Anos 60: Nascia o Clube de Mães da Vila Tanque! Por Marcelo Melo!

O Grupo da Idade Feliz “Nova Esperança” deixa a solidão de lado para dar lugar à felicidade.

Tudo teve início por volta de 1967, quando foi fundado na Escola Santa Marta (antiga Uni-Labor), o Clube de Mães, primeiro em João Monlevade. O objetivo era o de reunir mães que não trabalhavam fora e conseqüentemente aprender a algumas técnicas artesanais, como bordado, crochê e outros trabalhos manuais. Anos depois, no início da década de 1970, o Clube de Mães se transferia para a Arpas, em prédio recém-inaugurado no bairro Vila Tanque, ao lado da Igreja. Também no mesmo período nasciam outros clubes de mães pela cidade. E uma das fundadoras do 1º Clube de Mães da cidade, o da Vila Tanque, falo com muito orgulho, foi minha saudosa mãe, Geralda Batista de Melo, junto a Dona Maria da Conceição Barros, popular Dona Sãozinha, e Dona Divina Vieira, entre outras senhoras do bairro.

Assim começava a escalada desse grande grupo e na época nem se ouvia falar ainda em grupos da 3ª Idade, hoje “Idade Feliz”. Na Vila Tanque, senhoras se reuniam semanalmente e, além dos trabalhos artesanais, um bom bate-papo e ao final aquele cafezinho. As próprias mulheres que preparavam o lanche. Cada uma levava uma coisa. Era biscoito, pão caseiro, torta, broa de fubá, queijo, rosquinha, café, leite e suco, como lembraram saudosistas Dona Divina Dona Lourdinha, Dona Fiota, Terezinha, Dona Judite e outras, durante entrevista que fizemos com as integrantes do Grupo da Idade Feliz “Nova Esperança”, que reúne-se todas as sextas-feiras numa sala cedida pela Funcec (hoje Doctum), ali na Vila. Aliás, o “Nova Esperança” é remanescente do Clube de Mães da Vila Tanque. Antes as senhoras se reuniam no “Redondo”, hoje posto de saúde do bairro.

E, durante alguns minutos, foi bom ouvir as histórias daquelas senhoras, que há quase quatro décadas frequentam esses encontros. Como é o caso de Dona Divina, que chegou a ser presidente, por oito anos, do Clube de Mães da época da Arpas. “A presidente era Dona Geralda, sua mãe. Coitada, faleceu muito nova, mas deixou um grande trabalho prestado à comunidade. Depois assumiu a presidência Dona Sãozinha, viúva de Seu Clemides e que hoje mora em Belo Horizonte. Ela havia se mudado com a família para o Espírito Santo e passou para mim a responsabilidade. No início, fiquei temerosa. Afinal, achava muito difícil conseguir substituir sua mãe e depois Dona Sãozinha. Mas, ela me deu muita força e disse que eu tinha capacidade para o cargo. Graças a Deus fiquei no cargo por oito anos. E estamos aqui até hoje”, disse Dona Divina, uma das integrantes mais antigas.

Histórias e Causos

Causos, histórias e muita alegria nas tardes de sextas-feiras. Fofoca então nem se fala, mas nada que prejudique alguém. Só de brincadeira, como diz Dona Fiota, uma das que mais gostam de uma piada. Dona Zezé e Dona Lourdinha não ficam atrás e também estão entre as mais “conversadas”, digamos assim. Quando se juntam, não há quem não caia na gargalhada. Tem até uma história envolvendo Dona Fiota que, por ser baixinha, não tem altura para dar o sinal no ônibus. Dia desses, indo para uma reunião que acontece às segundas-feiras na antiga sede do Sindicato dos Metalúrgicos, na Rua Siderúrgica, pediu à amiga Divina que desce o sinal. Quando o ônibus chegou próximo à antiga Leiteria, Dona Divina perguntou então se poderia dar o sinal, quando Fiota respondeu: “ainda não, eu gosto de dar é mais em baixo”. Uma gargalhada geral no interior do coletivo. Ela quis dizer que o sinal era para ser dado quando o ônibus tivesse ultrapassado o viaduto.

E assim vivem aquelas donas. Cerca de 30 integram o “Nova Esperança” e, como o nome já diz tudo, esperança é que não falta entre essa garotada da 3ª idade. Segundo Dona Zezé, que ganhou uma medalha de salto em distância do Sesi (depois que tomou um tombaço dentro do Comil e, atendendo pedido de João, o prêmio lhe foi entregue), “aqui nós falamos muito, mas também praticamos. E, nem só de arte manual, mas também corporal”, brincou.

Assim elas vão levando a vida, ficando a solidão e o peso da idade para trás. Ali, sorrir é o melhor remédio. Gozar e caçoar, porque a vida é mesmo passageira. Conforme lembrou Terezinha, atual presidente do Grupo, “as nossas reuniões são muito divertidas e esse contato faz a vida se prolongar”. Ela aproveitou para agradecer à direção da Funcec pelo espaço cedido e para aquelas que ainda não estão integradas, “é só nos procurar. O café é por conta da casa”.

Esta matéria foi publicada na edição de nº 74 do jornal “Morro do Geo”, de maio/2004. E tive o prazer de conviver com aquelas senhoras, e aprendi muito. E elas todas sempre de bom astral, como a saudosa Dona “Fiota”, entre outras, que já partiram e deixaram o legado e a saudade!

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