Biografia de Louis Jaques Ensch (I Parte): O luxemburguês que trouxe a Belgo-Mineira e se apaixonou pela terra de Jean Monlevade

De Luxemburgo para o Brasil:

Sua chegada a Sabará!

Nascido no Grão Ducado do Luxemburgo, em 1895, diplomou-se em 1920 pela Escola Politécnica de Aix-La-Chapelle, iniciando logo a seguir, a sua carreira de engenheiro siderurgista nas Usinas de seu país natal. Em poucos anos, mercê de sua alta capacidade técnica e de seu invulgar dinamismo, alcançava, na Usina de Burbach, o posto de engenheiro-chefe dos Altos Fornos.

Foi então convidado para vir dirigir a Usina de Siderúrgica, da Companhia Siderúrgica Belgo Mineira, havendo chegado a Sabará, para assumir o seu novo posto, no dia 10 de novembro de 1927.

Encontrou a Usina, cuja administração lhe fora confiada, em dificílima situação: fabricando apenas 20 toneladas de gusa por dia, sem mercado consumidor e com a produção de muitos meses estocada em seus depósitos.

O capital da sociedade, que era de 20.000 contos, e no 2º semestre de 1927 a Usina estivera paralisada

Cônscio de suas responsabilidades, o Dr. Louis Ensch dedicou-se à sua tarefa com todo o entusiasmo, infundindo, em seus auxiliares e companheiros, a sua própria confiança no futuro. Modificando radicalmente o sistema administrativo até então adotado e iniciando, com a energia de verdadeiro pioneiro, uma nova fase de Companhia, conseguiu em poucos anos, equilibrar a situação econômica, salvando a Usina do fracasso que parecia iminente. Regularizou o suprimento de matérias primas, aumentou a produção, e conseguiu colocar, nos mercados consumidores, todo o ferro gusa até então fabricado.

Casamento

Foi também no Brasil que constituiu família: casou-se com a brasileira Maria Campos Coutinho Ensch. Da família, ainda vive no Brasil sua enteada, Mariel Coutinho, que esteve em Belo Horizonte em 1995, representando a família na sessão comemorativa do centenário de nascimento do Dr. Louis Ensch, promovida pela Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais.

Abaixo, Dr. Louis Ensch ao lado da esposa Maria Coutinho

Plenamente convencido da viabilidade da siderurgia a carvão de madeira e da crescente capacidade de absorção, pelos consumidores internos, dos produtos siderúrgicos, procurou desde logo ampliar a Usina, pondo em funcionamento os fornos de aço e o laminadouro. Coube-lhe, assim, a honra de ser o primeiro a fabricar, em Minas Gerais, com matérias primas do nosso Estado, o aço doce, vulgarmente conhecido como ferro, destinado às construções e a indústria de serralheria.

Fez montarem na Siderúrgica uma trefilaria para produção de arame par pregos, fabricado pela primeira vez no Brasil, em 1930.

Realizou no município de Caeté, um aproveitamento hidro-elétrico de 2.400 kw, para abastecimento da Usina e adquiriu, nas regiões circunvizinhas, reservas florestais suficientes para fornecer o carvão vegetal de que necessitava. Com isso, assegurou a completa auto-suficiência da Usina e implantou definitivamente, no coração de Minas Gerais, a base da verdadeira siderurgia.

Reserva florestal suficiente para fazer funcionar a Usina

Partindo do minério de ferro e utilizando combustível e matérias primas do Estado, alcançava a Usina de Siderúrgica em 1930, uma produção de 20.000 toneladas de ferro laminado. Dos laminadouros da Siderúrgica, saíam diariamente quase 100 toneladas de produtos siderúrgicos os mais diversos: ferros redondos, quadrados, chatos e cantoneiras de todas as bitolasnormalmente utilizadas na construção civil, indústrias de serralheria e mecânica.

