Pra não dizer que não falei das praças do Cinema e do Mercado! – Cláudio Gomes

Saudosa Praça do Cinema, hoje apenas um retrato na tela de um Computador…

Apresentação: Jornalista Marcelo Melo!

O texto abaixo é de autoria de um amigo e grande monlevadense, *Cláudio Gomes. Residente em Contagem há alguns anos, onde trabalha, é engenheiro, mas adora escrever nas horas vagas, o que faz muito bem por sinal. No artigo, ele faz um comentário sobre a destruição das praças do Mercado e do Cinema, ocorrida na década ded 1980, demonstrando a sua indignação e a omissão de nós, monlevadenseses. Vale e leitura, cuja publicação se deu em meu Blog, no ano de 2010. E tem no sangue a veia poética do seu tio, saudoso Niton de Souza, o grande “Tim Mirim”!

  “Lendo esta poesia duas coisas me ocorreram (referindo-se a um Poema escrito pelo jornalista Geraldo Magela Ferreira, cujo tema era seu temor pela possibilidade da destruição da Serra de Catas Altas): primeiro a vontade de que pessoas com coragem, vontade e poder leiam e entendam o sinal de alerta que ela contém e quem sabe assim lutar para que a serra de Catas Altas não desapareça. A outra foi um sentimento de saudades, mas não sabia exatamente de que. Afinal, como ter saudades de uma coisa que ainda não aconteceu, ou seja, o fim da serra?

  Aprendi com um professor de Antropologia que a saudade só serve para ser morta. Se não matamos a saudade, ela nos entristece, nos torna nostálgicos, deprimidos e pode até nos matar.

Não sosseguei depois de ler a poesia e assim fiquei, com a pulga atrás da orelha, até entender o que me ocorria. Em verdade descobri que não estava com saudades, mas triste por correlacionar o grito de alerta desta poesia que talvez tenha faltado lá no meio da década de 1980, quando acabaram com o conjunto arquitetônico da praça do Cinema, com a praça do Mercado, com o Grêmio e com o morro do Geo. Como que nenhum monlevadense – eu inclusive – nada fez para impedir a destruição de tudo aquilo? Ainda que fossem construções da Belgo-Mineira, propriedades particulares, tínhamos que ter feito alguma coisa em comunidade para impedir. Pedir o tombamento daquele patrimônio histórico. Já imaginaram ter todo aquele prédio da praça do cinema hoje abrigando faculdades ou quem sabe universidade?

  Recentemente estive a trabalho em uma cidade no interior da França chamada Reims e lá passei por uma praça muito semelhante, arquitetonicamente falando, com a nossa praça do Cinema. Foi inevitável não se lembrar de todos aqueles arcos simetricamente dispostos, das lojas, do “Bar Para todos”, da barbearia, da farmácia, do cinema do Sô Nerval, do cheiro do lugar, dos pontos de ônibus, da Assistência Médica, do Ideal etc. Por incrível que pareça, mas até um banheiro público há nesta Praça de Reims, como havia na nossa praça do cinema.

  Mas lá não há uma vista como havia na nossa praça do Cinema, de onde se via a Matriz de São José Operário em forma de ‘V’ e uma bela mata verde. Então, que salvem a serra de Catas Altas enquanto há tempo”.

*Cláudio Gomes – Engenheiro e Cronista. João Monlevade (17/07/2010)

Saudosa Praça do Mercado, hoje também apenas um retrato na tela de um Computador. Mas como diria o poeta Drumond, “mas como dói”!…

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2 comentários “Pra não dizer que não falei das praças do Cinema e do Mercado! – Cláudio Gomes”

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