“Nossa Terra, Nossa Gente”! Geraldo Eustáquio Ferreira – (Professor Dadinho)

Já existia a Avenida Getúlio Vargas (nome do ex-presidente da República) e, com o crescimento de Carneirinhos construiu-se uma nova avenida, denominada Wilson Alvarenga (nome do 1º prefeito eleito de João Monlevade)

Sempre me chamou a atenção, desde minha mais tenra idade, o fato de termos um nome para cada pessoa, para cada animal, para o lugar onde moramos, para o país em que habitamos, afinal, para tudo aquilo que existe. Nos longes de minha infância, menino reflexivo que era, não poucas vezes me vi divagando sobre essas coisas, perguntando-me que sentido teria o nome de cada ser e por que teria de ser aquele e não outro. Por que, por exemplo, porta tinha que ser “porta” e não “janela”, ou vice-versa? É bem verdade que, enveredando-me posteriormente pelo estudo das letras, acabei aprofundando-me no sentido das palavras e descobrindo muitos de seus segredos e de seus mistérios. E certamente encontrei boas respostas para muitas daquelas minhas inquietações de criança.

Não sai, entretanto, de minha cabeça, uma imagem construída por minha imaginação, quando li pela primeira vez a história da criação do mundo, no Livro do Gênesis. A imagem de Adão, chamando cada animal e dando-lhe um nome: Você vai se chamar “leão”. Você vai se chamar “beija-flor”. Você vai se chamar “jacaré”. Você vai se chamar “macaco”. E assim por diante. Com efeito, reza o Gênesis (cap. 2, 19-20): “Então Deus formou do solo todas as feras e todas as aves do céu e as apresentou ao homem para ver com que nome ele as chamaria: cada ser vivo levaria o nome que o homem lhe desse. O homem deu, então, nome a todos os animais, às aves do céu e a todas as feras”.

Na realidade, todos nós sabemos que a narração bíblica pretendia salientar que o homem, dando nome aos animais, tem domínio sobre a criação e, por isso, participa do poder criativo de Deus. Tem razão o escritor sagrado: dar nome a uma realidade ou a um ser vivente cria uma relação de autoridade, de identidade, de pertença e de domínio entre o autor do nome e a coisa nomeada. Eis aí como se reveste de importância, em nossa vida familiar, o ato de se dar nome a um filho que nasce. Não é à toa que, no Livro dos Salmos, um outro autor sagrado concebe essa pérola de verso: “Tu és meu filho, eu hoje te gerei. E te chamei pelo nome; tu és meu!” (Sl 2, vers. 6). Certamente muito daquilo que somos nós projetamos nos nomes de nossos filhos.

Não haveria de ser diferente no caso dos nomes de cidades, logradouros, ruas, avenidas, escolas e outros. Vez por outra me pergunto por que tal rua tem tal ou tal nome e fico procurando o que levou o legislador a “batizar” a Escola “X”, a Rua “Y” ou a Avenida “Z” com os nomes que elas ostentam. Em muitos casos, aparece de forma cristalina a motivação, tão forte é o nome da pessoa homenageada, tão conhecidos os méritos de sua vida, tão marcantes os traços de sua personalidade e tão significativas as marcas com que pontuou sua trajetória terrestre. Em outros casos, nem tanto. Não que esteja insinuando ou denunciando um possível demérito da figura homenageada. O que acontece na maioria das vezes é que não conhecemos suficientemente a pessoa contemplada com tal homenagem para entender o motivo e a justeza da homenagem.

Esta coluna – simpaticamente batizada de “Nossa Terra, Nossa Gente” –narrando de forma rápida e objetiva os gestos e os feitos de uma galeria de personalidades que em sua área de atuação se tornaram referência e cravaram definitivamente seus nomes na história da cidade. Nem todos emprestaram seus nomes a ruas ou logradouros, mas, seguramente, quase a metade das personalidades aqui biografadas denomina escolas de nossa cidade. O mérito do articulista – e, naturalmente, do “Morro do Geo”- é registrar e divulgar as histórias de vida dessas pessoas que já integram, com justiça, o panteão das grandes personalidades monlevadenses. Pretendemos, tão logo nos seja possível, transformar essas modestas biografias, acrescidas de mais uns três nomes que estão em fase de pesquisa, em um livro que, fartamente ilustrado, registrará para as futuras gerações a memória de seus atos.

E por falar em nomes…

. . . quando eu era menino, a gente chamava João Monlevade de “Carneirinhos”, ao passo que o conjunto formado pela Usina (que não mais se chama Belgo – Que pena!) e pelos bairros situados no seu entorno era conhecido simplesmente como “Monlevade”.

“Monlevade” compreendia os quarteirões centrais, quase todos com nomes de tribos indígenas: Tabajaras, Tamóios, Aimorés, Guaranis, Tupiniquins, Carijós, Paraúna, Tapajós etc. Nesse universo, Rua Siderúrgica, Rua Beira Rio, Rua dos Contratados, Vila dos Engenheiros e Rua da Estação desmentiam o gênero de topônimos utilizado. Faziam parte também de “Monlevade” a Vila Tanque (seus moradores eram apelidados de “pés-de-pombas”), o Jacuí de Baixo (em oposição ao Jacuí de Cima, atual Cruzeiro Celeste) e a Vila Santa Cruz (apelidada “Pendura Saia”).

