O Viaduto da Rua Tamoios

Por Sebastião Eustáquio Carvalho (Taquinho Advogado) – In Memorian

O viaduto, como era simplesmente chamado, era uma obra esplêndida, tanto no aspecto técnico de sua construção como sua arquitetura e utilidade. De fato, para época em que foi construído, na década de 1930/40, aproximadamente, tratava-se de uma construção arrojada e de extremo bom gosto no quesito arquitetônico. Na verdade é quase impossível descrevê-lo. Somente quem o conheceu e dele se utilizou poderá entender o que vou tentar explicar. 

O viaduto iniciava próximo à antiga Praça do Cinema, com suas escadarias frontais, sem proteção lateral, onde subia-se 65 degraus. Após o último lance dessa escadaria frontal iniciava o viaduto propriamente dito, com um lance de treze degraus. Era tipo uma passarela com largura em torno de dois metros e meio, e ai sim, tinham as proteções laterais. Após subir o primeiro lance de escadas andava-se uns dez metros e subia outro lance com mais 13 degraus. Em seguia-se em linha reta mais cinco lances planos e outros cinco lances de escadas, portanto, mais 65 degraus. Até aqui, já são 130 degraus. Mas ainda não acabou. No final dos cinco lances planos e outros cinco de escadarias, à esquerda havia uma das portarias da Belgo-Mineira, que pode ser vista na foto onde aparecem duas janelas. Depois da portaria o viaduto fazia uma curva de 90 graus para a esquerda e seguia paralelo à portaria. Em seguida, mais três degraus, virava-se um pouco para a direita e mais um lance plano de mais ou menos 10 metros e chegava-se ao final do viaduto. Uma boa caminhada!

Dali em diante, subia-se um pequeno morro, de mais ou menos 30 metros e chegava, enfim, à Rua Tamoios. Do lado esquerdo havia três feiras que vendiam de quase tudo. Atendiam os moradores das ruas Tamoios, Tabajaras e Aimorés. Era o point onde se reuniam os caçadores e pescadores, dos quais me lembro do Senhor Gemi, com sua cadela Baleia; do Senhor Domingo Papa e o Senhor Gentil, que encontravam-se ali diariamente para contar seus causos “rigorosamente verdadeiros”, mesmo porque caçadores e pescadores “detestam mentiras” (rs). Ficavam bravos quando alguém se atrevesse a duvidar de suas façanhas.

VISTO POR OUTRO ÂNGULO

A utilidade daquele viaduto decorria do fato de que atendia aos moradores das ruas Tamoios – mais ou menos  130 casas -, Tabajaras – mais ou menos 100 casas – e  Aimorés – mais ou menos 90 casas – (onde morei na casa nº 307 dos meus 7 aos 14 anos). Assim, partindo-se do princípio de que naquela época cada família era constituída, em média, de 5 pessoas, o viaduto era utilizado por, no mínimo, 1600 pessoas, além dos pensionistas da Pensão Grande, na Rua Tabajaras, cuja arquitetura era idêntica à do Hotel Santo Elói e onde moravam em torno de 60 pensionistas. Era o melhor lugar para conseguir um sapato para engraxar; cada um pensionista tinha de 5 a 6 pares de sapatos. Também carreguei muita marmita para os que ali moravam. Fui boieiro e engraxate.

Um detalhe na primeira foto é que aquele galpão preto que aparece do lado direito para quem sobe o viaduto, abrigava alguns tanques com produtos químicos e eram utilizados para fazer  tratamento das madeiras utilizadas na construção das casas da Rua 22, na Vila Tanque, onde também morei. Depois nos mudamos para a Rua Aimorés.

Bem, a ideia aqui foi transmitir um pouco do que ainda me lembro de uma das mais belas obras de nossa cidade.

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