Sr. João Antônio: O 1º morador da Tapajós e fundador do União Operário! Por Marcelo Melo!

Um dos primeiros operários da Belgo-Mineira faz uma revelação interessante sobre o motivo pelo qual a Usina teve de mudar o local de sua instalação!

Na fotografia acima, Seu João Antônio com uma das filhas, no dia da entrevista, em julho de 2001

Um dos entrevistados no 1º ano de fundação do jornal “Morro do Geo” foi o Sr. João Antônio de Oliveira, nascido na cidade de Ponte Nova em 8 de março de 1906. Foi ele o 1º morador da Rua Tapajós, ali à margem do rio Piracicaba e da Gruta, onde chegou em 1942 e morou praticamente toda a sua vida. Nossa conversa se deu em julho de 2001, ou seja, Seu João Antônio já com seus 95 anos de idade e já vivia ali na Tapajós há quase 60 anos, antes até mesmo da construção da Igreja São José Operário.

Na verdade, ele chegou a João Monlevade em 1933, para trabalhar na estrada de ferro. Primeiramente, trabalhou na estrada férrea em Rio Piracicaba e em Engenheiro Guilman, com um senhor chamado Joaquim Rola, lembrava saudosista.

Sua entrada na Usina da Belgo-Mineira

Dois anos depois, ou seja, em 1935, a da Cia. Siderúrgica Belgo-Mineira se instalaria em João Monlevade e Seu João Antônio transferiu-se para lá, antes mesmo da construção da Usina. Tanto que, segundo ele, um dos primeiros serviços que fizeram foi a construção de um Canal para a Pedreira, onde seria construída a Usina. Um fato muito interessante relatado pelo Sr. Antônio é que a Usina seria construída em outro local. “A sua instalação seria próxima ao local onde foi construída depois a Rua dos Contratados. Mas, como o cálculo da água que vinha de Carneirinhos não daria para tocar a Usina, ela foi transferida par a outra parte, mais em cima”. Mas logo depois ele saiu da Belgo-Mineira e foi trabalhar na Christiane Nilsen, mas retornou em 1937, onde trabalhou até 1953. E nessa sua segunda fase na Belgo-Mineira, ele trabalhou na construção do 1º Alto-Forno da Usina, lembrando da grande festa que hoje entre os operários após a primeira partida do Alto-Forno. Seu João Antônio pediu conta da empresa em 1953 para montar seu próprio negócio e assim abriu uma Feira na Praça do Mercado. Segundo relatou, “foram três anos maravilhosos ali na praça. Mas o Dr. Parreiras me chamou para retornar à Usina, onde tive minha própria firma, uma empreiteira. Mas dei azar nos negócios e acabei perdendo o que havia conquistado. Sabe, passei 72 anos de minha vida trabalhando e não adquiri nada. Mas, graças a Deus, criei com dignidade meus 11 filhos e mais quatro adotivos”, disse emocionado.

Continuando, ele afirmou que “no entanto, não tive nada materialmente. Até o ano que minha esposa faleceu, no ano de 1990, com quem se casou em 1928, eu trabalhava na construção civil. Sempre fui um bom profissional,, como pedreiro e carpinteiro e até a casa em que eu moro não é minha, pois pertence a um dos meus netos. Mas mesmo assim, tudo na vida vale a pena, né mesmo”?

Fundador do União

Por outro lado, a vida do Sr. João Antônio não se resumiu apenas em trabalho, pois ele teve muitas atividades na área social em João Monlevade. Afinal, foi ele um dos principais fundadores do Clube União Operário. Tudo começou depois de um carnaval dos “brancos” (pois havia esta divisão social na época) realizado no Hotel Siderúrgica (do Moacir). Assim começou essa história, que por sinal é muito interessante: em 1947 foi realizado este baile no Hotel do Moacir, e quando eu e outros colegas chegamos para dançar não havia mais lugares. Fomos barrados, porque o lugar já estava lotado. Decidimos então encontrar um espaço para que pudéssemos dançar. Eu sempre fui um exímio dançarino, pé de valsa e, juntamente com os amigos Joaquim Egídio e José… (ele se esqueceu o sobrenome deste), resolvemos procurar o Dr. Joseph Hein para que nos arrumasse um lugar onde pudesse ser construído o nosso espaço. Lembro que ele nos atendeu muito bem e ordenou que um moço do escritório saísse com a gente para que encontrássemos o tal lugar. Rodamos a Rua Siderúrgica, onde as casas estavam sendo construídas; o Cassino, também em obras, o Armazém do Geo sendo construído e outros locais, até que chegamos ali na Praça do Cinema. Ali erguemos o nosso querido Clube União Operário, onde fiquei por mais de 30 anos. Havia o Ideal, da elite; e o União dos Operários. Foi um tempo que não me esqueço jamais”, contou muito emocionado.

*PS: O Ideal Clube foi fundado em 1946 e o União Operário em 1951!

Seu João Antônio foi o 1º morador da Rua Tapajós, onde mudou-se em 1942, e morou nesta casa por mais de 60 anos

Esta é um pouco da grande história de vida deste senhor, João Antônio, simplesmente, porque, como ele disse naquele dia da entrevista, o “Oliveira” ele tirou, fazia tempo (rs). Faleceu anos depois desta boa prosa, com mais de 100 anos de idade, e deixou seu exemplo e seu legado!

*Esta matéria foi publicada na edição de nº 11 do jornal “Morro do Geo”, de julho/2001!

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