Indo pros lados de “Carneirinhos”, não ocorriam tantas denominações. Havia apenas duas ou três: Laranjeiras, (o nome Loanda é mais recente), Jacuí de Cima (atual Cruzeiro Celeste) e Carneirinhos. Depois disso, eram as Pacas.

Criaram-se hoje muitas denominações para agrupamentos menores e mais recentes, mas as denominações antigas ainda prevalecem, em geral, compreendendo áreas maiores, como se fossem regiões. Tentando sistematizar, teríamos, assim, em João Monlevade, três grandes regiões:

I – CENTRO INDUSTRIAL: Bairros situados ao longo da Avenida Getúlio Vargas, a partir do Cemitério do Baú e terminando nos limites de Bela Vista de Minas, compreendendo: Baú, Areia Preta, Vila Tanque, Usina, Beira Rio, Siderúrgica, Tieté, Santa Cruz e Jacuí.

II – CARNEIRINHOS: Bairros (esses, muito numerosos) situados ao longo das Avenidas Getúlio Vargas e Wilson Alvarenga, a partir do quase Hospital Santa Madalena indo até os limites de São Gonçalo e englobando ainda as localidades situadas ao longo da Avenida Alberto Lima. Embora não tendo competência para tanto, mas valendo-me do meu direito de cidadão, ousaria sugerir que se delimitasse oficialmente (na prática ela já existe) uma área central que pudesse denominar-se CENTRO URBANO.

III – LOANDA/CRUZEIRO CELESTE: Bairros situados ao longo da Armando Fajardo e da Isaac Cassimiro, bem como aquelas localidades formadas ao longo da BR-262/381.

Na foto abaixo, O estádio da cidade foi construído na Grande Região I, denominada Centro Industrial, homenageando com muita justiça o engenheiro Louis Ensch, responsável direto pela instalação da Usina da Belgo-Mineira em João Monlevade

E por falar (de novo) em nomes. . .


. . . em nossa querida João Monlevade aparece uma quantidade de nomes de ruas, localidades e logradouros tão diversificada, tão curiosa e tão numerosa que daria serviço de muitos anos para pesquisadores, etimólogos, biógrafos, professores aposentados e tantos outros que se aventurassem pelo universo da toponímia, da onomástica, da antonomástica e outras coisas do gênero.

Há ruas que têm nomes de aves, de flores, de astros, de planetas, de frutas, de árvores frutíferas, de árvores de madeira-de-lei, de pedras preciosas, de elementos químicos, de acidentes geográficos. Nomeamos as ruas também com datas nacionais importantes como Treze de Maio, Quinze de Novembro e XV de Novembro (sic).

Há nomes curiosíssimos, como uma Rua Projetada (teria ficado apenas no projeto?), uma Rua Principal (de direito e de fato deveria ser a Avenida Getúlio Vargas), uma Rua Mimosa (deve ser um mimo!) e uma Rua Passarela (será que é suspensa sobre a rodovia?).
Em alguns bairros há uma relação entre o nome do Bairro e os das Ruas: no Bairro República, por exemplo, nomeiam-se as ruas com nomes de Presidentes da República, enquanto o Estrela D’Alva contempla suas ruas com nomes de estrelas e constelações. Em outros, mesmo sem associação com o nome do Bairro, houve uma constante no gênero. Por exemplo, na área industrial, imperam os nomes de tribos indígenas, na Cidade Satélite mandam os estados brasileiros, enquanto no Novo Cruzeiro mora uma turma respeitável de Marqueses.

Em nossa toponímia, foram contemplados países europeus, americanos e asiáticos e quase todos os estados brasileiros com suas respectivas capitais. Também não ficaram de fora nomes de muitas cidades mineiras bem como urbes representativas de outros estados brasileiros.

Nossa onomástica também se faz representar em nossas ruas: políticos, prefeitos, vereadores, professores, artistas, esportistas, médicos, engenheiros, padres ou simples moradores ligados à vida da cidade estão imortalizados em nossas ruas e praças. Extrapolando os limites urbanos, homenageamos também bandeirantes, inconfidentes, políticos, músicos, compositores, atores, romancistas, cronistas, poetas e escritores de renome nacional. E há nomes internacionais como alguns Papas, o grande Ayrton Senna e, pegando carona no nome do prestigiado colégio, a Rua Kennedy. Para finalizar, o céu deve estar todo a nosso favor: apóstolos e evangelistas, virgens e doutores da Igreja, mártires e taumaturgos, inúmeros santos e santas de Deus povoam nossas ruas onde não nos falta também um Bom Pastor, “conduzindo-nos para águas mais tranqüilas e reconfortando nossas almas”. (Salmo 22).

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