*CASOS, CAUSOS & ACASOS! O’Gênio do Gandra – Petrônio Castro!

Uma casinha na localidade do Gandra, em São Domingos do Prata

O “Ogênio” do Gandra (na verdade Eugênio) era um senhor negro, franzino, cabelos grisalhos com entradas acentuadas na cabeça, prenunciando uma calvície. Voz pausada, timbre de barítono, com caminhar leve como um príncipe etíope. Pois bem, tinha ele o costume de sair do Gandra e ficar de sete a oito dias pela cidade tomando “umas” e dormindo sob as marquises. Ao tomar uma pinga acrescentava : “maldita coisa boa”, e em seguida um estalido na boca. Na barbearia do meu pai, o meu tio Jair Pinguela fazia-lhe a barba grátis e atendia ao seu habitual pedido de passar bastante talco da marca bozzano. A sua esposa chamava-se Maria Paula. Ela depois de lhe permitir uma semana de férias na rua; vinha buscá-lo, e os dois seguiam pelo Lava-Pés, depois Palmeiras, em direção ao Gandra num ritual silencioso, com Ela à sua frente e Ele seguindo seus passos. Dizia que Ela não era sua mulher, era sua ‘dona’. Certa feita, Ela veio buscá-lo e Ele surpreendentemente não a atendeu, e ficou na cidade. Ela voltou para o Gandra e comentou com o vizinho e compadre Zuzuca a recusa e a teimosia do Ogênio, em tempo de adoecer pela bebida, falta de alimentação e sereno.

Assim, acabaram por elaborar um plano para forçá-lo a voltar para a lida rural no Gandra. Colocando o plano em ação, o Sô Zuzuca veio para o Prata e procurou-o pelas ruas da Cidade. Encontrando-o, chamou-o particularmente e lhe disse: – “Oh Ogênio, tenho uma notícia ruim para lhe dar, você tem que voltar para casa”! E o Ogênio: – “Ora por que meu Deus, a rua é oter”! E o Zuzuca insistiu: – “Ogênio, infelizmente a sua mulher morreu”! O Ogênio ficou em silêncio e obedeceu ao pedido do amigo e acatou o chamado para voltar para o Gandra. Desceram a Rua do Lava-Pés e subiram silenciosamente o Morro das Palmeiras. Ao final do morro o Ogênio, meio ofegante, assentou-se no passeio da casa de meu tio Chico de Herculano, respirou fundo, fitou o céu e dirigindo-se ao compadre, falou: – “Oh Zuzuca, pensado bem no Gandra não tem cemitério, entonce o enterro vai ter que passar aqui, vou esperar Ela aqui mesmo”!… O plano havia acabado de ser sabotado.

*Causos de São Domingos do Prata!

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