Nossa Terra, Nossa Gente! – *Geraldo Eustáquio Ferreira (Profesor Dadinho)

PADRE ANTÔNIO HENRIQUES DE ALBUQUERQUE: EMPREENDEDORISMO EM EDUCAÇÃO!

Vamos dar uma volta ao início dos anos 1960, quando o Padre e educador Henriques de Albuquerque dava início à sua empreitada de construir uma escola em João Monlevade. Terminada a fase do Ginásio Monlevade, saudoso Colégio de Tábua, onde atuou como vice-diretor, Padre Henriques resolve dar um salto mais alto e acaba tornando o seu sonho em realidade, nascendo o Colégio Kennedy. Na fotografia acima, do ano de 1966, os primeiros alunos recebem a visita do Bispo de Itabira, Dom Marcos, para a Aula Inaugural do Kennedy, que caminha pela avenida Getúlio Vargas em companhia do então prefeito de João Monlevade, Wilson Alvarenga; do Padre João Batista e do diretor da escola Padre Henriques. Um marco que ficou na história

Hoje cumpro um duplo dever: o primeiro, para com a história de João Monlevade, biografando um dos ícones mais representativos de sua história, recentemente falecido; o segundo, para com a minha alma agradecida, homenageando uma pessoa de quem recebi o primeiro impulso para minha trajetória profissional.

Antônio Henriques de Albuquerque ou Padre Henriques , como veio a ser conhecido em João Monlevade, filho de Orival Martins de Albuquerque e de Anna Henriques de Assis, nasceu em Carandaí, cidade vizinha de Conselheiro Lafaiete, em 22 de maio de 1925. De sua infância, o que se sabe é o que ele mesmo algumas vezes referiu : era um menino meio levado da breca, o que não o impediu de pegar juízo e matricular-se no Seminário de Mariana, para seguir a carreira sacerdotal.É bem verdade que muito lhe valeu a sábia sugestão de um tio , o Padre Randolpho de Albuquerque, que o encaminhara aos estudos eclesiásticos. Ordenou-se sacerdote em 1952.

Foi na condição de sacerdote e educador que João Monlevade o acolheu. A Paróquia de São José Operário, em franco crescimento nos anos cinquenta, tornou-se também instituidora, com o apoio da Arquidiocese de Mariana e da Belgo Mineira, do primeiro estabelecimento de ensino secundário da cidade, o Ginásio Monlevade, cujo Diretor era o Cônego Dr. José Higino de Freitas, Vigário da paróquia. O jovem sacerdote Padre Henriques para aqui viera, após ter trabalhado por dois anos em Conselheiro Lafaiete, para ser o Vigário Cooperador da paróquia e Secretário Escolar do incipiente Ginásio Monlevade.

Corria o ano de 1955. O jovem auxiliar do Cônego Higino conquistou o povo principalmente com sua oratória: os sermões do Padre Henriques, verdadeiras peças literárias, eram proclamados com tanta eloquência e sentimento que não poucas vezes levaram os fiéis à comoção. Na Paróquia, cuidava ainda do Grupo de Coroinhas: eram mais ou menos cinquenta que, embatinados e perfilados, davam brilho às cerimônias litúrgicas. No Ginásio Monlevade, dividia seu tempo como Secretário e Professor de Português e Francês. Como professor de Português, tornou-se referência obrigatória no conhecimento do idioma e, coisa rara naqueles tempos, chegou a escrever seu próprio material para suplementar as informações do livro didático adotado. Preocupado com o desempenho dos alunos, criou o Grêmio Literário Padre Franca, onde os alunos exercitavam a comunicação oral e a oratória.

