Virgilio Faustino Salomão: Uma História de Luta!

Virgílio Faustino Salomão (foto acima) era, na realidade, “baianeiro”: nascido na cidade de Ponta de Areia, na Bahia, em 15 de dezembro de 1918, assumiu, segundo seus documentos, a cidadania de Teófilo Ottoni, Minas Gerais. Menino pobre, deixou cedo a casa paterna para lutar pela vida. Chegou a Monlevade no final dos anos trinta, trabalhando na Cris-tiane Nielsen, sendo admitido logo depois como forneiro na Belgo-Mineira. Casando-se, em 1946, com Tereza Dias Salomão, da cidade de Rio Doce, tiveram os seguintes filhos: Maria Apare-cida (Ex-Diretora do Luiz Prisco), Palmira e Pedro Eustáquio (falecidos), Paulo Virgílio (Ex-vereador), José Geraldo e Luís Fernando (falecidos), João Batista, Oswaldo, Sérgio Brás, Robson Luís, Miguel Rogério e Jéferson Wagner. A família, nos tempos iniciais da Belgo, morou na Rua Tamóios, nas imediações da empresa.

 Como operário da Belgo-Mineira, atuou no Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos, cuja Diretoria integrava. Foi nessa condição que, em abril de 1964, no bojo de uma crise gerada na cidade como desdobramento do Golpe Militar, foi excluído, com outros operários, dos quadros da empresa. Tentou empregar-se em Vitória, mas, reprovado nos exames médicos, acabou aposentando-se. Residiu por uns tempos em Nova Era, onde, preso, foi remanejado para as prisões do DOPS em Belo Horizonte e Juiz de Fora.

Retornando a João Monlevade, sua primeira atuação em política partidária foi como vereador no período 1967-1970, pelo MDB, no primeiro mandato de Germin Loureiro. Em 1970, enfrentando a candidatura para Prefeito, ajudou sua legenda a vencer, mas quem governou foi Antônio Gonçalves, mais votado da legenda. No pleito seguinte, em 1972, voltou à carga, favoritíssimo, segundo a crônica da época, mas, seis dias antes das eleições, faleceu subitamente, sendo substituído na legenda por sua , Teresa Dias Salomão. Os candidatos do MDB, liderados por Teresa Salomão, perderam o pleito por apenas 180 votos, para a ARENA, que venceu naquele ano com Lúcio Flávio de Souza Mesquita. O mesmo pleito, entretanto, fez vereador Paulo Virgílio Salomão, então com 20 anos de idade, o mais jovem vereador de Monlevade em todos os tempos. Posteriormente, Dona Teresa Dias Salomão, no período 1983-1988, se consagraria como a primeira mulher a ocupar cadeira na Casa durante toda a legislatura. Mulher forte, como esposa e mãe, foi o esteio da família, antes da morte do titular, apoiando-o, e após sua morte, enfrentando sozinha a criação dos filhos. Não obstante tantos obstáculos, conseguiu, em 1988, amparada na lei, a anistia do marido injustamente indiciado. Recentemente, em 2004, recebeu da Câmara Municipal de Belo Horizonte, a Medalha Tributo à Utopia, dedicada ao marido, que, além de biografia publicada em obra alusiva ao 40º ano do Golpe Militar, teve seu nome perpetuado numa Rua, no Bairro Jatobá, em Belo Horizonte.

Quanto ao Virgílio Salomão, não tendo nascido em berço de ouro, nem tendo sido bafejado pela fortuna, ou pela sorte, que dá oportunidades culturais, esse cidadão, que só foi alfabetizado na idade madura – e pelo Mobral – teve suas sucessivas candidaturas acompanhadas de chistes e piadas quase folclóricas. Deixou-nos, todavia, a lição de que a verdadeira liderança, forjada no cuidado com a comunidade e com a coisa pública, não nos advém de estudos ou de formação cultural e/ou ideológica, mas nasce do contato diário e prolongado com as mazelas sociais de que padece o nosso povo e que o excluem dos bens sociais.

         A última casa em que residiu, e onde reside atualmente sua família, no Bairro do Rosário, situa-se na confluência da Rua Hildebrando Santana e da antiga Rua Beiramar, hoje denominada Rua Virgílio Faustino Salomão, com muita justiça, homenagem que lhe foi creditada por indicação do também saudoso então Vereador Vicente de Souza Dias (popular Tinô), companheiro de chapa e de atuação política.

*Pesquisa e Texto: Geraldo Eustáquio Ferreira (Professor Dadinho)

Publicada na edição de nº 114 do jornal “Morro do Geo”, em 10/2007.

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