O Solar da Fazenda e o Cassino: Peças do “Circuito Histórico da Usina de Monlevade”!

O Solar Monlevade, construído no Século XIX pelo pioneiro jean Monlevade

Fazendo parte do Circuito Histórico da Usina de Monlevade, duas obras construídas em épocas distintas, mas de fundamental importância para a história da cidade: o Solar da Fazenda Monlevade e o Hotel Cassino. O primeiro foi construído por volta de 1818 pelo geólogo francês Jean Antoine Félix Dissandes de Monlevade, contratando os serviços do senhor João Figueiredo, conhecido carpinteiro da região. A construção majestosa, confortável e imponente, passou a dominar a paisagem à margem do rio Piracicaba, e ali se fez a moradia de Jean Monlevade.

Mais de um século depois, a partir dos anos 1930, quando teve início a construção da Usina da Cia. Siderúrgica Belgo-Mineira nas terras do distrito de João Monlevade, o então engenheiro e diretor da Belgo, Louis Jacques Ensch, fez da Fazenda o local para hospedar visitantes ilustres, entre governadores, ministros de Estado e diretores da empresa. Estiveram se hospedando no Solar os ex-governadores JK, Rondon Pacheco, Aureliano Chaves e os ex-presidentes Getúlio Vargas e JK, além de outras dezenas de autoridades políticas e empresariais, e também o Príncipe João de Luxemburgo, que passou a sua Lua-de-Mel nos aposentados do Solar da Fazenda Monlevade.

O Solar é todo preservado e conta com diversos utensílios produzidos pela própria forja de Monlevade, tocada com a força do trabalho dos escravos, resguardando a história. Um bom exemplo são as dobradiças, trincos e maçanetas da fazenda, assim como móveis do século XIX e talheres e porcelanas da época.

Por outro lado, o resgate do prédio do Cassino é um prêmio aos monlevadenses e, conforme afirmou um dos moradores mais antigos do Centro Industrial, Eduardo Dias, “principalmente para nós, que residimos na parte baixa da cidade. Isso vem valorizar a nossa região e preservar a nossa memória, pois foi aqui em baixo que tudo começou”.

Abaixo, o prédio do Cassino fez história em João Monlevade e continua fazendo parte de nossa arquitetura

E, além do Sr. Eduardo, outro morador antigo da cidade e que pode falar com propriedade do Cassino é o ex-gerente do Hotel, Messias Magalhães, e que hoje reside à Rua Imbé, no bairro Vila Tanque. De 1962 a 1981 ele foi o homem quem comandou o Cassino, substituindo ao senhor Jean Pierri Kaiser, natural de Luxemburgo e que comandou o Hotel desde a sua fundação, nos anos 1940, até o início dos anos 1960. Falando com saudosismo do antigo Cassino, senhor Messias disse que ali presenciou diversos acontecimentos, desde quando funcionava em anexo o Social Clube, até a construção da sua sede, no Vila Tanque. “Além de alojar os engenheiros e técnicos recém-formados que vinham trabalhar na Usina, o Cassino era o local onde freqüentava a alta sociedade de Monlevade. Havia muitos eventos e bailes, e aqui recebíamos os diretores da Belgo e de outras empresas, ministros e até mesmo governadores. Vi e vivi muitas histórias no Cassino e hoje fico feliz ao ver a diretoria da Belgo-Grupo Arcelor transformar o prédio em um centro para preservar a memória de Monlevade”.

Sr. Messias Magalhães (E), que comandou o Cassino por quase 20 anos, viveu ali muitas histórias e recebeu muitos convidados ilustres. Ao seu lado, o engenheiro Gerson Menezes, ex-gerente da Usina da Belgo/Arcelor em João Monlevade e idealizador do Projeto “Circuito Histórico da Usina de Monlevade”, infelizmente deixado de lado desde que mudou a direção da empresa

Dr. Henry no cavalo

Entre tantas histórias vividas no Cassino, uma delas foi contada por Marc Mayer, escritor e professor universitário nos Estados Unidos, e que juntamente com o irmão Pedro Mayer, esteve participando da solenidade festiva comemorativa aos 70 anos da Usina de Monlevade. Ambos passaram a infância e adolescência em Monlevade e o pai, engenheiro Henry Mayer, chegou ao cargo de gerente da Usina e diretor da empresa. Segundo relatou Marc, o pai e outro colega chegaram montados em cavalos numa determinada tarde de sexta-feira, completamente bêbados, e queriam a todo custo entrar no Hotel Cassino com os animais. A segurança foi chamada e impedida a ação dos beberrões. “Lembro-me disso como se fosse hoje. Meu pai naquele estado e nem era ainda o gerente da Usina. Foi para casa e só no outro dia tinha dado conta da sua aventura”, disse sorrindo o filho Marc, um dos idealizadores da construção do monumento do Serpenteador – colocada ao lado da entrada do Solar da Fazenda Monlevade – e que é uma homenagem aos pioneiros da siderurgia no Brasil.

Como diria a colunista do “Morro do Geo”, Coramar Alves, “o Cassino era a pérola dos anos dourados de João Monlevade”!

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