A grande voz de Neide Roberto – Vida e Obra!

A grande artista Neide Roberto soltando a sua bela voz durante uma apresentação. O palco era sua maior paixão para levar seu canto

Infelizmente, o povo tem memória curta, e para refrescá-la vamos aqui lembrar de uma das artistas mais deslumbrantes que passaram por nossa terra e que no último dia 22 de maio fez 11 anos que nos deixou. Exatamente, pois foi numa manhã de 22 de maio de 2009 que a grande cantora, de uma voz maravilhosa, a monlevadense da gema Neide de Souza Roberto, ou apenas Neide Roberto, nos deixou, vitimada pelo câncer, aos 66 anos de idade. Para prestar uma homenagem póstuma, não apenas à artista, mas também à pessoa, à grande figura humana que ela sempre foi, o “Morro do Geo” faz aqui uma matéria especial, sobre a Vida e a Obra de Neide Roberto.

Neide de Souza Roberto foi um dos filhos gerados por Dona Jesuína de Souza Roberto, dona de casa simples que chegou em João Monlevade no ano de 1939, acompanhando o marido, Joaquim Paulo Roberto, transferido da Unidade da Belgo-Mineira de Sabará para Monlevade. Quatro anos depois de a Belgo se instalar em nosso solo a sua empresa, Seu Joaquim e mais 11 operários chegavam a Monlevade para se tornarem pioneiros na primeira laminação executada pela Belgo-Mineira, na Usina de Monlevade. No colo, apenas Nilza e Nelson, porque o restante dos filhos, ou seja, outros 13, nasceriam por essas terras de Jean Monlevade. E, ao total, 15 irmãos foram criados em solo monlevadense e todos apaixonados pela música.

Uma foto da Família Roberto, onde aparecem os pais Joaquim Roberto e Jesuína e os filhos. Neide Roberto aparece em pé, à direita da foto

Desde menina Neide gostava de cantar. Aliás, toda a família tem a musicalidade no coração. Tão logo a Belgo-Mineira fundou a Rádio Cultura, 1961 – Neide então com 18 anos de idade -, lá estavam presentes alguns dos filhos da família Roberto nos programas de auditório. Além de Neide, sempre se apresentavam os gêmeos Nedino e Nedina. Neide Roberto já fazia sucesso coma sua linda voz interpretando canções românticas. Uma de suas músicas preferidas era “Relógio”, de Adilson Ramos.

O Talento tinha de sobra, mas faltou-lhe a sorte

No entanto, veio a oportunidade de se mudar para um grande centro e em meados da década de 1960 ela foi tentar a sorte no Rio de Janeiro. O irmão Nelson já residia na capital fluminense e moraram juntos. Para se sustentar, Neide trabalhou de empregada doméstica em casas de famílias. Paralelamente, em toda oportunidade que tinha se apresentava em Programas de Calouros que iam ao ar pelas extintas TV Tupi e TV Record, nos programas de Sílvio Santos, J. Silvestre, Chacrinha, Flávio Cavalcanti e no Bolinha, conseguindo a nota 10 de todos os jurados em alguns desses programas. E naquela época integravam o Corpo de Jurados pessoas respeitadas no meio artístico, e conhecedores do assunto, entre os quais Sérgio Bitencourt, José Fernandes, Maestro Cipó, Maestro Herlon Chaves, Messias, Elki Maravilha e Aracy de Almeida. Chegou também a se apresentar em shows no auditório da Rádio Mayrinck Veiga e na Rádio Tupi. Na Tupi participou de um programa comandado pelo grande radialista e compositor mineiro, Ary Barroso, onde interpretou a mais “Aquarela do Brasil”, a canção de autoria do próprio Ary Barroso e mais famosa, sendo chamada de audaciosa pelo próprio autor, antes de receber elogios de todo o público e da crítica. Neide Roberto fez grande sucesso na época. Tinha tudo para ser tornar uma grande cantora profissional, pois talento e voz não lhe faltavam. Faltou-lhe a sorte e talvez o empurrãozinho de um produtor musical da época. Mas nunca se frustrou por não ter chegando ao sucesso e se tornado uma musa da música romântica brasileira, uma das rainhas do Rádio, como as intérpretes que lhe inspiraram e que foram e suas favoritas, entre elas Ângela Maria, Elizete Cardoso, Linda Batista e Nora Ney.

