Histórias que só o Morro contou! Marcelo Melo

A foto mostra o saudoso Armazém do Geo, que ficava na entrada da praça do mercado. O proprietário era o senhor Silvério Lima Geo, popular “Leleu”, filho do velho Geo, falecido em 1964. O Mercado fechou-se em 1972 devido a uma crise financeira. Seu “Leleu” faleceu em Sabará, onde havia a Matriz do Armazém, aos 54 anos de idade

O jornal “MORRO DO GEO” entra no seu sexto ano de fundação e ao longo desses anos, em suas 94 edições anteriores, foram mais de mil fotos antigas publicadas e vário contos, causos, crônicas e relatos que resgatam a nossa história e mostram às gerações mais novas a nossa Monlevade de antigamente e os homens que ajudaram a construí-la.

Dentro desse espírito de sempre ativar a memória, a partir desta edição mostraremos fotos e casos que marcaram a história deste divezenquandal desde fevereiro de 2001.

Primeiramente iremos apresentar o famoso e saudoso morro do Geo. Afinal, é o carro-chefe do nosso jornal e que tem como logomarca um burrinho. Muitos monlevadenses, principalmente os contemporâneos, sempre questionam sobre o motivo pelo qual o jornal tem este nome e sobre aquele burro no cabeçalho da página principal. Pergunta que merece uma resposta, encontrada na capa da edição de nº 01 do Morro do Geo.

“Na Monlevade de antigamente, quando o centro comercial era na porta da Belgo-Mineira, as pessoas se encontravam no morro do Geo, que interligava do Bar do Daniel (hoje Restaurante Ramp´as) às praças do Mercado e do Cinema. Era ali, no meio do morro que tinha um ponto de ônibus em frente ao Armazém do Geo, onde todos se reuniam para as compras e uma boa prosa. Era ali também que ficavam amarrados os burros do Geo que puxavam as carroças entregadoras das compras do empório e que caiu no jargão popular ao servir de comparação para as coisas quase impossíveis. ´Isso nem o burro do Geo aguenta’, era comum se ouvir essa frase para exemplificar uma situação difícil de se sair.

A foto abaixo mostra o mais popular dos vendedores da praça do mercado, Sr. Enéas, que vendia seu amendoim tocando flauta, a poucos metros do armazém


“Morro do Geo” passa a ser o nome do jornal e uma referência da história. Afinal, muitas notícias que aqui você vai ler nem o burro do Geo agüenta. Divirta-se”!

O jornal chegou a entrevistar, nas edições de nº 02 e 03, dois ex-funcionários do Armazém do Geo. O primeiro deles, Sr. Etelvino Neri Domingues, era o carroceiro que puxava o burro “Rouxinol”, responsável pela entrega dos pães às residências dos antigos moradores das ruas Siderúrgica, Beira-Rio, Contratados, Rio Piracicaba e adjacentes, entre as décadas de 50 e 60. Na época, os operários da Belgo recebiam pão em suas residências. Saudosista, chegou a afirmar: “o estabelecimento poderia ser comparado a um grande supermercado de hoje. Lá o freguês encontrava de tudo, onde tinha padaria, açougue, mercearia, tecidos. Tenho muita saudade”.

O outro entrevistado foi o aposentado Jarbas de Oliveira, que trabalhou no Armazém do Geo durante quase 30 anos, de 1945 a 1972. Primeiro como caixeiro de balcão, depois como entregador de mercadorias e chegou a escriturário, responsável pela área contábil do estabelecimento. Durante a entrevista que concedeu ao Morro em março de 2001, lembrou saudosista dos tempos do burro e do armazém: “todos operários da Usina faziam ali a sua compra do mês e, para as regiões mais próximas, as mercadorias eram levadas na carroça. Havia também a entrega dos pães. Os burros se revezavam entre uma entrega e outra e o termo burro do Geo não era usado exclusivamente para um animal, mas para todos. Assim como tinha o Rouxionol, havia ainda um burro chamado Peixão, que era um burro muito mole, apesar de sabido”.

Aqui o Sr. Etelvino, um dos primeiros carroceiros do Armazém do Geo

*Matéria publicada na edição de nº 95 do jornal “Morro do Geo”, de março/2006.

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