Afilhados do Sereno”: A história de um grupo de amigos e do samba! Marcelo Melo

Uma apresentação durante um show no Caça e Pesca, onde aparecem em primeiro plano, da esquerda par a direita: Louiz do Cavaco, Rômulo Ras e Zaru do Pandeiro

“Quem não gosta de samba, bom sujeito não é, é ruim da cabeça ou doente do pé”… Já dizia Dorival Caymmi. E aqui na terrinha quem deixou a sua marca como um dos melhores grupos de samba de raiz foi o “Afilhados do Sereno”. Nome bastante sugestivo e que surgiu na brincadeira. Reunidos, ouviam um disco do malandro, saudoso Bezerra da Silva, que cantava a faixa “Cobra Criada”, de autoria de Dicró e José Paulo. Em um dos versos diz: “Eu sou cobra criada e tenho muito veneno. Sou neto da madrugada e afilhado do sereno”. Pronto, eis o feedbak e surge o “Afilhados do Sereno”, composto por Rômulo Ras (Vocal e Violão), Louis Bonifácio (Vocal e Cavaquinho), Gilson Rosa “Zaru” (Pandeiro), José Afonso (Percussão), José Ricardo (Violão de sete cordas) e José Antônio Pereira (Vocal e Percussão).

O grupo nasceu ali no lugar que era o reduto do samba na década de 1980, no Bar Hora-Extra, de frente para a ACM. E, entre o Hora-Extra, do saudoso “Pisca”, e o Chora na Rampa, do Remo (onde está localizado hoje o Bar do “Tatão), a turma se reunia para puxar um samba, tomar uma cerveja e falar de música. As sextas-feiras então eram sagradas, com muito samba de raiz, partido-alto e samba-de-roda. E isso durou durante anos até que agonizou.
As vidas tomaram rumos diferentes e o destino acabou também contribuindo para o fim do “Afilhados do Sereno”. Em um 1º de agosto de 1993, um acidente trágico envolvendo um ônibus da Gontijo – na BR-381, próximo ao Cascata -, provocou a morte de mais de vinte pessoas e entre elas o amigo e grande músico Louiz Bonifácio, o “Luiz do Cavaco”. Naquela época o Grupo já se dispersava e foi a gota d´água para que fosse encerrada a temporada do samba. De luto, vez ou outra se reuniam, mas outra péssima surpresa: em 20 de julho de 2000, vítima de um problema cardíaco, morre o popular “Zaru”, aquele do bicho, da malandragem e do pandeiro. O “Afilhados do Sereno” fica órfão de vez. Mas, como o samba não pode morrer e, assim escreveu Nelson Sargento, “ele agoniza, mas não morre”, os outros quatro bambas sempre estão se reunindo, inspirados pelo amor ao samba e a eternos mestres, como o saudoso “Seu Cardoso” e João Félix, padrinhos legítimos desses afilhados do sereno.

Todo o grupo que defendeu uma música do maestro Luciano Lima, em um Festival da Canção: Zé Afonso, José Ricardo, Zaru, Louiz, Rominho e Antônio Pereira, nos anos 1980

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