João Monlevade e a história feita pelos seus três fotógrafos! Marcelo Melo

O Mestre Diló, em BH, no ano de 2000. Uma grande pessoa e um trabalho fantástico. Faleceu em janeiro de 2015, aos 94 anos de idade

A nossa história parece pequena, mas é de um tamanho incalculável. Pelo fato de João Monlevade ser uma cidade atípica, meio que colonizada pelos habitantes do Velho Continente, que aqui chegaram para nos ensinar a transformar o minério de ferro, em aço. De transformar o Arraial de São Miguel em uma Vila Operária, entre as montanhas e o rio Piracicaba. E da Vila, a história dos nossos bravos homens que ajudaram a construir a Usina e a cidade. E, entre tantos casos e ações, o ideal do homem chamado Louis Jacques Ensch foi fundamental para que hoje a nossa história fosse contada. Graças à sua vivência e sabedoria, já naquela época, nos anos 1930, o saudoso engenheiro vindo das terras de Luxemburgo, desejou que toda a obra, desde o lançamento da pedra fundamental para instalação da Usina da Cia. Siderúrgica Belgo-Mineira, fosse contada através de fotografias. Pois só assim a nossa história seria preservada, pelas imagens de um cenário maravilhoso. Até acredito que o Dr. Ensch – como era chamado carinhosamente pelos seus funcionários – previa que um dia todo esse acervo fotográfico fosse motivo de orgulho e aprendizado aos descendentes dos primeiros operários que aqui chegaram na década de 40 para erguer a Vila Operária. E conta-se que foi ele quem passou este ensinamento ao seu amigo, o ex-presidente JK, para registrar todos os seus feitos em fotografias. E assim foi feito.

E três homens foram os privilegiados em relatar toda a história de Monlevade, em preto e branco, dando prosseguimento à caminhada iniciada pelo francês Nicéphore Niépce, que em 1825 produziu a primeira imagem fotográfica no mundo. E foram eles Assumpção, Coutinho e Diló. Durante praticamente cinco décadas eles foram os artistas atrás das velhas câmeras e deram um show de imagens. Quanto aos dois primeiros, pouco se sabe de suas origens e não há relatos sobre eles. Mas quanto ao senhor nascido na cidade de Nova Era, popularmente conhecido como “Diló”, e a quem eu chamo “Mestre Diló”, as suas origens e histórias também estão em João Monlevade. E foi ele o profissional que mais fotografou a cidade, depois de deixar o seu memorial fotográfico em sua terra natal, onde também há um acervo fantástico. Contratado pela Belgo-Mineira, muitas vezes ele vinha de bicicleta de Nova Era a Monlevade para trabalhar. Ainda moço começou no seu ofício. E a herança fotográfica que deixou sobre a nossa cidade é o que nos permite hoje apresentar este trabalho de resgate de nossa história, iniciada com o “Morro do Geo”, há 10 anos.

Mas falar do “Mestre Diló” é mais complexo. Podemos compará-lo, sem nenhum receio, ao fotógrafo Sebastião Salgado, um dos profissionais mais respeitados no mundo. Pela sua genialidade e sensibilidade. Pela sua arte de fazer o feio ficar bonito. De dar a mesma tonalidade e o mesmo contraste em imagens tão distintas; do aço à Igreja, da procissão ao futebol, do rolo de arame aos bailes carnavalescos, de operários na Usina às belas moças passeando na Praça do Cinema. Portanto, dedico este Site ao Mestre, ao senhor Diló, o responsável por imagens tão maravilhosas e cenas marcantes, capazes de emocionar ao mais cético monlevadense. O homem que deixou marcada a nossa história através das câmeras, das películas em preto e branco que, mesmo sendo apenas alguns retratos nas paredes, serão eternas e que já fazem deste cidadão um imortal pelas obras produzidas. Obrigado, “Mestre Diló”!

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