Professor Newton de Souza (Tim): a História do grande historiador de João Monlevade!

Na foto,o professor, historiador e escritor Nilton de Souza, popular “Tim”, durante uma palestra. Ele deixou sua história imortalizada.

Natural de Dom Silvério, onde nasceu aos 11 de outubro de 1936, o Professor Nilton de Souza, conhecido carinhosamente por todos os monlevadenses como “Tim”, ou “Tim Mirim” (pela estatura baixa), veio para Monlevade bem menino, com dois anos de idade. Seus pais, José Egídio de Souza e Maria Caldeira de Souza, integraram os grandes troncos familiares que, oriundos de várias cidades da região, estabeleceram-se em Monlevade na década 30, buscando melhores condições de vida, por ocasião da implantação da Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira.

  Se, como disse Machado de Assis, “o menino é o pai do homem”, quem conheceu o brejeiro cronista e contador de “causos” pode imaginar como deve ter sido um menino endiabrado e levado da breca o último rebento do lar dos Souza, àquela época abençoado por Deus com mais seis filhos: Wilson, Antônio, Dora, Rute, Beatriz e Abigail.

  Morando a família inicialmente no Quarteirão Aimorés, demolido posteriormente para abrigar as instalações do Trem Morgan, nosso herói freqüentou o curso primário no Grupo Escolar Central, na Praça do Cinema, palco de tantas lembranças para os monlevadenses de antanho. Cursou e concluiu o ginasial em 1962 no antigo Ginásio Monlevade, onde, ainda estudante, revelou a precoce vocação literária: escrevia no jornal escolar “Voz do Estudante” e presidiu o Grêmio Literário “Padre Franca”, do antigo ginásio. Matriculou-se depois na Escola Técnica de Ouro Preto, no curso de mineralogia que interrompeu, certamente por sentir que sua vocação era a arte. Entretanto, desfrutando das vantagens de morar em um centro acadêmico mais desenvolvido, aprimorou sua vocação para a literatura, integrando ali o Grêmio Literário “Tristão de Ataíde”, em cujo jornal escrevia.

Volta a Monlevade

  De volta a Monlevade, já com a família residindo na Rua Siderúrgica, trabalhou como eletricista na Belgo-Mineira e, retomando os estudos do segundo grau, concluiu o Científico no Colégio Estadual Monlevade em 1968. Nesta época, integrava a equipe de redação de um jornalzinho com artes de pasquim, chamado “O Sapo”. Cursou Letras na Faculdade de Filosofia e Letras Santa Maria (UCMG), cursos de extensão mantidos em João Monlevade, ocasião em que escrevia com certa regularidade para o jornal “Atualidades do Vale”.

  Mas também era artista plástico e deixou muitas obras em suas telas, sempre retratando o cotidiano. Também fez teatro que tinha como objetivo arrecadar fundos destinados a obras sociais; além de ter publicado alguns livros, entre eles “Vestibular com São Pedro depois dos Cem”. Foram cerca de 300 exemplares mimeografados e, segundo os críticos, um estilo ideoleto, uma exploração da linguagem popular.

  Formado, leva-o a Belgo-Mineira para a Escola do SENAI, como professor de português, cargo que exerceu enquanto a empresa manteve aquela escola de formação profissional. Licenciou-se da empresa de 1973 a 1977, para assumir a Chefia de Gabinete do prefeito Lúcio Flávio de Souza Mesquita, atuação marcada pela competência e pela sensibilidade para com os problemas da população.

  Casou-se em 1973 com Valdete Maria Gomes de Souza, com quem teve dois filhos: Cristiana e Marco Aurélio, que lhe sobrevivem, residindo na propriedade da família no bairro Loanda.

Criação do GEL

  A partir de 1977, retornando à Belgo-Mineira, é remanejado para o DRI, atuando como responsável especial pelo serviço de patrimônio histórico da empresa. Assume ao mesmo tempo algumas aulas noturnas no Centro Tecnológico Dr. Joseph Hein. Nesta situação, lidera um movimento bastante significativo da história literária do município, o Grêmio de Estudos Literários (GEL), que descobriria e orientaria tantos talentos das letras monlevadenses. Reunindo-se para estudar textos fora do circuito obrigatório das aulas, impulsionado pelo Professor Tim, o GEL acabou por se constituir no primeiro grupo organizado de produção literária da cidade, e reunia-se semanalmente na sede da Arpas.

  A partir daí, Tim de Souza não parou mais: transformou-se no mais talentoso, folclórico e prolífero ativista cultural do município. Integrante do Conselho Curador da Casa da Cultura, participava plenamente de todos os eventos programados pela entidade: festivais, concursos, cursos, mostras e exposições.  Escreveu praticamente em todos os órgãos de imprensa da cidade: Jornal Atualidades, Jornal de Monlevade, Jornal da Cidade, Tribuna de Monlevade, Jornal A Notícia (onde atuaria também como revisor), Revista Nega e Revista Mostrar. Na maioria de seus artigos usava o pseudônimo de “Heleno” ou “Marco Aurélio”. Seus artigos e crônicas retratam principalmente fatos ligados à cultura, arte, educação, literatura e história.  À frente do Serviço de Patrimônio Histórico da Belgo, resgata e registra acontecimentos importantes da história do município, sobretudo aqueles que se referem aos primórdios da cidade. Organizou também o Museu Histórico da Belgo. Frutos dessa pesquisa e do imenso amor à terra que adotara, são os inúmeros “causos” de Monlevade, que constituíram o cerne de suas últimas produções na imprensa.

A Despedida

Aposentado em 1989, não abdicou, entretanto, de suas atividades culturais nem mesmo renunciou à vocação de professor. Ao contrário, dedicou-se a elas com mais entusiasmo. Excelente professor de Português, ministrou aulas particulares em sua casa até a véspera de sua morte, ocorrida em 31 de dezembro de 1992. Era final de ano, um dia antes da posse do prefeito Germin Loureiro.

  O Ano Novo de 1993 não testemunharia mais os seus “causos” e suas histórias, mas sua vida, marcada por um entranhado amor a esta cidade, se eternizará na insigne e prolífera obra que legou às artes monlevadenses. Nilton de Souza faleceu no último dia do ano de 1992, uma sexta-feira, depois de visitar a redação do jornal “A Notícia” para apanhar o seu exemplar que circulava naquele dia e desejar feliz ano novo aos seus colegas., om apenas 56 anos de idade, mas uma longa estrada percorrida e um aprendizado enorme deixado para a posperidade. Uma grande perda para a cidade e sua história, mas deixou sua obra, tornando-se imortallizado.

A Fundação Casa de Cultura de João Monlevade tem uma sala com seu nome, e aqui “Tim”, no momento em que trabalhava em mais uma obra de arte.

*Pesquisa e Texto: Geraldo Eustáquio Ferreira – Professor “Dadinho”

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