Gorceix, Presidente da Sociedade Mineira de Engenheiros e, finalmente, nomeado pelo Presidente Médici como Magnífico Reitor da Universidade Ouro Preto.

Foi contemplado também com diversas Medalhas e Condecorações: Grão Duque da Ordem da Coroa de Carvalho (Luxemburgo ), Medalha de Honra da Inconfidência, Medalha do Mérito Adesguiano (da Escola Superior de Guerra) Comendador da Ordem do Mérito Militar e Medalha do Aleijadinho (post-mortem).

De sua estada em Ouro Preto como estudante e de sua passagem por Sabará  adquiriu enorme gosto pela Arte Sacra. Desenvolveu intensa atividade voltada para a preservação de relíquias de nosso passado colonial, principalmente do barroco mineiro. Nesse sentido, proferiu muitas palestras sobre a arte barroca em muitos centros culturais e universidades. Conseguiu reunir no decorrer dos anos um acervo de cerca de 300 peças de grande valor artístico e histórico. Tal acervo foi mostrado ao público em várias exposições no Palácio das Artes e, finalmente, adquirido pelo Governo do Estado, para se constituir o núcleo inicial do Museu de Arte de Minas Gerais.

Dele disse Hebert Magalhães Viana: “Geraldo Parreiras criou em sua residência um mundo especial e tão diverso do ambiente doméstico e dos pretensiosos altos fornos da Belgo Mineira. Tudo aqui é passado e eternidade. Enfim, em meio à precariedade dos homens, o milagre dos santos de madeira, manchados de vermelho, tocados de ouro, pintados de verde e preto, a policromia festiva das imagens, o presente permanente aos nossos olhos. Há um pouco de céu na arte que o Parreiras recolheu nesta casa.”

Faleceu em Belo Horizonte aos 16 de outubro de 1975, vitimado por uma doença fatal que, em apenas três meses, lhe exauriu a vida. Bueno de Rivera, em seu livro Pioneiros e Expoentes de Minas Gerais registra:  “pioneiro como colecionador de Arte Sacra no Brasil, e expoente na Engenharia, no Magistério e nos meios culturais”.

J. Correia de Almeida homenageou-o no dia de sua morte com os versos:

“Assim ele se foi. E eu fico meditando

Que por certo há de haver não sei onde nem quando

Um minuto infinito em plena eternidade

Em que Deus eterniza a essência da bondade,

 Da justiça e da paz e do saber profundo

Que seu filho espalhou nas estradas do mundo”

*Pesquisa e Texto: Geraldo Eustáquio Ferreira (Professor Dadinho)

Matéria publicada na edição de nª 99 do jornal “Morro do Geo”, de julho/2006.

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