Aqui o Padre Henriques de Albuquerue, durante a despedida dos coroinhas Paulo Roberto, Geraldo Eustáquio Ferreira (Dadinho) e de Antônio Eustáquio Faria, que iriam para o Seminário de Mariana. Ainda na foto familiares e amigos, que são Maria Helenena (Lelena), Maria das Graças, Maria Beatriz e Dona Maria, mãe de Paulo Roberto. Esta foto é do final da década de 50

Com pouco tempo de Monlevade, sensibilizou-o a carência de vagas para o primeiro ciclo do antigo curso ginasial na cidade, revelada a cada ano pelo concorrido exame de seleção ao Ginásio Monlevade, que eliminava muitos bons candidatos. Havia também uma boa distância entre o centro industrial, sempre beneficiado pela Belgo, e o povoado de Carneirinhos, sempre carente de progresso. Resultado: espírito empreendedor, menos de uma década depois, em 1964, instalava em Carneirinhos o Ginásio Moderno Kennedy.

A experiência no Ginásio Monlevade e as dificuldades encontradas no dia-a-dia de sua própria escola, com relação ao Corpo Docente, levaram-no a sonhar com uma escola de formação de professores. Tal sonho se materializou na Fundação Educacional de João Monlevade (atual Funcec), fruto de sua idealização e articulação com a comunidade e com as lideranças políticas.

O padre e educador sempre foi rígido e uma das coisas das quais não abria mão era fazer com que seus alunos participassem das paradas de 7 de setembro. Aqui, o desfile descia pela Gomes Batista

Responsável pela criação da FUNDAÇÃO em 1969, tornou-se o Padre Henriques seu primeiro Presidente. Por força de um Convênio assinado com o Colégio Kennedy, para uso do prédio escolar, pôde, como Presidente da FUNDAÇÃO, instalar, em 1972, o Centro Tecnológico Dr. Joseph Hein e a Faculdade de Educação de João Monlevade. Dirigindo a entidade em um período marcado por grandes dificuldades, problemas, crises e irregularidades, o Padre Henriques entregou seu cargo em maio de 1973, no ápice de uma crise que estava levando a instituição ao caos.

Consumada sua renúncia, entrega-se à consolidação de sua obra primeira, o Colégio Kennedy, embrião do grande e respeitado complexo educacional constituído hoje pelo Colégio e Faculdade Kennedy, certamente uma das forças que alavancou o progresso do município. A agregação do ensino superior, consubstanciada em 2001 com a criação do Curso Sistemas de Informação, materializou o sonho do grande educador de ter em sua instituição todos os níveis de ensino.

Tendo redirecionado sua vida para o campo da educação e gestão do ensino, renunciou ao ministério sacerdotal e, laicizando-se, casou-se com Glória de Fátima Bicalho de Albuquerque, com quem teve uma filha, Mariana. No entardecer de sua existência, jáoctogenário, destituído da energia dos tempos da mocidade, não perdeu, entretanto, o espírito empreendedor e a obstinação que fizeram dele um dos grandes baluartes da educação em João Monlevade.

Tendo falecido no dia 14 de junho de 2011, a grande importância de sua existência, dispensa o distanciamento histórico para que se registre e se proclame que a sua personalidade, disciplina, cultura, tenacidade e fibra moral fazem dele um dos ícones mais representativos da História de João Monlevade.

Esta Matéria foi publicada na edição de nº 151 do jornal “Morro do Geo”, de junho/2011!

*Geraldo Eustáquio Ferreira (Profesor Dadinho) é professor, escritor e historiador e foi colaborador do jornal “Morro do Geo durante muitos anos!

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Um pensamento em “Nossa Terra, Nossa Gente! – *Geraldo Eustáquio Ferreira (Profesor Dadinho)”

  • Esta estória do padre Henrique é polêmica! De qualquer jeito, este foi também o tempo em que estes padres influenciavam famílias a colocarem seus filhos nos seminários! Eram os aliciadores do Vaticano! Primeiro selecionavam os mais fáceis pra serem os “coroinhas” e a partir daí mantinham o contato com as famílias! Era aquela lavagem cerebral com o uso da Bíblia e bons argumentos! No país do misticismo religioso, estes padres tinham uma força pra influenciar na fé das famílias! O interessante é que nunca devem ter dito pra estes jovens sobre entrar numa faculdade de engenharia, medicina, etc…! O objetivo principal era aliciar estes adolescentes pro Vaticano!

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