Monlevade: As fitas históricas deixadas pelo Dr. Parreiras! – Marcelo Melo

Acima, a foto original com a legenda durante encontro na sala do DRI na Usina de Monlevade, para a sessão de cinema

  Cada tempo uma saudade!

  As lembranças sempre aparecem. Não existem uma razão muito lógica. Mas todos somos saudosistas. E sentir saudade, mesmo sem ter vivido a época, também é prazeroso.

  Na manhã do último dia 30, uma quinta-feira, estávamos numa sala do D.R.I da DISI – Divisão de Siderurgia da Usina de Monlevade; eu, o professor Nilton de Sousa (Tim), Dirson Fraga de Assis, Éder Pinheiro, Sílvio Rabelo, Alonso Starling e Antônio José Polansck. Não tratava-se de nenhuma reunião da direção da empresa com a imprensa. Mas sim de uma reflexão e viagem ao passado. Um momento único num encontro que durou cerca de uma hora e que tive o prazer de estar presente, onde participamos de uma sessão de cinema, em películas de 16 milímetros gravadas pelo saudoso Dr. Geraldo Parreiras, ex-chefe do DRI da Divisão da Belgo-Mineira, em Sabará.

  Eu e o Tim fomos convidados pelo Dr. Polansck, tendo o Dirson nos passado o ofício (via telefone). O professor Tim, por se tratar de um historiador sobre João Monlevade e eu pelas reportagens especiais qiue tenho realizado pelo “Jornal de Monlevade”, principalmente uma que comentei sobre a Igreja São José Operário e sobre a Gruta dos namorados.

Década de 1950

  Tivemos o prazer de assistir a três fitas (16 mm). A primeira mostrava os áureos carnavais realizados no Social e Ideal Clube, com muita gente bonita fazendo a festa maior do Momo. Vimos também a turma do “Samba-Furô”, tendo à frente o saudoso “Casanova”, e Acrísdio Engrácio de Mestre-Sala. Travestido de mulher o grande Elívio Bastieri. Presente a Câmera mágica do Dr. Parreiras, sogro do Polansck. Na década de 1950, conforme afirmava o próprio Polansck, o povo era mais festeiro e tudo era motivo para uma comemoração.

  Aquela década tornara-se inesquecível. No ano de 1952 foi instalada a pedra fundamental do estádio Louis Ensch, tendo como orador da solenidade o desportista Sr. Simões, com seus trinta e poucos anos de idade. Mas, festeiro mesmo, era o diretor do Grupo da Belgo-Mineira naquela época, o próprio Dr. Louis Jacques Ensch. Sempre sorridente, ele se juntava aos operários nas festividades. E conhecia cada um deles pelo próprio nome. Tão popular em João Monlevade como J.K para Minas Gerais e o Brasil. Ao seu lado, a simpática esposa Dona Cici. També nas filmagens aparecia o próprio Geraldo Parreiras, ao lado da esposa Dona Conceição, e ainda Alberto Scharlé e Dr. Joseph Hein, os sucessores de Louis Ensch. Para mim, foi emocionante ver aquela fita e sentir a alegria contagiante daquele povo. E do outro lado da sala, o historiador Nilton de Sousa quase se derramando em lágrimas, muito emocionado. Tempos de glórias!

Abaixo, uma das fitas em 16 milímetros, conforme mostra a fotografia publicada no jornal e a legenda

Festa da VelhaGuarda

  Em 1949 ocorria na Praça do Cinema (tão bela e romântica) a festa da Velha-Gudarda. Carro da Ford e motocicletas Halley-Davidson. Uma juventude bonita. A praça toda tomada por populares e um desfile apoteótico. Vimos ali o Padre Higino, bem novo.

 Outro momento que marcou foi a visita de JKa Monlevade, no início dos anos 1950, quando atuava como governador de Minas Gerais. As praça do Cinema e do Mercado estava completamente lotadas. A curiosidade era que quase a maioria das mulheres utilizava o então famoso guarda-sol. Juscelino era recebido com muita festa pelo Dr. Louis Ensch. Tim então comentou: – “esta foi a primeira vez que coloquei cerveja na boca. E achei horrível”. Pausa para um sorriso.

  E o lançamento da pedra fundamental para construção do Hospital Margarida! Dr. Darci Figueiredo, então prefeito de Rio Piracicaba, estava como orador, tendo ao lado a Dra. Déa. Outro momento que ficou amrcado na minha memória, ao ver aquela histórica fita, foi assistir ao pouso de um pequeno avião no Campo de Aviação de nossa cidade. Estava embarcando em Monlevade o Dr. Félix Choumé (o mesmo que deu o nome à Bolsa de Estudos que a Belgo-Mineira concedia a filhos de seus operários), que aprendeu a gostar e a respeitar a cidade de João Monlevade e a Cia. Siderúrgica Belgo-Mineira.

  Pois é, mas uma João Monlevade de tantas histórias que o seu próprio povo desconhece. Das lendas e dio progresso que veio com a Belgo-Mineira. A cidade mostrada nessas fitas de 16 milímetros deixadas pelo Dr. Geraldo Parreiras, que têm um valor inestimável. Valem mais que vários momentos. Fitas que ainda surgirão, como das antigas e bonitas semanas santas, e as longas procissões realizadas ao longo da Rua Siderúrgica atpe a praça da Matriz São José Operário. Felizmente somos saudosistas. E somos agradecidos aos Dr. Geraldo Parreiras, pela obra; e ao seu genro, Dr. Antônio Polansck, por preservá-la. Nessas gravações de tão lindas imagens históricas, em preto e branco.

  Como diz o poeta “o homem, a obra o imortaliza”!

Abaixo, o Cabeçalho, com o título da matéria e a data da edição em que foi publicada

*De julho a dezembro de 1989, tive o prazer de produzir uma série de reportagens no extinto “Jornal de Monlevade”, periódico este fundado pelo amigo e jornalista Elmo José Lima – hoje residente em Belo Horizonte -, com algumas personalidades de nossa cidade, bairros e fatos curiosos sobre a história de João Monlevade, que estarei publicando em nosso Site.

Obs: O artigo está transcrito na íntegra, conforme publicado na edição de nº 307 do “Jornal de Monlevade”, de dezembro/1989.

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