Em 1934, estando a Usina de Siderúrgica em situação praticamente estável, e em plena produção, iniciou-se a realização dos planos que haviam amadurecido       em sua visão extraordinária de verdadeiro líder: a construção da maior Usina do mundo, baseada no carvão vegetal. E assim, completada a interligação da rede ferroviária da E.F. Central do Brasil com a E.F. Vitória Minas, foi iniciada em 1935 a construção da Usina de Monlevade, verdadeiro orgulho da indústria mineira.

“ÓI, ói o trem, vem surgindo de trás das montanhas azuis, olha o trem. Ói, ói o trem, vem trazendo de longe as cinzas do velho éon. Ói, já évem, fumegando, apitando e chamando os que sabem do trem”… (Raul Seixas).

E também veio para o desenvolvimento, fazendo com o material produzido pela Belgo-Mineira fosse escoado para o resto do país, e também para o mundo.

1935: Nasce a Usina de Monlevade

O dia 31 de agosto de 1935 foi marcado por duas importantes realizações: a inauguração do ramal ferroviário Santa Bárbara/São José da Lagoa e o lançamento da pedra fundamental da Usina de Monlevade. Complementares, os dois marcos foram firmados pelo Presidente da República da época, Getúlio Vargas, e abriram uma página notável no cenário da siderurgia mundial.

Setenta e um anos depois, a Usina de Monlevade já passou por diversos planos de expansão e modernização, que deixaram a empresa numa posição de liderança no mercado internacional.

Coube ao Dr. Louis Ensch, já então gerente geral da Companhia Siderúrgica Belgo Mineira, a missão de organizar os planos definitivos desse grandioso empreendimento, do qual se desincumbiu de maneira brilhante, numa afirmativa incontestável da sua capacidade profissional, criando sobre morros que circundam a centenária fazenda, onde desabrocharam as primeiras tentativas de João Monlevade, uma Usina que se tornou arrojado marco da mais eficiente técnica construtiva da moderna engenharia industrial. A sua obra contém em si realizações merecedoras dos mais sinceros louvores.

Trouxe para o Brasil uma verdadeira siderurgia pesada, que está contribuindo decididamente para o vigoroso desenvolvimento do Brasil. Libertou das selvas quase virgens, uma região que hoje se expande, mostrando as riquezas que aguarda em seu solo, chamando para si a atenção dos poderes públicos, atraindo ao mesmo tempo o interesse dos nossos patrícios que para ela estão encaminhando seus capitais, com o que tornarão o Vale do Rio Doce, um deslumbramento para as gerações futuras.

Vista da área reflorestada de eucalíptos ao longo da estrada de ferro

Cerceando-se o benemérito Dr. Louis Ensch de colaboradores eficientes, que desde o início entregaram-se com entusiasmo à tarefa que lhes desafiava a tenacidade levou avante, sem esmorecimento, os projetos que traçara; e, pouco a pouco, foram surgindo, à margem da linha da E. F. Central do Brasil, em certo ponto do Rio Piracicaba, os sinais da capacidade criadora do homem.

Maquete do antigo Centro Industrial

Lançamento da pedra fundamental com a presença do Exmo. Sr. Presidente da República do Brasil, Getúlio Dornellas Vargas

O Dr. Ensch em conversa com o presidente Vargas, durante visitação à área onde seria erguida a Usina da Belgo-Mineira. Em 31 de agosto de 1935

Presidente Getúlio Vargas escrevendo o “Livro de Ouro” durante visita ao Arraial de São Miguel

Usina de Monlevade em 1938, três anos após o lançamento da pedra fundamental: Dr. Louis Ensch mostrava ser um homem de visão futurista

Às margens do rio Piracicaba nascia em Monlevade a Belgo-Mineira

*Biografia de Louis Jaques Ensch: Vida, obra e morte!

Pesquisa:

Jornal “Morro do Geo”

Professor Eustáquio Ferreira de Souza (Dadinho)

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