Durante sua apresentação no “Show de Calouros” na extinta TV Tupi, na década de 1960, Neide Roberto ganhou a simpatia do apresentador Sílvio Santos, que a convidou para uma contra-dança no palco, após ganhar nota 10 de todos os jurados, levando a plateia ao delírio

Retorno a Monlevade

Depois de levar o nome de João Monlevade para todo o Brasil, com a linda voz, Neide Roberto retorna a Monlevade quatro anos depois, com a morte do pai. Também naquela época surgia uma vaga para trabalhar na Prefeitura Municipal e se tornou então secretária do então prefeito, saudoso Antônio Gonçalves (Pirraça), já em seu primeiro mandato, a partir de 1971. E, durante mais de 30 anos trabalhou como funcionária pública, sendo secretária de Pirraça e também do saudoso ex-prefeito Germin Loureiro (Bio), por três mandatos (1971/73 – 1977/1982 – 1983/1988). Depois trabalhou no Terminal Rodoviário, na Biblioteca Municipal e finalmente no Centro Educacional, onde aposentou-se como secretária da escola.

No entanto, ela jamais se afastou da música. Sempre era convidada para participar de shows, às vezes cantava na noite e defendeu varais canções durante os festivais da canção realizados em Monlevade e em outras localidades. Sempre foi a cantora preferida de vários compositores monlevadenses que disputavam os festivais na cidade, entre eles do maestro Luciano Lima, recebendo o prêmio de melhor intérprete por vários anos consecutivos. A música continuou em seus dias e uma nova geração de sobrinhos dava continuidade ao seu projeto, entre os quais Rômulo Ras e José Ricardo. Assim, a trajetória continuou na família, e ela se torna imortal pela obra construída.

Neide Roberto apresentando-se durante o Festival da Canção de João Monlevade, em 1974, durante o “FESTIAÇO”, interpretando uma canção do grande compositor João Rosa, ganhando o prêmio de “Melhor Intérprete” do FestivalAnos depois, com a fundação da Osquestra Big/Band Funcec, juntamente com a cantora Carla Santos, Neide Roberto passou a integrar o Grupo, levando sua linda voz durante anos em diversas apresentações por vários pontos destas Minas Gerais

Na foto abaixo, durante uma apresentação de Neide Roberto junto à Big Band Funcec, onde ela e a cantora Carla Sanos eram as vocalistas

Uma artista de raro talento e um ser humano de uma beleza pura! E posso dizer isto com muita propriedade, porque fui um amigo e grande admirador dela e de sua família, com quem convivi durante anos. Fosse na cozinha de sua casa, ali na Tieté, sempre acompanhada dos irmãos, sobrinhos e dos amigos, sorrindo numa casa feliz e de comida farta preparada pela “Tia Nilza”, ou nos bares tomando uma cerveja e mesmo em entrevistas que ela me concedia, seguida de seu canto durante o meu Programa que produzia na Rádio Cultura. Bons tempos e saudade sempre!

Abaixo durante um Projeto Cultural quer promovíamos no extinto Bar “Jubiabá”, o jornalista Marcelo Melo durante um papo descontraído com a artista Neide Roberto

Compartilhe esta postagem

Compartilhar no facebook
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no twitter
Compartilhar no email

Deixe um comentário

Postagens relacionadas

Notícias por Categoria

Cultura

Esportes

Colunas

Seja assinante!

Assine agora mesmo por apenas R$ 47,90 Anuais!

Já é assinante?

Faça seu login!