Onde tudo começou

“Nem o burro do Geo aguenta”… Como tudo começou!

Marcelo Melo!

A história é muito simples. E tudo por causa do senhor Antônio de Lima Geo, natural de Sabará e que era proprietário de um Armazém naquela cidade, onde a Cia. Siderúrgica Belgo-Mineira já havia instalado sua 1ª Usina, em 1925. Na oportunidade, ele foi convidado pelo Dr. Louis Jaques Ensch – Diretor da Belgo-Mineira – a instalar uma filial em João Monlevade. Foi quando determinou que um dos filhos, Silvério de Lima Geo, popularmente conhecido como “Leleu”, assuimisse o comércio em Monlevade, montando ainda uma Padaria e um Açougue. O outro filho do Sr. Antônio Geo, José de Lima Geo, conhecido como “Ourívio”, era o Chefe do Departamento de Terras, Matas e Carvão da Usina, ou seja, foi o braço direito do Dr. Ensch e o responsável pelas compras das terras adquiridas pela Belgo-Mineira em toda região.

Mas, retornando à história de como o burrinho se tornou a logomarca do nosso jornal impresso, fundado em fevereiro de 2001, vamos lá: todos os monlevadenses da antiga se lembram do “Armazém do Geo” – localizado logo após a entrada do Viaduto, e que hoje encontra-se fechado. Naquela época, as compras dos fregueses – que anotavam em cadernetas -, saiam de carroça, puxadas pelos burros. Lá iam os “bravos” animais levando as encomendas, subindo e descendo a ladeira, que, mineiramente, chama-se de morro. Dai foi um pulo para ganhar o apelido de “o morro do Geo”, referindo-se ao nome do estabelecimento. E o calçamento do tipo “pé de moleque”, que castigava os cascos dos burros sobre as ferraduras, dava para imaginar a difícil e árdua tarefa dos animais! Tudo muito simples e também romântico. Mas naquela época ninguém poderia imaginar que o morro ficaria tão famoso e seria imortalizado entre todos os monlevadenses.

Por outro lado, já nas décadas passadas, o Morro do Geo já era o ponto de encontro entre os operários da Usina, as donas de casa e os estudantes, que integrava o “Bar do Daniel” às praças do Mercado e do Cinema. Afinal, no meio do morro, havia um ponto de ônibus, em frente ao armazém, e ali, obrigatoriamente era parada de todas as pessoas que tinham de se locomover para outros pontos da cidade. Na parte de trás ficavam os burros amarrados. E as demais lojas, entre elas a Cobal, Bandeirantes, o açougue, a farmácia de Seu Juventino e Seu Ildeu Caldeira, a Casa Lotérica de José Geraldo, a Casa Bráz, Casa Maluf, Casa do Pescador, Loja de João Gordo, Mercearia de Zé Cravo, Casa Jaime, Bar Primavera, a barraca de amendoim de Seu Enéias, a venda de Seu Geraldinho, a feira de Maroun e os mascates que abriam suas velhas malas para vender seus produtos. Bom, até na Delegacia de Polícia havia ali, na praça do Mercado. Depois da curva, por detrás do “Emporium”, chegava-se ao Grêmio.

Mas falávamos dos burros, que faziam a cesta após as cansativas viagens. E como o povo do interior é criativo, a caminhada dos burros puxando as carroças cheias de mantimentos acabou levando a um jargão criado pelas próprias pessoas que ali conviviam, servindo de comparação para as coisas “quase” impossíveis de se conquistar. “Isso nem o burro do Geo aguenta”; era comum ouvir para exemplificar situações complicadas de se resolver. 

No entanto, além do famoso e internacional “Morro do Geo”, e do jargão que se tornou a marca do monlevadense (“nem o burro do Geo aguenta”), sugiram outros dois personagens que começaram a fazer parte dessa história: *Daniel e Geraldo Pintor. O primeiro era dono do bar onde tinha início o morro do Geo, depois transformado no famoso “Bar e Restaurante Rampa´s”, de propriedade de Laudelino Fonseca e Antônio Cotta. O Daniel não tirava o suspensório nem para dormir. O outro, Geraldo Pintor, era outra figura emblemática e popular em João Monlevade, que já tinha a “boca torta” de tanto fumar cachimbo. Não o tirava nem durante as refeições ou para uma birita. E muito menos na hora do banho!

Daí se juntou, ao burro, outra forma popular de citar o jargão, falado até hoje pelos monlevadenses da antiga, e uma marca que ficou registrada como nossa, de João Monlevade, como o mesmo sentido, ou seja, de se comparar com as coisas quase impossíveis de se realizar: “Nem o burro do Geo, com o cachimbo de Geraldo Pintor e o suspensório do Daniel, aguenta”…

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