“Totó” Loureiro: A História de um Desbravador

Na foto acima, Totó Loureiro ao lado da esposa Liquinha e das filhas Wanda, Vilma e Vilna, na casa de pau a pique, no Baú

Era um 29 de abril de 1964, quando um senhor de 53 anos deixava extravasar sua alegria de criança ao receber, em primeira mão, a notícia de que o distrito de João Monlevade havia se emancipado. Suas primeiras palavras, ao receber a notícia, foram estas: “a terra que me acolheu e que eu adotei como minha passa a ser dona do seu próprio destino”.

Tratava-se do senhor Antônio Loureiro Sobrinho, conhecido por “Totó” Loureiro, irmão mais velho do ex-prefeito Germin Loureiro (Bio) e de José Loureiro (Tio Zeca). Afinal, foi ele um dos principais batalhadores para que João Monlevade se emancipasse, tendo participado da Comissão Emancipadora do município, de 1958 a 1964, e durante esse período sua presença se fazia obrigatória em todas as reuniões e transportava para dentro e fora de Monlevade, sem se importar com gastos, os seus colegas de comissão, com o objetivo de desbravador e idealista; o de ver o distrito emancipado.

Pois bem, mas a vida desse homem havia se iniciado em Congonhas do Campo, onde ele nascia em 27 de novembro de 1911. Era o segundo filho em uma família de oito irmãos. Começou a trabalhar muito cedo e, no seu pré-amadurecimento, casou-se aos 18 anos de idade com Maria Lucília Loureiro, popular “Vovó Liquinha”, que na época contava com apenas 15 anos. Foram mais de 50 anos de matrimônio e que resultou em sete filhos. O casal viveu até 1944 em Belo Horizonte e, após convite para trabalhar de encarregado na construção das primeiras casas do Baú, Vila Tanque e Areia Preta, mudou-se para João Monlevade.

Em 1945 a família já veio de mala e cuia para o distrito de Rio Piracicaba. Naquela época, eram quatro filhos. A família habitou uma velha casa de pau-a-pique no local onde começavam as obras das primeiras residências no Baú. Em 1947 mudou-se com a esposa e os filhos para o povoado de Carneirinhos. A primeira casa dos Loureiro foi num lugar denominado “Beco do Correio”, na Rua Virgílio Lima.

Educador e Empreendedor

Totó Loureiro era um homem de visão. Um empreendedor por excelência. E, além disso, também sempre se preocupou com a educação. Tanto que, residindo em um casarão de propriedade da Belgo-Mineira, ele conseguiu, juntamente com alguns cidadãos, que fosse aprovada a instalação da primeira Escola Rural Municipal, denominada Luiz Prisco de Braga. E ela funcionou na sua própria casa. Na época, Totó cedeu dois cômodos de sua residência para funcionar as primeiras salas de aula, sendo as primeiras professoras Dona Iza e Dona Nenela Bicalho. A sede da Escola Rural Municipal Luiz Prisco foi construída e inaugurada em 1º de março de 1950, funcionando na avenida Getúlio Vargas, onde está hoje instalada a Escola Estadual D. Jeny Faria. Desde então, ele chegou a ocupar também o cargo de inspetor escolar, de 50 a 56. Seu dinamismo foi fundamental nos primórdios da educação em João Monlevade.

Muito ativo na comunidade, o Sr. Totó era o que podia de chamar de “pau para toda obra”. Chegou a ocupar o cargo de Delegado de Polícia, quando a localidade pertencia à Comarca de Santa Bárbara. Era uma difícil missão, conforme relatou uma de suas filhas, Dona Wanda Loureiro. Foi ainda vereador por Rio Piracicaba.

A primeira agência dos Correios de João Monlevade, precisamente na Rua Virgílio Lima, também funcionou em sua casa. Naquela época, final da década de 40, a estrada era muito mal conservada e cheia de curvas, o que aumentava bastante a distância entre Monlevade (sede) e o povoado de Carneirinhos. Não havia luz elétrica e nem rádio de pilha. Podia se chamar o fim do mundo. Na época havia apenas dois carteiros, verdadeiros heróis, que transportavam as correspondências. Eram “Ti Pedro” e “Zé Macaia”. Este era paraplégico e percorria o trecho num pequeno carro puxado por dois cabritos. O posto provisório foi então instalado exatamente na casa do Sr. Totó Loureiro, no “Beco do Correio”, e de lá saiu para se instalar na residência do Sr. Agenor Lima.

Homem de Comunidade

O homem não parava. Isso, para ele, era comprar briga. Muito político e um líder nato, foi o grande incentivador para que o irmão Germin Loureiro, Bio, entrasse na política partidária e se tornasse o segundo prefeito eleito em João Monlevade, no ano de 1966. Foi ainda fundador de uma equipe de futebol na cidade e sócio fundador do Real Esporte Clube, conselheiro da ACM e vice-presidente do Clube de Caça e Pesca, e presidente da Comissão de Construção da Igreja Matriz N. S. da Conceição.

*Um de seus orgulhos na época da construção da Igreja foi ter transportado, em seu Ford, juntamente com Sr. Carlos Mota, um grande Cruzeiro de Braúna, árvore esta que foi derrubada, lavrada e transportada para o local.   Totó Loureiro foi ainda colaborador da Sociedade São Vicente de Paula, diretor da Cia. Telefônica, junto ao Sr. Altair Peixoto, presidente do Lions Clube Centro, e idealizador e sócio fundador do Lions Clube Sobral.

A chegada do grande Cruzeiro de Braúna que foi instalado em frente à Igreja de Carneirinhos

Uma grande pessoa que muito contribuiu para o desenvolvimento sócio-econômico do município e que, entre tantas virtudes, era um ambientalista nato e muito fez para que as pessoas tivessem maior consciência sobre o meio ambiente. Faleceu em 1981, mas deixou uma longa história.

*Leia a Coluna de Afonso Torres, intitulada “Ninguém sabe, Ninguem viu”, aqui no Site, que narra toda esta hstória.

Pesquisa: Jornal “Morro do Geo” e Geraldo Eustáquio Ferreira. Professor “Dadinho”!

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2 comentários ““Totó” Loureiro: A História de um Desbravador”

  • José Vieira Hermsdorf disse:

    Belo exemplo o Sr. Totó Loureiro deixou para os monlevadenses! Tive o prazer de o ter conhecido, de vista. Sempre dinâmico. Na minha memória o via de óculos escuros. Não sei o por quê da lembrança de uma casa que seria sua residência ali nas proximidades da antiga rodoviária, entre Belmonte e Baú, no que posso estar equivocado.

    • Marcelo Melo disse:

      Olá meu amigo Hermsdorfe, grande figura! Não tenho certeza, mas acho que você está confundindo Sr. Totó Loureiro com seu irmão, Zeca Loureiro, que trabalhou com Bio na Prefeitura. Ele, sim, Seu Zeca, sempre usava óculos escuros e morava nets acasa em frente ao Posto do Tenente. Obrigado pela interferência e tomara que esteja curtindo nosso espaço. Um abraço,

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